Aldo Pires de Godoy e o seu microfone artesanal

Valci Zuculoto e Eduardo Meditsch (Coordenadores)

Aldo Pires de Godoy nasceu em Lages (SC), em 17 de julho de 1946 e morreu em Itajaí (SC), em 11 de novembro de 2008. A carreira no rádio esportivo começou com uma lata de massa de tomate: Aldo Pires de Godoy foi um apaixonado por futebol. Viveu intensamente sua paixão, mas fora de campo. Por volta dos 10 anos de idade, o menino nascido em Lages, cidade serrana do oeste de Santa Catarina, no dia 17 de julho de 1946, era assíduo frequentador das “peladas” com os amigos. Não para jogar e, sim, para imitar seus ídolos narradores esportivos das rádios Nacional e Tupi. Aldo Pires de Godoy narrava os jogos com seu microfone artesanal – uma lata de massa de tomate.

A história do moleque que simulava transmissão radiofônica de “peladas” foi, de pouco em pouco, ficando conhecida na cidade, e aos 16 anos, ele já narrou sua primeira partida oficial, pela Rádio Diário da Manhã. Ainda passou pela Rádio Princesa antes chegar à Rádio Clube, também de Lages. Esta última estava montando uma nova equipe de esportes, e levou Godoy para seu casting com status de estrela. Na Clube, viveu o período mais marcante de sua trajetória profissional no rádio esportivo. Em Lages, não há ouvinte, entre os mais antigos, que não lembre das irradiações de Godoy.

Além das rádios Diário da Manhã, Princesa e Clube (Lages), passou ainda pelas seguintes estações: União (Blumenau), Rádio Jornal (Blumenau), Difusora (Itajaí), Clube (Jaraguá do Sul), Rádio Camboriú e Rádio Menina (Camboriú), Guarujá (Florianópolis) e Clube (Itajaí). Também trabalhou nas tele- visões Vale Itajaí (Itajaí) , Planalto (Lages) e TV Mocinha (Camboriú). Afora programas esportivos, apresentou e produziu também noticiários, sendo chefe de redação da maior parte deles.

Durante a carreira, acumulou histórias curiosas, suas e de colegas. Uma delas é da década de 1980. No intervalo de um amistoso do Blumenau Esporte Clube contra o Flamengo, Aldo Pires de Godoy, no comando da jornada, chamou o repórter de campo para entrevistar os jogadores do rubro-negro. O longo fio do microfone do repórter se enroscou pelo caminho e ele não conseguiu chegar até os jogadores. Nenhuma entrevista foi possível, mas o “tarimbado” Godoy e o repórter improvisaram e pelo menos descreveram o que acontecia em campo.

Outro curioso caso sempre lembrado por ex-colegas e familiares é do prédio movediço de Itajaí, município portuário catarinense. Godoy narrava um jogo do Marcílio Dias, time local, para a Rádio Clube de Lages. Da cabine do Estádio do Marcílio Dias, hoje chamado “Gigantão das Avenidas”, avistou um navio se aproximando do cais do porto. Era noite e só se viam as luzes da embarcação. A cena chamou a atenção do profissional, que narrou: “diria que, nesse exato momento, tem um prédio andando em Itajaí”.

Narrou sua última partida em 2007, pela Rádio Clube de Itajaí, e faleceu na mesma cidade em 11 de novembro de 2008, aos 62 anos, em decorrência de um câncer no intestino. Seus dois filhos, Marcello e Marco Aurélio, inspirados na profissão do pai, também trabalham na área da comunicação.

Referências

Depoimento de Marcello Godoy: filho de Aldo Pires de Godoy. Entrevista concedida ao Laboratório de Radiojornalismo da UFSC em 11 de maio de 2012. Disponível no acervo do Laboratório.

Depoimento de Servílio Ferreira: 67 anos, da Rádio Clube de Lages, foi colega de Aldo Pires de Godoy na emissora. Entrevista concedida ao Laboratório de Radiojornalismo da UFSC em 10 de maio de 2012. Disponível no acervo do Laboratório. | 284 Enciclopédia do Rádio Esportivo Brasileiro | Ricardo Medeiros, coordenador regional, SC.

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