Aibil Barreto, um festival de emoções

A história da Era de Ouro de Rádio brasileiro ainda tem muito para contar sobre seus personagens mais ilustres. Como é o acaso de Aibil Barreto

Aibil (E), Norberto Ungaretti, Dakir Polidoro, Sec. Casa Civil e Dep. Aroldo Carvalho. Palácio do Governo, 1958

Aibil (E), Norberto Ungaretti, Dakir Polidoro, Sec. Casa Civil e Dep. Aroldo Carvalho. Palácio do Governo, 1958

Aibil, o mais jovem dos irmãos Cyro e JJ Barreto, é um caso típico. Fez história no rádio de Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, além de ter viajado por quase todo o Brasil como apresentador do casal Conchita e Mário Mascarenhas, ambos famosos à época, ela como vedete e ele como acordeonista. Era o lado peregrino do jovem radialista.

O caçula dos Barreto nasceu em Laguna (SC) no dia 16 de julho de 1940. Iniciou a carreira de radialista ao microfone da Rádio Anita Garibaldi de Florianópolis aos 14 anos impressionando pelo timbre nobre de sua voz e a maneira muitas vezes inusitada de dizer as coisas. Franco e leal com seus princípios e a graça de seu temperamento alegre e jovial é, também, cáustico quando algo o desagrada.

Desprendido e impulsivo, não teve dúvidas, logo na primeira chance com o convite do casal Mascarenhas, larga tudo e percorre boa parte do país até chegar na sonhada Rio de Janeiro, a metrópole mais desejada do Brasil naquela época, embora em 1960 tenha perdido a condição de Capital da República.

No Rio de Janeiro, Aibil trabalhou nas principais emissoras cariocas:  rádios Mayrink Veiga, Nacional, Globo, Tupi, Mauá, Mundial e Rádio Relógio. Posteriormente atuou em emissoras do Paraná: Cultura (Curitiba) e Cruzeiro do Sul (Londrina); em São Paulo (Rádio Tupi, Cultura e TV Record), Rio Grande do Sul (Farroupilha e Gaúcha) e interior de Santa Catarina (Eldorado e Difusora de Criciúma, Garibaldi, Laguna e Clube de Itajaí). No retorno a Florianópolis integrou as equipes da Rádio Santa Catarina e da TV Cultura. Além de repórter e locutor Aibil se tornou conhecido em Florianópolis como o apresentador do Festival de Emoções, um programa com música e textos românticos nas noites da Rádio Anita Garibaldi.

“A carreira do jornalista Aibil Barreto sempre se pautou pela ousadia de suas intervenções e pela irreverência de suas atitudes notabilizadas pelos escritos de Aldírio Simões, Oscar Berendt Neto, Heraldo Monteiro, Raul Caldas Filho e Roberto Alves”, diz o irmão Cyro Barreto.

Aliás o Cyro conta outra “aprontada” antológica do Aibil: Quando morreu o Nego Dico, saxofonista contratado da emissora, a família sem condições de arcar com as despesas recorreu à emissora e logo o Aibil, condoído com a situação de penúria do amigo, assumiu a responsabilidade de levantar os recursos e foi à luta pedindo contribuições aos colegas e amigos. A “vaquinha” rendeu o dinheiro necessário para o velório no auditório da Rádio Anita Garibaldi, para compra do caixão e sepultamento.

No dia do enterro ele foi o orador e ao finalizar sua fala disse solenemente. “As pessoas que contribuíram para o pagamento das exéquias, porque também o querem muito, irão em breve acompanhá-lo pela ordem de importância de suas contribuições”, dito isso, com o gesto solene que o momento exigia, olhou para todos, virou-se para a cova e jogou a lista sobre o caixão.

Matéria de 2009 atualizada nesta data. Mais Aibil, na palavra de Cyro Barreto em gravação em 2008:

1 responder
  1. Sérgio Freitas Flores says:

    Grande Aibil!!! Gente finíssima! Já demos uns “dois” juntos! Kkkkkk

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