Apresentadores de rádio elegem Obama como alvo principal

Depois de oito anos jogando na defensiva diante do governo George Bush, os conservadores, que dominam as estações de rádio “falado” nos EUA (isto é, as que não tocam música) estão de volta à ofensiva.

Depois de muito pressão sofrida pela indústria do radio nos EUA, estações especializadas em notícias vêem uma oportunidade – e seu nome é Barack Obama. Horas depois da eleição de Obama, o apresentador de rádio mais famoso do país, Rush Limbaugh, estava falando no ar sobre o “renascimento da oposição”. Sean Hannity, o segundo no ranking dos apresentadores mais populares, rapidamente classificou seu programa como “o lar do conservadorismo isolado”.

É uma época boa para se estar atrás de um microfone radiofônico. O apresentador de televisão Joe Scarborough está dando início a um programa de rádio. Outro, Bill O’ Reilly, está terminando o seu.

Vários atores que apoiaram o Partido Republicano nas eleições deste ano, estão mostrando interesse no meio. Fred Thompson, astro do seriado Law & order, vai começar seu programa de rádio em março.

Ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, candidato pelo Partido Republicano nas eleições primárias, tem negociado horários no ar na estação. Mike Huckabee, o ex-candidato republicano à presidência, que agora apresenta um programa aos finais de semana no canal Fox News Channel, também está buscando seu lugar no rádio, apresentando pequenos segmentos na rádio ABC, a partir do dia 5 de janeiro.

Enquanto existem muitos tópicos de discussão – e muitos apresentadores dispostos a falar sobre estes assuntos – algumas questões permanecem. Uma queda na venda de espaços publicitários limitou a renda das estações de rádio. E alguns apresentadores estão questionando a relevância do rádio falado em plena era digital.

Mais popular que o country

O rádio, todavia, por agora ainda funciona como um megafone de alcance nacional para as vozes influentes. Este ano, noticiários de rádio figuraram nos EUA como o formato mais popular dentro do meio, superando a música country pela primeira vez na história. Quarenta estações acrescentaram noticiários às suas programações e agora 2.064 estações utilizam o formato, número superior às 1.500 estações da década anterior.

Isso significa que 2.064 rádios precisam ter 24 horas de programação todos os dias. Estações com orçamentos apertados cada vez mais montam sua programação baseada em grandes conglomerados como a Premiere Radio Networks e a ABC Radio Networks.

– Com um democrata na Casa Branca, os apresentadores vão se divertir mais. Não há dúvidas quanto a isso – afirma Gary Schonfeld, presidente da rede de programação Westwood One.

Mas será que os ouvintes vão continuar sintonizados?

– O rádio falado geralmente se torna menos popular um ano depois da eleições – declarou Maja Mijatovic, diretora da agência Horizon Media.

No entanto, o próximo ano parece ser único, com previsões negativas sobre a economia e interesse renovado na presidência. Publicitários e sindicalistas estão esperando um ano cheio por conta da nova

administração.

Audiência crescente

A Premiere Radio, subsidiária da Clear Channel Communications, projeta um aumento consistente de audiência entre 2008 e 2009 como já mostram os anunciantes.

– Atualmente, temos mais assunto para se falar do que nos últimos 100 anos – afirma Charlie Rahilly, presidente da Premiere – As notícias se multiplicam por causa do momento histórico em que vivemos.

O apresentador Rush Limbaugh continua a comandar uma audiência muito maior do que qualquer outro. Ele alcançou cerca de 3,58 milhões de ouvintes em 2008, enquanto seu concorrente contabilizou apenas 1,65 milhão. É mais um exemplo das atrações que preenchem quase todos os espaços das estações de AM e FM.

– Você não tem um elemento como música para confiar – afirmou Carl Anderson, o vice-presidente de programação e distribuição para a ABC Radio Networks – Eles estão no palco sozinhos.

Do New York Times, JB Online

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