Apaixonou-se pela voz saída do rádio

Estêvão Bertoni
A costureira e dona de casa Maria Delfino Todaro viveu boa parte da vida com o rádio ligado, ouvindo notícias e, antigamente, novelas. Aos 28, ela escutou pelo aparelho a voz do futuro marido.Na época, ela se apaixonou por um personagem de uma novela da Rádio São Paulo: um pianista que tocava Chopin nos momentos de melancolia. Um dia, foi à emissora conhecer o dono da voz que tanto a encantava. O ator, que também dirigia novelas e era oficial de Justiça quando não estava no ar, chamava-se Alfredo Todaro. Apaixonaram-se ali e, apesar da diferença de 20 anos entre eles, começaram um relacionamento que durou 52 anos. Filha de um administrador de uma fazenda, Maria nasceu em Indaiatuba (SP). Com 20 e poucos anos, veio a São Paulo atrás de um emprego. Foi costureira, apesar de o marido não gostar que ela trabalhasse. Na cozinha, era excelente, como lembra a filha, Cleo: o macarrão e o arroz com lentilhas que fazia eram um sucesso em casa. Muito séria, era chamada de “general” pelo marido. A filha conta que a mãe, extremamente ativa, andava rapidinho e não sentava nem para tomar café -fazia-o em pé. Maria nunca deixou de acompanhar a carreira do marido. A filha do casal chegou até a virar nome de um personagem numa novela. Em 1999, Alfredo morreu. No ano seguinte, Maria teve o primeiro derrame. Ficou dez anos na cadeira de rodas. Na segunda, não resistiu a outro derrame. Tinha 92 anos. Deixa filha, duas netas e bisneto. ([email protected])

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