Anos dourados

Nos chamados Anos Dourados do Rádio, os jornais reservavam grandes espaços para colunas que se ocupavam exclusivamente da atividade radiofônica. No jornal O Estado do Paraná, a coluna “Sintonizando”, assinada por Norberto Castilho, informava os leitores sobre programas e performance dos profissionais.

No Diário do Paraná João Lídio Seiler Bettega com sua coluna “Onda Alegre” informava e promovia concursos para a escolha dos melhores do rádio. No jornal O Dia, o jornalista P.A Nascimento assinava uma coluna com o titulo “Comentador Hertz”. Em 1959 foi editado um jornal especializado em rádio. No formato tablóide com oito páginas o “Show Jornal” de circulação quinzenal, era dirigido por Mbá de Ferrante, Eleutério Camargo, Emir Sfair e João Nunes Cottar.

Durante o tempo em que circulou deu grande contribuição para desenvolvimento de uma radiofonia cada vez mais profissional no Paraná. Enaltecendo as boas realizações e criticando os erros cometidos, o jornal tinha grande aceitação junto ao público ouvinte de rádio. Os profissionais, vigiados de perto pelos jornalistas do Show Jornal, procuravam se esmerar no desempenho de suas funções, algumas vezes preocupados com as críticas e outras com a possibilidade de ter seu trabalho e talento reconhecidos nas promoções que o órgão fazia elegendo os melhores radialistas.

A disputa pela audiência entre emissoras de Curitiba exigia de seus diretores muito trabalho e investimento em talentos. Locutores de sucesso eram disputados com propostas de bons salários, prêmios e mordomias. Essa disputa pelos melhores, em muitas ocasiões envolvia altas somas de dinheiro e presentes de grande valor.

Contam que certa ocasião a Rádio Clube iniciou negociações com William Sade para contratá-lo. A oferta era de bom salário e um prêmio à escolha do famoso locutor. Sade pediu um Fusca novo, já que o seu “queimava óleo e batia pinos”. O diretor da emissora não só atendeu pretensão de William Sade, como numa operação paralela, conseguiu satisfazer, também seu locutor policial, Ali Chain que reivindicava um carro.

Compraram um carro novo para William Sade e o velho Fusca entrou na transação e acabou na garagem de Chain, onde queimou óleo e bateu pino, por algum tempo.

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Por Jamur Júnior

Radialista e jornalista e foi apresentador noticiarista de rádio e televisão em emissoras de Curitiba e Florianópolis. É autor dos livros Pequena História de Grandes Talentos contando os primeiros passos da TV no Paraná e Sintonia Fina – histórias do Rádio. Jamur foi um dos precursores do telejornalismo em Curitiba.
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