Al Neto (Afonso Alberto Ribeiro Neto) – 05

Se somos sensíveis aos sentimentos de afeto, de amizade, de dor, de tristeza, e às vezes até de raiva, tudo nos leva a crer que devamos estar perto daqueles a quem mais amamos na vida… E também na morte.

Não por uma questão física, pois no final só restará o pó, mas para que os que ficam jamais esqueçam de quem lhes fez bem na vida terrena…

Assim entendemos quando eventualmente visitamos um cemitério…

Lá estão nossos entes mais queridos para serem lembrados dos saudosos momentos de quando ainda recebíamos seu calor e seu carinho.

Definitivamente assim sempre foi a concepção de Al Neto (inclusive exteriorizando-a ao levar-nos a visitar vários túmulos que se aglomeravam no cemitério da Estância do Pinheirinho, onde ele também hoje descansa).

O cemitério – isolado -, numa linda colina de onde se vislumbrava a natureza intacta por todos os lados, bem representava a importância dada à memória dos que partiram e que um dia habitaram a casa principal, seus arredores e seus piquetes de pastagem nobre.

Em cada breve epitáfio: nome, data de nascimento e o dia, mês e ano da viagem para o Oriente Eterno.

Informação resumida, pois para quem conheceu e admirou alguém, não precisa mais nada para manter sempre viva sua lembrança.

Quando chegamos vislumbramos os sepulcros onde jazem seus antepassados. O mais recente, então, era de seu pai, o respeitável médico Valmor Ribeiro, cujo nome orgulha a cidade de Lages e é homenageado com seu nome em importante rua e num grande ginásio de esportes.

A morte do patriarca Dr. Valmor Ribeiro, então, foi o motivo que levou o jornalista de sucesso mundial, Al Neto, a abandonar atribulada vida internacional e rumar – definitivamente – para a sede da modelar estância e assumir os destinos desta. Motivo: somente filho varão sucede aquele que alcança a eternidade…

O velório do finado Valmor Ribeiro, segundo hábito tradicional da família, teve poucos presentes: a família, os funcionários da estância
e raros amigos (como também foi o de Al Neto, em 2000).

Às 21h, Al Neto veio até a sala principal onde o corpo estava sendo velado, agradeceu reverentemente a presença de todos até aquele momento, solicitou que todos retornassem no dia seguinte, às 09h, apagou as velas que circundavam o ataúde, apagou as luzes, fechou a casa e foi descansar.

Além de seus antepassados queridos, dividiam espaço com aqueles os seres que, vivos, fizeram a alegria, o orgulho e o prazer de seus donos: os animais a que seus respectivos ancestrais mais dedicaram carinho e foram nisso correspondidos.

Senti uma emoção muito forte, já que também minha concepção é de que entes queridos não são somente aqueles que possuem nosso sangue e nossa espécie, mas, sim, todos os que nos mostraram lealdade e nos propiciaram momentos alegres, mesmo sendo chamados de “irracionais”.

Pessoalmente talvez leve eu ao extremo minha admiração pelos animais, considerando a lealdade destes para conosco.

No mundo em que vivemos, não raro é lermos ou ouvirmos notícias sobre pais que, tresloucadamente, abandonam seus filhos ao léu, entregando-os à miséria e ao vício, sem demonstrar nenhum sentimento afetivo.

Mães que, eventualmente, optam pela sua própria vida, em detrimento da vida frágil de uma criança, no mais repulsivo atestado de desamor filial.

Em contraposição – e felizmente –, a esmagadora maioria das mães, quanto mais pobres e necessitadas, dão sua própria vida para que seus pequenos seres, frutos de suas entranhas, subsistam!

Curiosamente, gestos nobres e grandiosos como estes, encontramos somente num cão fiel que, ao ver seu dono atacado, entrega sua própria vida – instintivamente – para preservar a de seu amo.

Tudo isso retrata – com absoluta fidelidade – a razão óbvia de se conservar a lembrança desses seres chamados “irracionais” com o mais caloroso afeto e eterno reconhecimento.

Essas lembranças nos passavam pela mente enquanto Dr. Al Neto, impecavelmente pilchado, nos mostrava aquele lugar tão solitário, porém onde nos sentimos tão reconfortados pela paz reinante…

(Homenagem ao seu filho e sucessor, Dr. Valmor Ribeiro Neto, a quem conhecemos (em férias) durante um chá da tarde na estância, quando ainda era estudante em Porto Alegre).

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