As pioneiras 2

No capítulo de hoje você verá um panorama das comunicações na Santa Catarina de meados do século passado. Uma visão que vai do sistema viário às comunicações, particularmente no que se refere aos primeiros momentos da radiodifusão no estado.
Por Antunes Severo, de Florianópolis

Nosso trajeto é longo, mas generosamente carregado de recompensas, principalmente, para estudantes de comunicação, profissionais do rádio e também para quem tem curiosidade de saber o que diz a nossa história. Vamos reconstituir, no período de março de 1936 a setembro de 1949 o que se passou com as vinte emissoras pioneiras: Clube de Blumenau, Difusora de Joinville, Difusora de Itajai, Guarujá de Florianópolis, Catarinense de Joaçaba, Difusora de Laguna, Araguaia de Brusque, Mirador de Rio do Sul, São Francisco de São Francisco do Sul, Tubá de Tubarão, Clube de Lages, Canoinhas de Canoinhas, Caçanjurê de Caçador, Rio Negrinho de Rio Negrinho, Jaraguá de Jaraguá do Sul, Chapecó de Chapecó, Eldorado de Criciúma, Araranguá de Araranguá e Videira de Videira. Vamos, no balanço das ondas, seguir a rota descrita por Ricardo Medeiros e Lúcia Helena Vieira, nas páginas da História do Rádio em Santa Catarina. A começar pelas “Peculiaridades de Santa Catarina”.

Em matéria de comunicações, Santa Catarina permaneceu, até meados da década de 80, muito aquém dos demais estados do sul. A inexistência, até àquela época, de transportes eficientes – sejam rodoviários, ferroviários ou aéreos entre as diversas regiões do estado – levou o povo a preservar determinadas tradições em relação aos meios de comunicação.

As sucessivas prorrogações da inauguração da BR-101, ligando Florianópolis a Curitiba e Porto Alegre, condicionaram a população barriga-verde do norte do estado a preferir, por questões práticas, os jornais, emissoras de rádio e televisão do Paraná. Por outro lado, os catarinenses residentes no sul, no planalto e no oeste, ligados por parentesco, relações comerciais, identificavam-se mais com as tradições do Rio Grande do Sul, continuando a sintonizar emissoras de rádio e TV gaúchas e lendo os seus jornais.

Enquanto gaúchos e paranaenses ofereciam condições para ampla circulação de seus periódicos em território catarinense, além de garantirem repetidoras de televisão, as autoridades não demonstravam preocupação com o processo de desintegração do estado. Além da carência absoluta de estradas, telefones, telégrafos, aviões e outros meios, a ausência de veículos de comunicação social que promovessem um intercâmbio entre as diversas ilhas culturais ampliava o fosso separador das regiões.

Em fins da década de 60, início dos anos 70, uma importante transformação se dá na imprensa catarinense com a instalação de uma emissora de televisão em Blumenau, 150 quilômetros distante da Capital.

Blumenau não é, nem nunca foi, a capital do estado, mas não há dúvida de que, em matéria de comunicação, foi sempre a pioneira. Lá nasceu a primeira emissora de rádio de Santa Catarina, foi o primeiro município a se beneficiar com a implantação do sistema DDD da Embratel e, por fim, passaria a contar com a primeira estação de televisão.

Surgiram nos receptores som e imagem da TV Coligadas, início de um processo evolutivo dos mais importantes na imprensa catarinense. A disputa tradicional entre regiões e municípios e, mais tarde evidenciado, o interesse político, estimularam a implantação de um canal de televisão na capital. Surgiu, assim, a TV Cultura.
Simultaneamente o grupo Coligadas lançou  em 1971 o Jornal de Santa Catarina, impresso em off-set, que passou a circular em todo o estado. Por ser considerado um jornal moderno e tentar desenvolver uma linha editorial independente ameaçou a liderança detida até então pelo Jornal O Estado. Para não perder o controle da opinião pública, que  detinha até então, O Estado decidiu inovar e mudou seus equipamentos em 1972.

Até meados da década de 80,  O Estado e o Jornal de Santa Catarina formavam em Santa Catarina a chamada grande imprensa. Eram os dois veículos de maior tiragem e circulação no Estado.

Num olhar pela história catarinense constata-se que, a partir de 1931, a imprensa e a radiodifusão desenvolveram-se de maneira inconstante, aparecendo às vésperas dos grandes pleitos numerosos jornais e emissoras de rádio que, passadas as lutas eleitorais, em geral, fechavam suas portas.

Os meios de comunicação, assim, eram mantidos e orientados em função de interesses políticos para apoiar ou criticar governos. Assim foi com a concessão de canais de rádio para Santa Catarina pelo governo federal. Os grupos políticos passaram a adquirir e obter licenças para instalar suas emissoras.

Leia na próxima semana: Rádio Clube de Blumenau.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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