Arthur de Souza e a Revista Matinal

Eis um valor exponencial da radiofonia paranaense: Arthur de Souza. Seu início na radiofonia deu-se em 1940, em Ponta Grossa, na PRJ-2, Rádio Clube Pontagrossense. Arthur foi contratado após participar de um concurso para escolha de locutores, promovido por aquela emissora. Ele já tinha uma certa experiência no uso de microfones, pois atuava como locutor num cinema de sua cidade. Em 1943, Arthur de Souza veio a Curitiba para se inscrever no CPOR – Centro de Preparação de Oficiais da Reserva. Seu irmão Lóris de Souza, que já era locutor da Rádio Clube Paranaense desde 1939, levou-o até a emissora para fazer um teste.

Ele foi aprovado e voltou a Ponta Grossa, aguardando ansiosamente por uma vaga na Bedois. Foi uma alegria quando Lóris o chamou, e ele veio para Curitiba a fim de trabalhar e cursar a Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná, na qual se formou.

Começando a se expandir, Arthur lançou o programa de auditório “Rádio Espetáculo Bedois”. Era um show de variedades. Em seguida, juntamente com Aldo Silva, criou o programa “Fantasmas em Desfile”. Era um programa de calouros original: a cabeça dos candidatos era coberta por um capuz. O rosto dos calouros só era revelado quando os mesmos obtinham êxito; se mal sucedidos, iam embora sem que o público os visse. Era bem o jeito do Arthur, sempre desejando preservar as pessoas e com elas colaborar.

Veio, depois, o seu programa “Revista Matinal” que dominou a audiência por muitos anos. Sua credibilidade era de tal ordem que as pessoas que obtinham alguma notícia em outras fontes, esperavam o programa do Arthur para obter a confirmação da sua veracidade.

Ao terminar a apresentação do programa “Revista Matinal”, todas as manhãs Arthur de Souza ficava por muito tempo na Rádio, atendendo as pessoas que buscavam o seu apoio. Esse prestígio junto ao nosso povo fez com que fosse eleito deputado estadual.

Ao apresentar seu programa, às vezes o Arthur ficava por muito tempo dando orientação aos ouvintes, transformando-se num conselheiro dedicado.

Arthur de Souza foi sempre um excelente profissional. Nos recados funcionais que lhe enviava, eu o chamava de “irmão”. O mesmo ele fazia ao me responder. E nunca mais esquecemos desse tratamento, mesmo depois que deixamos de atuar em rádio.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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1 responder
  1. João Carlos Amodio says:

    Meu avô materno junto com seu sogro eram os responsáveis pela Cia. Telephonica de Curitiba desde 1909 e ao mesmo tempo era meu avô o técnico responsável pela expansão das linhas telefônicas na cidade, era um homem que sempre viveu a frente de sua época, quando a Rádio Clube começou as suas transmissões,ele já possuia um rádio onde ouviam transmissões de rádios da vizinha Argentina. E uma vitrola de corda manual com um enorme cone por onde era reproduzido o som dos discos de 78 RPM. Quando nasci anos depois meus até meus pais já possuíam um rádio capelinha da marca American-Bosch fabricado nos EUA. Foi o primeiro rádio que ouvi na vida. Quando estava com meus 8 para 9 anos ganhei meu primeiro rádio era o chamado rádio de cabeceira, estava sempre sintonizado na PRB2. Na hora de acordar mamãe entrava no quarto e ligava o rádio e após as válvulas se aquecerem, lá vinha a voz de Arthur de Souza na sua Revista Matinal. Bons tempos aqueles…

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