Aldírio Simões, sou ilhéu graças a Deus

Memória | Tributo ao mané Aldírio Simões de Jesus

A carreira profissional de Aldírio se fez no jornalismo impresso, no rádio e na televisão de Florianópolis, mas logo se estendeu pelo Estado à fora graças a participação que teve no jornal A Notícia de Joinville e na TV SBT/SC. Já sua vida literária data dos anos 1990 quando lançou quatro livros: Domingueiras – sou ilhéu, graças a Deus (1990), Retratos à luz da pomboca (1997), Fala Mané (1998) e O pirão nosso de cada dia (1999).

O primeiro livro, lançado pela editora Papa-Livro, é saudado pelo editor Vilson Mendes com estas palavras: “A partir deste momento, o jornalista Aldírio Simões assume uma posição importante na literatura ilhoa, quando coloca à disposição de inúmeros leitores a preciosidade de seu livro Domingueiras – Sou ilhéu graças a Deus”.

A apresentação do livro é feita pelo já veterano jornalista e escritor Raul Caldas Fº, conforme reproduzimos a seguir.

“Com suas Domingueiras publicadas antes em jornais e agora agrupadas neste livro, Aldírio Simões transformou-se no mais genuíno porta-voz da herança pitoresca –açoriana existente na cidade erguida sobre a Ilha de Santa Catarina, a ex-Nossa Senhora do Desterro e atual Florianópolis.

Estas crônicas, estórias, histórias, casos e causos, com seus personagens picarescos e extrovertidos (reais, ou inventados), refletem, com total fidelidade, o espírito gozador e criativo do habitante da Ilha-Capital.

Emérito frequentador de botequins – a minha essência é o botequim, ele costumava dizer – e participante efetivo de inúmeras rodas de piadistas, Aldírio é o captador por excelência da inventividade ilhoa.

Na verdade, durante toda a sua trajetória ele aparelhou-se para tal missão.

Nascido às margens do Rio do Braz, no distrito de Canasvieiras, onde passou parte da infância, mas com passagens por diversos bairros do Centro, Aldírio Simões teve uma vivência ao mesmo tempo caiçara (ou beira-de-praia) e urbana.

É, portanto, um autêntico Manezinho da Ilha e também um típico ilhéu urbano, nostálgico, cultuador dos tempos em que o mar ficava mais perto e a vida desterrense era bem mais serena, mas nem por isso, menos divertida.

Ele iniciou as suas atividades jornalísticas no antigo O Estado da Rua Felipe Schmidt, onde exerceu diversas funções, entre elas a de paginador, repórter policial e repórter esportivo. Mas, tento também o samba nas veias e sendo um festeiro nato, presente, sempre que possível, a uma boa batucada nos morros, foi com suas reportagens carnavalescas que Aldírio começou a se projetar.

Este mesmo vírus levou-o a promover diversos eventos ligados ao samba, ao carnaval e a manifestações populares da cidade.

E foi um dos fundadores da Banda Mexe-Mexe, que marcou época no final dos anos 1970 e início dos 1980.

As Domingueiras começaram a ser escritas para o jornal O Estado em 1983. Mas com a transferência de seu titular para o Diário Catarinense em 1988, onde passou a assinar uma coluna, Clube do Samba, as crônicas mudaram de veículo.

Suas entrevistas com conhecidos personagens da cidade, na RBS/TV, alcançaram também considerável Ibope.

Aldírio foi ainda o idealizador do troféu Manezinho da Ilha, que todos os anos é concedido a uma plêiade de figurões ilhéus, caiçaras ou urbanos.

Ao passar essas histórias para o papel (muitas já incorporadas ao anedotário da Ilha), Aldírio resgata usos e costumes que estão desaparecendo, soterrados pelos novos tempos e novos hábitos de uma cidade que cada vez mais se moderniza (nem sempre para melhor).

São rua se bairros antigos que reaparecem, ao lado de localidades do interior da Ilha, com suas bruxas, crendices e tradições açorianas, além de expressões populares, pratos e bebidas típicas, bares e restaurantes de ontem e de hoje, que servem de cenário às aventuras dos pitorescos personagens.

Para aqueles que viveram nas plagas desterrenses entre os anos 1940 e 1960 essas páginas têm o sabor de uma viagem no tempo, à maneira das histórias em quadrinhos publicadas nos gibis daquela época.

E para os que chegaram depois, As Domingueiras funcionam como um verdadeiro aprendizado do que é o espírito ilhéu.

Leiam e divirtam-se com estas fatias de vida, que só poderiam ter acontecido (ou imaginadas) na cidade dos casos e ocasos raros”. Raul Caldas Fº.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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