Alfredo Alberto, cronista, Figueirense assumido

Astros e Estrelas | Crônica esportiva

Aldírio Simões

Foto acervo da família

O Figueirense pretende homenagear alguns alvinegros de coração, entre os quais o Alfredo Alberto. A homenagem não poderia ser mais justa, pois o polêmico cronista, enquanto esteve na ativa, teve a coragem de vestir a camisa do clube, ao contrário de outros que se escondiam por trás da camisa avaiana.

Até aterrissar definitivamente em Florianópolis no início da década de 70, quando deixou Lages a convite de José Mauro da Costa Ortiga, que ocupava a presidência do Furacão, ele percorreu muitos quilômetros de uma vida dedicada ao rádio e, devido ao seu estilo polêmico, de bater forte nos adversários, cultivou inimigos também no campo político, enfrentando percalços de toda a sorte.

Sistematicamente traído pela memória ao “pensar em voz alta”, este cigano da crônica esportiva tem uma frase feita apara combater os ataques antagônicos. “Só são meus inimigos aqueles que não entraram ou foram dispensados da minha seleção de amigos.” Antes de se radicar definitivamente na Capital, Alfredo Alberto havia trabalhado na rádio Anita Garibaldi, em 1957, a convite do radialista e também paranaense Osvaldo Rubim, para ser o narrador titular da equipe de esportes.

Foi morar no hotel Central, onde estavam hospedados alguns jogadores do Figueirense, dos quais tornou-se amigo e intransigente torcedor das cores alvinegras, ingressando anos mais tarde no seleto conselho deliberativo do clube. Resumindo as andanças do cronista por cidades do Paraná e Santa Catarina, ele certamente não guarda boas recordações do episódio que o obrigou a deixar Lages em adiantado estado de falência, para residir em Florianópolis.

Aqui chegou com a família, os móveis, cachorro e o passarinho de estimação sobre um caminhão estacionado durante alguns dias no pátio da churrascaria Riosulense, enquanto procurava casa para alugar. “Todos os dias eu retirava os bichinhos do caminhão para dar água e comida. ”

Conseguiu seu primeiro emprego na Capital com apoio de Roberto Alves e Fenelon Damiani, que o apresentou a Roberto Mattar, diretor da emissora. “Tive a felicidade de trabalhar com profissionais competentes como o Miguel Livramento, Carlos Alberto “Manteiga” e o Cyro Huggen.” Transferiu-se de “A Verdade” para a “Diário da Manhã”, compondo a equipe de esportes com Murilo José, o narrador da “Camisa Amarela”, e os trepidantes repórteres de campo João Ari Dutra e Walter Souza.

Naquele período, por indicação do conselheiro do Figueirense Fernando Viegas e o radialista Adolfo Zigelli, que era secretário de Comunicação, foi nomeado pelo governador Antônio Carlos Konder Reis como servidor do Instituto de Previdência do Estado de Santa Catarina (Ipesc), de onde aposentou-se e longe do burburinho dos bastidores do futebol se entrega às delícias da caliente praia de Ingleses.

Conhecido na cidade como um cronista que vestiu a camisa do Figueirense, nem sempre vivia em perfeita lua-de-mel com a torcida e dirigentes alvinegros. Crítico mordaz quando o time sucumbia diante dos adversários ele acabou contabilizando a simpatia de diretores avaianos, permanecendo amigo dos ex-presidentes Zé Bastos, Mário Cesar e João Salum, este até hoje freqüentando a sua casa, enquanto sobre o seu clube de coração perpetuou-se a amizade com os ex-presidentes Sady Lima e o falecido Major Ortiga. “Quando eu estive internado no hospital devido a uma cirurgia, o calor humano recebido tinha as cores azul e branco.”

Mas a sua simpatia pelo Leão da Ilha não passava da amizade com seus dirigentes. Sua antipatia pelo clube adversário era tanta que, quando o estádio Aderbal Ramos da Silva foi inaugurado e ele recebeu a determinação para fazer o seu comentário da Ressacada, ele driblou a direção da TV Catarinense e convenceu o cinegrafista Djalma Carminatti a gravar, em quadro fechado, para evitar a identificação, das arquibancadas do Orlando Scarpelli, sem que o telespectador percebesse.

E justifica: “Eu jamais coloquei os meus pés no estádio da Ressacada”. Alfredo Alberto é um dos poucos cronistas que assume a preferência por seu clube, a exemplo de Miguel Livramento, um avaiano de carteirinha.

Aldírio Simões AN Capital | Fala Mané | Domingo, 23 de maio de 1999 | manezinho@portadig.com.br

Alfredo Alberto Munhoz morreu dia 18/07/12, aos 79 anos, no hospital da Unimed, em Florianópolis. Paranaense de Piraí do Sul, Alfredo Alberto residia desde o início da década de 1970 na capital catarinense, onde desempenhou, de forma expressiva, as funções de cronista esportivo. Alfredo era, reconhecidamente, muito ligado ao Figueirense Futebol Clube, que lamentou sua perda oficialmente, através de nota em seu site oficial. (DC 19/07/12).

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