Amaral Gurgel e Mário Lago

Amaral Gurgel também consta na lista dos grandes autores de radionovela. Francisco Inácio do Amaral Gurgel, filho de uma doméstica e de um funcionário público, nasceu em São Paulo.
Por Ricardo Medeiros

No ano de 1940, após ter colocado em cartaz duas peças teatrais, recebeu o convite para fazer novelas na Rádio Nacional. Auto-didata, escreveu textos e livros, além de ministrar aulas sobre a literatura radiofônica. 

Para criar um drama, Amaral Gurgel encontrava primeiramente um personagem-chave, oriundo da imaginação dele, de uma história que lhe contaram ou mesmo tendo como fonte a notícia de um jornal. Através deste personagem íam surgindo os conflitos, confirma o autor de Três Vidas, Penumbra, Alvorada, O Anjo, Poronga, Tercado e Coragem , Raça , Enquanto não Escureça o Sol e Travessuras de um Anjo.


Amaral Gurgel

Já para saber se o folhetim estava fazendo sucesso, mesmo antes da audiência, era esperar a reação de sua secretaria. Se ela perguntasse se ele estava trazendo mais capítulos a serem datilografados, era porque a novela estava interessante. Porém, se a secretaria fosse interrogada pelo próprio Amaral Gurgel sobre o que ela estava datilografando e se a resposta fosse : « ah, é um capítulo de novela », era porque a história não tinha muita importância, e portanto, não estava cativando ninguém.


Mário Lago

Por sua vez, Mário Lago começou a escrever ficção diária na Rádio Mayrink Veiga, no ano de 1948. Mário Lago (1977) confessa que lhe causava calafrios o fato de começar a inventar histórias sem descanso, de mantê-las no ar enquanto estivessem agradando o público e patrocinador e de encerrar todos os capítulos com um suspense tão poderoso ao ponto de provocar o interesse do ouvinte em escutar o próximo capítulo. Foi com estes receios que Mário Lago escreveu E Agora Senhor, Juiz ?. A história girava em torno de um homem que foi condenado a 20 anos de prisão por assasinato, mesmo que o corpo da vítima nunca tenha sido encontrado.

Este homem passou encarcerado até o último dia da condenação. Ao sair da prisão, ele encontra o homem que a justiça o acusou de ter assassinado e realmente o mata.

No final do ano de 1949, o escritor de novelas, poeta, cantor, compositor e ator se encontrava na Rádio Bandeirantes de São Paulo, a convite do diretor artístico da emissora, Dias Gomes. Atacando em todas frentes em sua nova emissora, além de novelas o escritor redigia textos de programas de fim. Em muitos momentos, ele ficava muito mais na Bandeirantes do que em casa: « Quantas vezes cheguei em casa, frio comendo solto, e acordei a companheira, colocando-a de sentinela sem dormir até às seis da manhã, pois precisava acordar aquela hora para escreverr o capítulo que iria ao ar às 10 da manha ».

Na década de 1950 Mário Lago escrevia programas para Sydney Ross e para a Lever. Para a primeira empresa multinacional, ele adaptou a obra do cubano Rodrigues Santos, Cárcel de Mujeres- em português, Presídio de Mulheres-, que contava dramas de mulheres que por várias razões foram parar atrás das grades. O folhetim funcionava como mini-novelas dentro de uma grande novela. Cada história tinha em torno de 50 capítulos de 30 minutos cada um. Presídio de Mulheres ficou cinco anos no ar pela Nacional, mesmo ao final do original, pois a peça radiofônica continuou a ser escrita e dirigida por Mário Lago.


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Por Ricardo Medeiros

Doutor em Rádio pelo Departamento de História da Université du Maine (Le Mans, França). Radialista, jornalista, escritor e professor de rádio do curso de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina e assessor de imprensa da Prefeitura de Florianópolis. É um dos fundadores do Instituto Caros Ouvintes.
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