Animando o carnaval

Na década de setenta, o Lira Tênis Clube, seguramente, promovia as melhores festas de Florianópolis, notadamente no Carnaval. Naquele ano, especialmente, o Reinado de Momo foi de uma animação fora do comum. A maior, ou grande parte do sucesso se devia à magnífica orquestra, sob o comando do maestro Aldo Gonzaga. Mas não foi só pela qualidade dos músicos. A animação deles estava superando todas as expectativas. A própria  Diretoria não entendia o que estava acontecendo, pois não havia dado qualquer aumento de vencimentos,  o que seria por si só o grande estímulo. Nem sequer foi cogitado que o novo Diretor Social – o nego Ledeni Mendonça – pudesse ser o grande responsável por todo aquele ótimo desempenho da orquestra.

E era. Antes do início dos bailes ele chegava ao Clube, reunia os músicos e partia  para a  preleção. Só que o discurso era recheado de comprimidos de Dexamil – o grande estimulante da época. E não era só o aquecimento. A manutenção acontecia no decorrer de  todo o baile. Ora, os músicos sempre bebem álcool durante os seus trabalhos, que é pra poderem segurar o tranco.

Com a inclusão dos comprimidos – que eram generosamente distribuídos – era um delírio. Ao serem potencializados pela bebida, se transformavam em verdadeiros foguetes. E os instrumentistas não queriam nem ser revezados, para descanso. Achavam que tudo estava ótimo.

Era comum, na terça-feira de carnaval, os associados dos clubes Lira e Doze deixarem suas sedes, por volta das 07h30 ou  08h00 horas da manhã para, acompanhados de suas orquestras, seguirem para a Praça XV onde, sob a velha figueira, para irmanados, fazerem a despedida do Carnaval. Só que naquele ano foi difícil tirar a orquestra do Lira dos salões.

Os associados já estavam na rua aguardando e os músicos, no salão vazio, tocavam feito doidos. E ainda diziam  que estava ótimo. Tinha neguinho que já estava com o beiço sangrando de tanto soprar no bocal do instrumento, mas não queria parar, para não perder aquela grande empolgação. Alguns não conseguiram entender, até hoje, como aquele novo Diretor Social podia transmitir-lhes tanta animação. (Publicada na Coluna Fala Mané, do Jornal A Notícia, em setembro/2001)

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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