As nuanças do rádio

Partindo-se da premissa de que o mundo teria surgido de uma tremenda explosão e que esse fenômeno recebeu dos cientistas o nome de big-bang, dizem alguns especialistas que a surdez da natureza é grandiosa, porém o som nada mais é do que a vibração do ar.

Segundo estudos, há uns quinze bilhões de anos atrás, foi criado o que se decidiu chamar de universo original. Existem tantas hipóteses sobre a origem do mundo que ficamos atônitos sem saber qual a real. A realidade nesse caso pode ser apenas especulação e nada mais. Nessas ocasiões, segundo se afirma, os fenômenos da natureza eram praticamente mudos ou sem sons, pois não existia ninguém na terra e o senso auditivo ainda não havia sido desenvolvido.

O som não está nas coisas: são os ouvidos que as fazem soar! Tudo que existe na natureza vai depender dos sentidos dos animais e quiçá dos vegetais. O espectro eletromagnético é o mesmo para os dois sentidos, visual e auditivo: para toda a matéria, desde as ondas mais curtas, os raios gama, até as mais longas, que são as ondas de rádio. E notório que existem determinadas diferenças entre as percepções dos sentidos. As ondas sonoras propagam-se através de um meio material, normalmente o ar.

Podemos afirmar que existem faixas de ondas eletromagnéticas a disposição do homem em toda a natureza e que a música, por exemplo, não existe, pois as notas musicais não passam de simples ondulações sonoras. As notas musicais foram reproduzidas pelo ouvido do homem e chamou a atenção pela sua sensibilidade. O ouvido é, portanto, o verdadeiro artista, o criador das melodias, o prodigioso aparelhinho que todos carregam consigo desde o nascimento, sem se admirar suficientemente de sua perfeição.
Observem como é difícil chegar a uma realidade embora venha com todas as firmezas para que nós possamos acreditar nos estudos científicos.

O nosso assunto, porém é o rádio. A tripla voz do rádio. O rádio que preciso para atingir sua finalidade do emissor, do receptor e dos códigos comuns para uma comunicação perfeita. Os ruídos são estranhos no ninho para o rádio, eles podem ser técnicos e culturais. A comunicação precisa ser recíproca e verdadeira.

O rádio tomou a proporção importante que tem hoje pelos estudos científicos porque passou desde a sua invenção até a tecnologia atual. Conforme estudos de um apaixonado pelo rádio, pesquisador José Ignácio López, o rádio é somente som, somente voz. Mas uma voz tripla: a voz humana, expressa em palavras, a voz da natureza, do ambiente, dos chamados efeitos sonoros e a voz do coração, dos sentimentos, que se expressa por meio da música. Lopez pergunta: “Qual das três vozes é a mais importante?

As três se equivalem. Preterir uma delas, eliminá-la, seria enfraquecer as outras e empobrecer a linguagem radiofônica; a sedução do rádio não se dará se não forem exploradas todas as suas possibilidades sonoras, sem uma combinação original das três vozes mencionadas. O bom rádio reflete a vida. E na vida, naquilo que nos cerca, ouvem-se ruídos, cantos e palavras. Não obstante a propriedade das palavras de José Ignácio López,  o que se vê hoje não corresponde com a realidade em alguns pontos do território nacional, infelizmente.

O canto não é mais aquele que apaixona nossos ouvidos, os cantos e as palavras foram distorcidos, a palavra mais usada no rádio de hoje é a de baixo calão. O rádio capta e transmite as ondas da natureza surda de antigamente. “Por último, faz apenas um milhão de anos quando nas cavernas protetoras, começou-se a escutar uma terceira voz, naquele tempo muito gutural, enquanto se temperavam as gargantas dos parentes do macaco.
Falaram as primeiras mulheres e os primeiros homens para reconhecerem-se. E foram inventando sinais sonoros, algumas vezes onomatopéicos, outras totalmente arbitrários, para nomear as coisas que os cercavam. Nossos antepassados montaram códigos complexos com esses sinais. Desenvolveram a palavra. E a palavra, por sua vez, desenvolveu a eles e elas. (Manual urgente para radialistas apaixonados de José Ignácio López, a quem agradecemos pela contribuição para a confecção desta matéria.

Fica na imaginação do homem do rádio produzir o som mais bonito e agradável para influenciar diretamente a imaginação do ouvinte. “O mais típico da linguagem musical é criar um clima emotivo, aquecer o coração. A música fala prioritariamente aos sentimentos do ouvinte”. O ouvinte é o primordial para o sucesso radiofônico, sem ele o rádio não seria nada. O humano tem a mensagem e ela deve ser burilada para chegar com deleite aos ouvidos sensíveis do ouvinte. A palavra humana é a principal portadora da mensagem e de seu sentido.

Afirmam os estudiosos que a palavra foi o último dos sentidos a ser desenvolvido. “Imaginação, emoção, razão. Especificidades de cada voz radiofônica. Três códigos complementares com os quais podemos nos aproximar ao receptor em sua totalidade. A primeira sensualidade do rádio— Que emissora o senhor (a) prefere? — Todas. As que tiverem música. — Por que o senhor (a) gosta de escutar rádio? — Porque melhora meu astral. — E você, moço (a)? — Me eleva, eleva. — O que a eleva? — A música, claro, do que estamos falando?! Qualquer pesquisa nos dará resultados semelhantes: uma grande maioria de pessoas liga o rádio simplesmente para ouvir música. Isso não corresponde a uma moda passageira nem a uma alienação dos tempos modernos.

Também não se trata de um desprezo provocado pela televisão. O rádio é musical desde seu nascimento. Porque o ouvido humano é musical. Não existe melhor tranqüilizante que a música. As mamães sabem disso, quando querem ninar seus filhos. São momentos de prazer que o rádio pode proporcionar aos seus ouvintes e muito mais, dependendo da criatividade de quem lida como esse aparelho maravilhoso.

O rádio é apaixonante. A personalidade tem tudo a ver com o som. A voz feminina pode dar um sentido mais agradável ao ouvido dos ouvintes. É certo de que toda regra tem exceções. Fazer rádio é seduzir o ouvinte. A atração pode acontecer com uma notícia de impacto, com um esquete cômico ou o bate-papo ameno de uma animadora. Todos os formatos são válidos. O importante é estabelecer essa corrente afetiva do emissor para com o receptor e vice-versa.

Você pode ter boa voz, boas iniciativas, conhecer a técnica e ter feito quatro ou cinco anos de jornalismo na universidade. Mas se não sentir algo por dentro, se não entrar na magia do meio, se não desfrutar do programa, jamais chegará a ser um bom radialista. Será um trabalhador do rádio, mas não um comunicador. Fala bem, porém não se comunica. Fazer rádio é uma paixão. Se você faz rádio porque lhe pagam bom salário, parabéns. Continue levando ao ar seus programas e esforce-se para não ser descoberto. Assim como as ondas eletromagnéticas, existem outras vibrações que caem fora do espectro, mas que o público capta com nitidez. São as ondas da simpatia. Lindo significado tem esta palavra: simpatia, paixão compartilhada.

Ou seja, amor. Um amor que é cego, como o ouvido. Como o rádio.

Que final feliz para anunciamos o poder do rádio e a sua importância.

Radialista respeite a sensibilidade auditiva de seus ouvintes. Tenha dó de nossos ouvidos, proporcione a eles o bálsamo, o diamante, o ouro, as pedras preciosas que estão na sua competência e sensibilidade. Faça de sua profissão uma rosa, um perfume de que você mais goste, uma namorada que você ame e tenha com o rádio – respeitadas as devidas proporções – o cuidado, o zelo como se fosse a escolha da companheira certa para o seu casamento.

O rádio merece carinho e os ouvintes carinho e respeito. Temos aqui no Estado do Ceará uma Associação que está trabalhando neste sentido a (AOUVIR-CE), melhorar a qualidade dos programas radiofônicos, mas muitos profissionais alegam que estão sendo censurados, mas a realidade não é essa, pois há alguns que ainda querem enfiar goela adentro as pornografias de que se nutrem e que a nós só produzem nojo e mal estar.

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