AO TROPEL DO CAVALO BLACKIE, CHEGA O VINGADOR PALMOLIVE

– Sintonizam a mais poderosa emissora rio-grandense, a Rádio Farroupilha, de Porto Alegre. E atenção para a hora certa. Na capital gaúcha, precisamente 17 horas e 45 minutos. Na seqüência, o gongo reforçava a precisão da hora certa e o operador da mesa de áudio da PRH-2 começava a rodar mais um disco de acetato de 78 rotações com o episódio de O Vingador. Por Luiz Artur Ferraretto
– Neste horário, num oferecimento do Sabonete Palmolive, passamos a apresentar… [característica musical do programa] as sensacionais aventuras do Vingador, seu rápido cavalo Blackie e seu inseparável e fiel companheiro Calunga.
O tropel ia crescendo, fundindo-se à trilha musical, e ouvia-se a voz do próprio Vingador:
– Eioooouuuu Blackie…


Distintivo do Clube do Vingador.

Nos anos 40, entre outras produções para a gurizada, como O Sombra, O Vingador atiça a imaginação dos seus ouvintes como um complemento de luxo das matinês com filmes de bangue-bangue e dos quadrinhos do Globo Juvenil ou do Gibi. O personagem, no entanto, constituía-se numa cópia de um outro sucesso radiofônico norte-americano – The Lone Ranger, mal-traduzido no Brasil como Zorro em uma confusão com o personagem criado por Johnston McCulley. Neste caso, o produtor Péricles do Amaral criou correspondentes para o cavalo Silver – e a frase “Eioooouuuu Silver…” – e o índio Tonto. A estratégia da agência Standard, detentora da conta publicitária da Colgate-Palmolive, incluía a criação do Clube do Vingador. Os jornais publicavam um cupom com um juramento que deveria ser subscrito pelo candidato a sócio – “Juro ser sempre honesto e defender os fracos contra os fortes!” – dando direito ao distintivo do Vingador de aço esmaltado em cores, a um jornalzinho mensal de seis páginas com aventuras em quadrinhos desenhadas por Fernando Dias da Silva e a uma senha secreta trocada a cada mês, permitindo que os sócios se identificassem entre si.


Versão em quadrinhos de O Vingador.

Além da Farroupilha, transmitiam O Vingador as rádios Tupi e Cultura, de São Paulo; Tupi, do Rio de Janeiro; Guarani, de Belo Horizonte; e Clube de Pernambuco, de Recife. O programa ia ao ar de segunda a sábado, das 17h45 às 18h. Péricles do Amaral produzia o seriado gravado nos estúdios da Tupi paulista e, de lá, distribuídos em acetato para as demais emissoras. Ouvinte assíduo na época, o colecionador de quadrinhos Jorge Frederico Barwinkel lembraria, nos anos 1980, com saudade:
– Muitas vezes, o disco não chegava em tempo e o episódio anterior era então reprisado.
As reprises, com certeza, não afetavam a fascinação dos ouvintes com aquele tropel em crescendo e o grito forte de “Eioooouuuu Blackie…”

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