Amor x casamento

Houve um tempo em que era o pai quem escolhia com quem a filha ou o filho iria se casar. Em alguns lugares ainda há hábitos semelhantes; quem escolhe o futuro cônjuge é a famíla. E por aqui, quem realmente escolhe o marido ou esposa? O bom senso, o que os olhos veem ou o amor?

Falando nos costumes do Brasil, pelo menos em maior parte, as pessoas se casam: se quiserem, quando quiserem e com quem quiserem. Como já ouvi uma psicóloga dizer há vários anos, marido e esposa são mais do que parentes; por quê? A psicóloga explicou que não escolhemos nossos pais, irmãos e filhos; mas o cônjuge – elegemos, palavras da especialista.

Isso quer dizer que quando nos casamos é porque escolhemos, elegemos; é como se estivéssemos dando o nosso voto: ele ou ela é a pessoa certa para mim. Faz lembrar o voto de confiança que damos a um candidato a um cargo político, por exemplo. Ele apresenta suas propostas e qualidades, e outros lhe apontam defeitos que entendemos como relevantes ou irrelevantes. A menos que sejamos como um grupo de pobreza intelectual e acostumado a sofrer que diz: “Ele rouba, mas faz”. Ou seja, se fecha os olhos para importantes realidades; assim pode acontecer no casamento.

A grande diferença é que muitas pessoas entendem o casamento como algo sagrado, uma instituição divina, a base sólida na formação de uma família. Estou entre esses. Ainda assim fica uma pergunta interessante, creio que feita e sentida por muitas pessoas: Por que tantas mudanças em forma de distância e rivalidade depois do casamento? Por que depois do casamento não há mais àquelas conversas longas, divertidas, com incentivos e sugestões? Sem falar nos constantes beijos e abraços, toques e carinho, sorrisos e encantos, trocados por críticas, cobranças e desconfianças. O pedir desculpas torna-se mais difícil, o perdoar mais ainda. As conquistas de um raramente são celebradas pelos dois. Por vezes podem se tornar tão distantes como um político eleito que na campanha nos abraçava e até beijava e agora – só daqui a 4 anos.

Há casais que mantêm sempre “aceso o fogo da paixão”. E existem aqueles que mais do que o “fogo da paixão” mantêm e aumentam o amor; o cultivam como um bom jardineiro cultiva suas plantas, suas flores.

Outro dia uma amiga disse em tom de brincadeira que: “100% dos divórcios ocorrem após o casamento”. Brincadeira verdadeira.

Fato: enquanto namorados há o respeito a individualidade, a cidadania; após o casamento marido e esposa passam a dividir a vida, isso explica o porquê da diferença nos questionamentos e nas críticas e etc. Casados não somos mais – individuais – somos de alguma forma dois em um; um mesmo interesse, valores e respeito. Quando um casal consegue uma das coisas mais difíceis do mundo – ser equilibrado – o casamento é uma benção, uma união entre os amigos mais íntimos em todos os sentidos. Há mais segurança, conforto emocional, apoio para vencer dificuldades. Casal que não discute é porque não conversa, então, discutir e ter desentendimentos com certeza não é o problema, é a realidade; continuamos sendo seres humanos ímpares. O equilíbrio e o bom senso ensinam ambos a sempre “assoprar a brasa” se ela ameaçar se apagar, ou a jogar mais “combustível para as chamas” aumentarem.

Infelizmente há os que não percebem o “fogo da paixão e do amor” se apagar e em vez de agir como “incendiários”, agem como bombeiros ou estão distraídos a ponto de as “chamas” se apagarem e naquele mesmo lugar em vez de “fogo só existe a água”. Não a água da vida, mas a que apaga o que um dia foram conversas animadas e longas, quando não se importavam com o acordar cedo no dia seguinte, quando se olhavam nos olhos e se puxava para fora o que o outro tinha de melhor para fazê-lo ainda maior, quando sempre um beijo e um toque a mais ainda eram poucos.

Dos tempos do namoro ao casamento em muitos casos abre-se um precipício, daqueles que dá até medo de olhar mais de perto. Há uma curiosidade em se olhar e o medo de cair. Uma dúvida assim como entre o amor x casamento. Diante um precipício no casamento há um olhar distante, há o medo do precipício e já não se sabe mais se ele é real ou imaginário. Só se sabe que algo aconteceu entre o amor e o casamento.

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