As batidas do Mário

O Mário Vendramel, excelente locutor, radiator, animador de auditório e até narrador esportivo, brincava muito com o Arthur, o proprietário do antigo Restaurante Rio Branco, onde frequentemente nós fazíamos refeições. Houve um tempo em que ele pegou a mania de ir até o balcão onde o Arthur ficava, pedindo batidas com os nomes mais insólitos que lhe vinham na cabeça. Claro que ele pedia coisas inexistentes, só para atormentar o Arthur e seus funcionários. Ele chegava e, com aquele andar de Mazzaropi, atravessava o salão indo até junto ao caixa. E fazia seu pedido:

– Arthur, me dá uma batida de jerimum – isso pra mexer com o proprietário da Rádio Clube Paranaense na época, o Gonzaga, que era pernambucano.

– Arthur, salta uma batida de chucrute – para abusar com o Sérgio Fraga que era descendente de alemães.

– Arthur, bota uma batida de piranha.

E assim por diante.

Certa vez, numa sexta-feira, bacalhau era o prato do dia, o Mário Vendramel chegou, encostou-se no balcão e saiu com essa:

– Arthur, me dá uma batida de bacalhau.

O Arthur desapareceu por instantes e, ao voltar, trouxe um cálice transbordante e o colocou sobre a mesa, próximo ao Vendramel.

Distraído, conversando e contando piadas, o Mário sorveu um grande gole do cálice que estava a sua frente e que aparentava conter batida de limão.  Foi um desacerto! O “aperitivo” era nada menos que água retirada da vasilha em que o bacalhau ficara de molho para perder o excesso de sal. Quase deu um troço no Mário, engasgou, ficou vermelho, e ao voltar do banheiro para onde fora com urgência, ele homenageou o dono do restaurante com a fina flor do seu vasto vocabulário de xingamentos. Isso tudo ao som das gargalhadas do Athur e do resto da turma.

E nunca mais o Mário pediu batidas com nomes extravagantes.

 

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