As mulheres da Rádio Difusora

As moças que se permitiam ocupar cargos tidos pela sociedade como inapropriados para uma dama, sofriam preconceito e eram até mesmo taxadas como “mulheres da vida”.

[ Por Janine Silva ]

Juracy BrosigMesmo assim, por necessidade ou em busca de um sonho, muitas delas decidiram por se arriscar e se tornarem cada vez mais independentes. O rádio, que sempre foi um espaço democrático, não poderia deixar de apoiar e de ter em seus estúdios vozes femininas que conquistassem o coração dos ouvintes. Nomes como Angela Maria e Emilinha Borba ajudaram a construir a Era de Ouro do Rádio Brasileiro. E Santa Catarina não ficou de fora.

A jornalista Izani Mustafá é autora de um dos poucos registros da atuação feminina nas emissoras catarinenses. A dissertação Alô, alô, Joinville! Está no ar a rádio Difusora! A radiodifusão em Joinville/SC (1941-1961) (MUSTAFÁ, 2009) dedica algumas de suas páginas para contar como as mulheres estiveram presentes nos anos iniciais da primeira emissora da Cidade das Flores – e a segunda do estado.

Uma delas foi Juracy Brosig, esposa do idealizador da Difusora, Wolfgang Brosig, que era a secretária da emissora e a responsável pelo departamento comercial. Juracy também escreveu  atuou em algumas radionovelas, além de apresentar os programas de auditório Vozes da Juventude na companhia de Jota Gonçalves e Beleza, arte e elegância, voltado ao público feminino. Não bastasse todas essas funções, era ela quem ajudava Brosig a administrar o negócio, tornando-se um exemplo da mulher que conquistava um espaço antes dominado pelos homens.

E foi Juracy quem levou à Rádio Difusora outra voz feminina: a de Ruth Costa. As duas se conheceram em uma festa beneficente, onde Ruth se apresentou como uma das atrações. Juracy encantou-se com sua voz e a chamou para trabalhar na emissora. A exemplo de sua colega, Ruth assumiu diversos cargos: foi secretária, cuidou da parte técnica do som e foi  locutora. Era ela quem apresentava o programa Ofertas Musicais, um espaço aberto para os ouvintes que desejavam oferecer e dedicar uma música a alguém. Também emprestou sua voz a anúncios das Casas Pernambucanas, das Lojas Freitag e do Pipper. Deixou o rádio aos 34 anos, quando se casou com Odilon Bastos Schroeder.

Outras duas mulheres compunham o quadro de funcionários nos primeiros anos da Difusora: Laura Andrade, que tocava o piano durante os programas, e Maria A. Gonçalves, esposa de Jota Gonçalves, que era a discotecária da emissora.

Essas são algumas das corajosas mulheres que, correndo o risco de serem confundidas com prostitutas e condenadas pela sociedade, deixaram a paixão pelo rádio falar mais alto.

Referência Bibliográfica:

MUSTAFÁ, Izani.  Alô, alô, Joinville! Está no ar a rádio Difusora! A radiodifusão em Joinville/SC (1941-1961). Florianópolis: UDESC, 2009. Dissertação (mestrado) – Programa de Pós-Graduação em História, Centro de Ciências da Educação, Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis, 2009. Izani Mustafá também escreve no Caros Ouvintes. Leia mais em Cronistas.

Janine Silva é aluna da quinta fase do curso de Jornalismo da UFSC e voluntária no projeto Museu do Rádio de Santa Catarina.

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