Alô, ouvintes! Aqui fala um locutor com voz de locutor

Dois velhotes, beirando os 80 anos, conversavam na fila de um supermercado em Curitiba, quando uma senhora da mesma faixa de idade fez a pergunta.

selo-sintonia-fina– O senhor tem voz de locutor de rádio. Foi locutor?

A resposta positiva ensejou uma conversa de saudosistas durante alguns minutos. Falou-se do rádio de antigamente, quando locutores tinham voz, ritmo, dicção e sabiam interpretar um texto como fazem os melhores atores.

Foi o tempo do rádio eclético onde os auditórios se transformavam numa das atrações de grandes e pequenas cidades brasileiras.

Ali desfilavam os talentos da música, os calouros desafinados e os com afinação, os jovens de boa cabeça respondendo sobre temas que despertavam interesse na plateia, plateia  que se encantava com duplas sertanejas e cantores líricos numa programação com todo tipo de atrações, que começava depois da Voz do Brasil e terminava perto das 22 horas.

Foi o tempo em que o rádio era a principal fonte de informação do público e os locutores noticiaristas venerados, como foram Heron Domingues, Milton Pereira, Adolfo Zigelli, Souza Miranda, Antunes Severo e tantos outros.

O rádio mudou e muito, principalmente na área técnica onde novos equipamentos facilitaram as transmissões externas, os microfones ficaram menores e mais sensíveis os discos foram substituídos por computadores, a programação foi direcionada para a violência dando ênfase aos acontecimentos policias.

E os locutores, também mudaram. Deixou  de ser importante o locutor de voz bonita, grave e aveludada, como diziam naquele tempo. Hoje nem precisa ter voz, nem saber ler com correção, nem ter boa dicção. Nada disso é importante.

Com a proliferação de canais de rádio, grande parte das emissoras passou a  funcionar como “locadora de espaço”.

Basta ter dinheiro ou um patrocinador amigo, para se conseguir um horário no rádio. Vereadores, pastores e outros tantos com recursos tomaram grandes espaços na programação radiofônica.

Com isso perderam os bons profissionais que ficaram fora do mercado e perdeu o ouvinte que já não conta com programas inteligentes, alegres, divertidos, feitos por gente do ramo. Já faz tanto tempo que o radio vive sem a participação  dos grandes profissionais da voz bonita, que se precisasse montar uma equipe para lembrar o passado, teria dificuldade de encontrar gente disponível.

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