Ao sabor do improviso

Apresento eventos durante pelo menos três décadas. Neste período, vivenciei momentos inusitados, hilariantes, surpreendentes, que às vezes fogem ao controle do protocolo. Em muitas ocasiões fui obrigado buscar no recurso do improviso a salvação da lavoura.
Por Léo Saballa

Durante a inauguração de uma praça, em um bairro de Joinville, observei a poucos metros do palco um bêbado que tentava chamar a atenção sobre ele, falando alto e criticando a obra.

– Isso aqui não serve para nada. É dinheiro jogado fora! – Gritava o pinguço, com a voz arrastada.

Na hora marcada, pedi licença à dupla sertaneja que se apresentava e cumprimentei o público. O homem arrancou risos da multidão quando protestou gritando:
– Cala a boca, aí, barbudo! Ninguém quer ouvir discurso. O povo quer é música.

Imaginei que seria difícil continuar o meu trabalho com outra pessoa dividindo a atenção do público. Imediatamente solicitei ao inconveniente que viesse ao palco. Ele relutou, mas subiu e ficou ao meu lado. Então ofereci o microfone para ele se manifestar.

A experiência ensinou-me que o maior medo da maioria das pessoas, depois de viajar de avião, é falar em público. Mesmo embriagado, o homem ao segurar o microfone, começou a tremer e suar frio. Depois do susto, ele ficou em silêncio até o final do evento.

Também passei um momento de extrema dificuldade em uma solenidade em Joinville, na presença de um ministro do governo Collor. Mesa repleta de autoridades e centenas de convidados para o anúncio da construção de uma obra importante na cidade. Quando pedi a todos que ficassem de pé para a execução do Hino Nacional, a coordenadora do protocolo se aproximou de mim e sussurrou ao meu ouvido: “Você não vai acreditar, esqueci o CD do hino”.

Acreditei, mas procurei manter a calma. Imediatamente decidi o que fazer: enquanto todos me olhavam, caminhei até o operador do som e simulei conversar com ele. Voltei ao microfone e lasquei: “senhoras e senhores, lamentavelmente o equipamento de som é incompatível com o nosso CD.

Por isso, peço ao senhor Nilson Bender, ex-prefeito de Joinville, que nos dê a honra e venha até o microfone para cantar o Hino Nacional”. Ele soltou o vozeirão, acompanhado por todos. O evento foi muito elogiado e depois disso Bender acabou recebendo inúmeros convites para cantar o Hino Nacional.


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Por Léo Saballa

Radialista, publicitário e produtor cultural. Residente em Joinville/SC, atuou em diversas emissoras de rádio em Santa Catarina. Como jornalista, foi editor de Política e de Geral no jornal A Notícia de Joinville, onde é cronista no caderno AN Cidade. Léo tem prestado assessoria de imprensa para entidades filantrópicas.
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