Agecom 25 anos: O primeiro quinquênio (1992 a 1997)

A Agência de Comunicação (Agecom) da UFSC comemora, em 2017, 25 anos de atuação. Criada em 3 de junho de 1992, a Agecom vem desenvolvendo um importante trabalho em defesa da comunicação pública, do jornalismo científico e da preservação da identidade da Universidade Federal de Santa Catarina.

Passeata contra a privatização das universidades reuniu mais de sete mil pessoas em 1992. (Foto: Acervo Agecom)

Entre as atividades comemorativas desse um quarto de século, vamos compartilhar um pouco da história da própria UFSC, já que somos parte dessa grande instituição. Por isso, preparamos uma série de assuntos que já foram notícia universidade. Para tanto, revisamos antigas edições do extinto Jornal Universitário (JU), que circulou de 1978 a 2012, bem como matérias e reportagens marcantes veiculadas no site da UFSC e em outras publicações.

O primeiro quinquênio: 1992 a 1997

Após funcionar por muitos anos com outros nomes (Assessoria de Imprensa, Assessoria de Comunicação, Coordenadoria de Comunicação e Departamento de Imprensa e Marketing da UFSC), a Agecom foi criada e seu nome apareceu impresso, pela primeira vez, no Jornal Universitário publicado em 30 de junho de 1992.

A própria Agência foi pauta de notícias diversas vezes, como em 1994, quando recebeu o Prêmio José Reis de Divulgação Científica. Em 1995, uma enquete sobre o JU apontou que a maioria da comunidade acreditava que o jornal tinha alto nível de credibilidade e que retratava a UFSC na ótica da comunidade.

O ano de 1992 viu, ainda, grandes manifestações tomarem o campus universitário da Trindade: uma, em maio, reuniu, segundo o JU, sete mil manifestantes contra a privatização das universidades públicas; em setembro do mesmo ano, a UFSC foi palco de outras duas passeatas históricas, que ganharam as ruas da cidade e pediam o impeachment do ex-presidente Fernando Collor.

Em novembro de 1992, a Universidade instalou uma Assembleia Estatuinte, para revisar toda a estrutura da UFSC por meio de debates participativos. No segundo semestre daquele ano, a comunidade universitária era formada por aproximadamente 17.040 pessoas, sendo 1.800 professores, 2.950 técnicos-administrativos em Educação e 12.290 estudantes. Após os vários processos de escolha dos delegados, a composição da Assembléia Estatuinte foi formada com 46 professores, 30 técnicos, 25 estudantes e 24 representantes da comunidade externa – um total de 125 delegados eleitos ou indicados. A previsão era que a Universidade teria seu quarto Estatuto até junho de 1993.

O Pibio era um programa interdisciplinar que reunia mais de 130 pesquisadores. (Foto: Acervo Agecom)

O processo se estendeu e muitas modificações foram feitas, com consultas à comunidade universitária acontecendo ao longo dos anos, até que, em dezembro de 1996, quando a UFSC comemorava seus 36 anos, o Conselho Universitário aprovou a reforma no Estatuto e no Regimento Geral da Universidade. “A nova estrutura administrativa e acadêmica que permitirá agilizar e simplificar o processo decisório, deverá começar a funcionar já no início das aulas em março de 97?, publicou o JU em 19 de dezembro.

A política e economia, com especial atenção para a questão salarial e da carreira dos servidores técnicos e docentes da UFSC, também ganharam as páginas das publicações da Agecom. Em 1992, uma reportagem especial assinada por Raquel Moysés expunha a situação salarial de técnicos da UFSC vivendo em regime de pobreza. O servidor Celso Lacerda, com 54 anos à época, vivia com um dos filhos em um barraco de obra destinado à construção da Moradia Estudantil, junto com outros três servidores da Prefeitura Universitária. O custo de vida para os estudantes também foi tema de muitas matérias ao longo dos anos, bem como as políticas neoliberais que ameaçavam a educação pública, o fantasma da privatização das instituições de ensino, e temas como o provão do MEC e autonomia universitária.

A ciência esteve estampada no JU em todas as suas edições, com destaque para novas descobertas, procedimentos

Um grave incêndio destruiu 15 laboratórios das Engenharias Civil e Sanitária em 1996. (Foto: Acervo Agecom)

inovadores no Hospital Universitário e novidades como a Rede Catarinense de Ciência e Tecnologia, que foi anunciada em maio de 1996. A Rede era fruto de uma parceria entre a UFSC e outras instituições de ensino de Santa Catarina, além do governo estadual, para educação superior a distância. Além disso, o JU trouxe a ciência à pauta em inúmeras matérias sobre os laboratórios e premiações. Logo em 1992, na primeira edição que trazia o nome da Agecom, a de número 178, o destaque era o Programa Institucional de Biotecnologia (Pibio), que reunia 138 pesquisadores de diversas formações, dos centros de Ciências Biológicas, da Saúde, de Ciências Agrárias e o Tecnológico.

Os retrocessos na ciência também foram pauta, inclusive os acidentais. Em abril de 1996, um incêndio destruiu 15 laboratórios da Engenharia Civil e Sanitária, demandando a reconstrução dos prédios. Uma comissão foi organizada e houve até mesmo uma campanha para receber doações via telefone, para buscar a viabilização da reconstrução.

O Hospital Universitário ganhou destaque nas publicações da Agecom. Em outubro de 1993, uma cirurgia inédita no continente americano aconteceu no HU: a construção de bexiga artificial com autotransplante do intestino e reconstrução estética e funcional da vagina de uma mulher de 33 anos, que nasceu com a bexiga localizada na parte externa do corpo e deformidade genital. Em 1995, após 15 anos de construções e espera, é inaugurada a maternidade do Hospital, que apenas um ano depois já comemorava 1334 partos efetuados, sendo 932 normais, 33 verticais (cócoras) e 402 cesáreos.

Em 1997, o Hospital Universitário foi escolhido como “Hospital Amigo da Criança”, título concedido por meio de uma iniciativa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) aos hospitais que promovem o aleitamento materno.

O campus foi crescendo e tomando forma. Estruturas hoje corriqueiras na vida universitária da comunidade da

Maternidade do HU. (Foto de James Tavares/Acervo Agecom)

UFSC foram inauguradas com festa, como a do Centro de Ciências Jurídicas, que já existia antes mesmo da criação da UFSC e que teve seu atual prédio inaugurado em 1997. Monumentos como a Praça da Cidadania, o Abrazo Andinoamericano e a escultura em homenagem às vítimas do descobrimento nasceram em 1994 e 1995. O mês de maio de 1996 viu inaugurados um novo e moderno prédio para a Biblioteca Universitária, nova estrutura para o Núcleo de Desenvolvimento Infantil e o Templo Ecumênico.

Betinho recebe título Doutor Honoris Causa da UFSC. (Foto: Acervo Agecom)

Muitas personalidades da vida política, cultural e acadêmica foram recebidas na UFSC. Uma das que recebeu maior destaque foi o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, personalidade celebrada pela luta contra a fome e miséria no país. Betinho foi recebido por milhares de pessoas na inauguração da Praça da Cidadania e recebia, na ocasião, o título Doutor Honoris Causa da UFSC.

Edgar Morin visitou a UFSC em duas ocasiões: 1993 e 1996. (Foto: James Tavares/Acervo Agecom)

A mesma honra foi concedida a Ulysses Guimarães (postmortem, em 1993); Fidel Castro, que encaminhou uma carta de agradecimento (quem recebeu pessoalmente o título foi o deputado e pesquisador cubano Carlos Borroto, em 1993); o senador Carlos Gomes de Oliveira (1994); e o geógrafo Milton Santos (1996).

Outras visitas ilustres resultaram em matérias de destaque no JU, como os três pensadores franceses Edgar Morin, que esteve na UFSC em 1993 e 1996, Jean Baudrillard e Michel Maffesoli (1993), Millôr Fernandes (1996) e João Ubaldo Ribeiro (1996), para citar algumas personalidades.

Esse conteúdo faz parte da série Agecom 25 anos.

(Notícias UFSC, 12/05/2017)

 

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