Arte na vida

O que torna os seres humanos especiais? A capacidade de pensar? Sim, por princípio. A faculdade de, a partir do pensar, escolher? Isso é o ideal! Amar incondicionalmente? Como seria bom! Se somássemos tudo isso, seguramente não haveria mais preconceitos e guerras. Se “apenas” pensássemos, escolhêssemos e amássemos incondicionalmente, talvez ainda vivêssemos no Éden, sem precisar fazer absolutamente nada, pois tudo estaria ao nosso dispor, sem esforço ou trabalho. Nada mal, hein? O único problema seria saber como estaria a população mundial, hoje, em relação aos recursos naturais disponíveis… Mas, o que torna o ser humano realmente distinto das demais espécies?

Creio que a capacidade de imaginar e criar, resumida numa palavra substantiva: Arte!

Praticada desde o início da humanidade, a arte foi responsável por cada momento de evolução da civilização, tanto que a expressão “estado da arte” passou a representar sempre o último degrau, antes do próximo.

Os gregos a fracionaram em seis áreas distintas, mas que se insinuam e tocam umas às outras: arquitetura, escultura, literatura, pintura, música e dança. São todas palavras femininas, como a própria arte, inspiradas por musas. Segundo a mitologia helênica, elas eram mortais, como os seres humanos, mas permaneciam sempre belas e jovens, juventude e beleza que também permanece nas mentes criativas. E há maior símbolo da fecundidade e renovação do que a mulher?

Alguns acrescentam técnica à arte, criam escolas, teorizam sobre ela. No entanto, a arte se basta no prazer de quem cria, pelo simples fato de encontrar em si mesmo o poder e a liberdade de criar.

E todos temos arte em nós! No entanto, em muitos ela permanece latente, tolhida, porque mentes criativas tendem a ser questionadoras e transformadoras, o que ameaça o status quo em qualquer núcleo de domínio.

Porém, também há os que colocam seus dotes artísticos a serviço das classes dominantes, mercenários de “mecenas”, doutrinando e alienando, em vez de fazer pensar e estimular a imaginação.

A arte também é controversa: Platão a considerava um desvio da racionalidade, enquanto Rousseau a recomendou, como linimento da rudeza.

A arte não precisa ganhar o mundo! Pode estar entre quatro paredes.

A arte não precisa ser meio de vida! Pode ser um singelo prazer, uma trégua no cotidiano.

Não se trata de viver da arte, mas de viver com arte, mesmo nas pequenas coisas!

É assim que o ser humano sublima sua ascendência divida: pelo exercício da arte! Pelo voar acima das nuvens que nos são impostas, para ver que lá o sol brilha, e mesmo a noite é inspiração! Pelo livrar-se de cangas e cercas, para ver que os campos são muito mais belos e extensos, do que a estrada que nos obrigam a caminhar ou dos limites que tolhem nosso discernimento! Pelo sair da linha, para buscar novos contornos na vida!

Viver e envelhecer com arte: livre, criativa e transformadora, acrescentando amor ao próximo e a si próprio a essas tintas e cinzéis!

É isso que nos torna divinamente humanos e humanamente divinos!

Ouça textos do autor em: www.carosouvintes.org.br (Rádio Ativa / Comportamento) | Caso queira receber gratuitamente os livros digitais: Sobre Almas e Pilhas, Dest’Arte e Claras Visões, basta solicitar pelos e-mails: [email protected] e [email protected] | Conheça as músicas do autor em: br.youtube.com/adilson59 | (13) 97723538 | Santos – SP

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *