AO ADOLFO ZIGELLI COM MUITO AMOR NO CORAÇÃO

Implacável na luta que ele acreditava correta, austero e rigoroso com seu modo de vida, aplicado na busca do conhecimento, educado e gentil nas relações sociais, intransigente na defesa dos direitos e deveres de cada um. Adolfo Zigelli, que falta que você faz!
Por Antunes Severo

“Para muitos, ele foi o melhor jornalista catarinense de todos os tempos. Até hoje sem sucessor”. A frase de reconhecimento, admiração e respeito é das estudantes, hoje jornalistas profissionais, Elissa Bonato e Nara Cordeiro.

Adolfo Zigelli é o terceiro e mais jovem dos filhos dos imigrantes austro-húngaros Guilherme Zigelli e Olga Daniti. Eles chegaram ao Brasil por volta de 1925, se conheceram em São Paulo e lá casaram. Em 1928 o casal se muda para Joaçaba (SC) e lá nascem Gertrudes, Walter e Adolfo. Estudam no Ginásio Frei Rogério até concluir o Ginásio. Terminado o Ginásio Gertrudes continua fazendo o Colegial (Segundo Grau) em Joaçaba e os rapazes vão para Porto Alegre onde estudam em regime de internato no Colégio N. S. do Rosário.

Assim permanecem até 1952 quando Guilherme Zigelli adoece e passa a enfrentar problemas financeiros. Walter e Adolfo voltam para Joaçaba. Em 1951 os meninos têm que trabalhar para ajudar nas despesas da casa. Guilherme e Olga com intervalo de poucos meses morrem em 1955. Sozinhos, sem qualquer outro vínculo familiar no Brasil, os irmãos Zigelli assumem as rédeas de suas vidas: Gertrude vai ser professora primária, Walter continua estudando e assume a gerência do jornal O Cruzeiro e Adolfo, dedica-se integralmente a gerência de programação e radiojornalismo da Rádio Sociedade Catarinense. Adolfo com as novas funções interrompe os estudos e não conclui o segundo grau.

Nos conhecemos em Florianópolis em 1956. Eles vindos de Joaçaba para atuar na área de comunicação da equipe de governo de Jorge Lacerda e eu e o Edwin vindos de Curitiba onde até então trabalhávamos. Nosso “quartel general” tinha endereço único: o prediozinho de três andares de número 11 tendo a esquerda à sede da Companhia Telefônica Catarinense e a direita a velha casa com paredes ornadas de azulejos portugueses conhecida como Farmácia Homeopática Di Bernardi. Ali foi instalada em janeiro de 1955 a Rádio Diário da Manhã – a nossa trincheira. Ainda não satisfeitos com essa afinidade, juntamos mais um colega, o Alfredo Silva, e alugamos quartos no primeiro andar da casa onde funcionava o Bar Universal, no início da rua Jerônimo Coelho, ali bem perto do Mercado Público Municipal.

Oriundos de mundos diferentes com passagens e experiências de vida em Porto Alegre e Curitiba, tínhamos certa dificuldade em lidar com o ritmo abençoado da ilha. Era lento de mais pra nós. Assim, atuando em matilha não nos sentíamos isolados, estranhos e nem discriminados.


Um das últimas fotos de Adolfo Zigelli como Secretário de Imprensa
do Governo do Estado de Santa Catarina, em agosto de 1975.

Fazíamos brincadeiras com o nosso estado de forasteiros. Às vezes éramos os Irmãos Coragem, em outros momentos os Quatro Ases e Um Coringa. À noite, quando as coisas apertavam em alguma boate ou inferninho da Conselheiro Mafra, nos transformávamos em integrantes da Legião Estrangeira. E aí o pau quebrava.

Assim, mais do que amigos nos reconhecíamos irmãos e mais do que irmãos comprometidos com os mesmos ideais no trabalho e na vida.
Adolfo Zigelli, o Pib de Joaçaba, o Pibs que nós inventamos aqui, o Galego como era tratado pelos colegas de trabalho, hoje (12/03/2007) completaria 71 anos, dos quais 32 são de muita, muita saudade desde que aquele avião numa tarde cinzenta e chuvosa, no dia 30 de agosto de 1975, nas cercanias da sua Joaçaba fez parar o seu coração.
Fontes:
Antunes Severo. Vanguarda! O que se faz, o que se diz, o que se pensa. Gente, notícia, opinião. In Rádio brasileiro, episódios e personagens. Dóris Fagundes Haussen e Magda Cunha (Orgs.) Porto Alegre: EDIPUCRS / INTERCOM, 2003.
Antunes Severo e Ricardo Medeiros. Caros Ouvintes – os 60 anos do rádio em Florianópolis. Insular / ACI, 2005.
Elissa Bonato e Nara Cordeiro. A vida de Adolfo Zigelli. Trabalho apresentado no Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, como requisito parcial para conclusão do Curso, sob a orientação do jornalista César Valente. Florianópolis, 2003.
Moacir Pereira (Org.). Adolfo Zigelli, jornalismo de vanguarda. Florianópolis: Insular, 2000.
Ricardo Medeiros e Lúcia Helena Vieira. História do Rádio em Santa Catarina. Florianópolis: Insular, 1999.
Memória:
O jornalista Adolfo Zigelli foi convidado para coordenar a implantação do Curso de Jornalismo em 1975 pelo então reitor da UFSC, Roberto Mündell de Lacerda. Porém no dia seguinte a esta foto, o jornalista faleceu em um desastre aéreo. Devido à sua morte, a criação do curso foi adiada. Link.

Faziam parte da primeira Diretoria como membros e sócios fundadores os jornalistas: Alírio Barreto Bossle, Presidente; Dakir Polidoro – 1º Vice-Presidente; Osmar Antônio Schlindwein – 2º Vice-Presidente; Ângelo Ribeiro – 1º Secretário; Jali Meirinho – 2º Secretário; Acy Cabral Teive – 1º Tesoureiro; Salomão da Silva Mattos – 2º Tesoureiro; Adolfo Zigelli – Orador; Adão Miranda, Waldir Grisard, Eurides Antunes Severo, Edgard Bonassis da Silva, Ciro Marques Nunes, Amaro Seixas Neto, Cyro Barreto, Waldir de Oliveira Santos e José Nazareno Coelho do Conselho Superior. Link
O silêncio reinava na Capital naquele horário. Udenistas e pessedistas, agora na Arena ou no Mdb, paravam para ouvir o noticiário, as crônicas, os comentários. Todos temperados pela ironia e irreverência sutis de Adolfo Zigelli. (Medeiros, Vieira. 1999). Link
A outra a Rádio Sociedade Catarinense, pertencia a UDN, e, na época, tinha dois radialistas, ainda muito jovens, irmãos Zigelli: Adolfo e Walter, competentíssimos e que defendiam com unhas e dentes a UDN. (…) Foram para a Diário da Manhã e lá desenvolveram ainda mais os seus talentos, colocando a emissora no topo. Foi uma época áurea do rádio, não só de Santa Catarina como do Brasil. Link


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1 responder
  1. marly rosario says:

    adorei saber mais do grande Adolfo as saudades são eternas… grata.

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