As pioneiras: Rádio Araranguá

Localizada a 210 quilômetros da capital catarinense, Araranguá espraia-se ao longo da foz do rio que lhe empresta o nome e derrama-se tranqüila no oceano Atlântico sob a vigília do Morro dos Conventos.
Por Antunes Severo

Lá nasceu, de uma só família, a maior safra de profissionais de comunicação do estado de Santa Catarina: Attahualpa César, Aryovaldo Huáscar, Agilmar e Aderbal Machado. Todos radialistas e  jornalistas.


Marco ao Futuro de Araranguá

Conforme o registro de Ricardo Medeiros e Lúcia Helena Vieira, a Rádio Araranguá Ltda foi constituída em 29 de julho de 1947 e registrada na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina em data de 7 de agosto, sob o nº 7.699. A emissora entrou no ar em 9 de janeiro de 1949, sendo fundada por Afonso Ghizzo, Walter Belinzoni, Antônio Tomaz da Silva, Cecília Canani Pires, Moisés Borges Furtado e Urivalde Grechi. Em 22 de julho de 1953, os sócios Walter Belinzoni, Cecília Canani Pires e Antônio Tomaz da Silva venderam suas participações para  Nelson Alves de Paula Almeida que, por sua vez, em 31 de março de 1960 negociou suas quotas com Diomício Freitas. Em 29 de setembro de 1961 passaram a integrar a sociedade Santos Guglielmi, José Francioni de Freitas e Hilário Accioly de Freitas.


Morro dos Conventos
Foto: Kane

Como integrante do grupo comandado por Diomício Freitas e Santos Guglielmi, a Rádio Araranguá passa a integrar uma rede de comunicação de quatro emissoras de televisão, sete emissoras de rádio AM e seis emissoras de rádio FM, de acordo com o levantamento feito por Moacir Pereira, em 1992. Esse “arsenal”, entretanto, foi logo a seguir desmantelado com a incorporação da Rede de Comunicações Eldorado pela Rede OM do grupo Martinez do Paraná.

Em 19 de setembro de 2001, a Rádio Araranguá Ltda passa ao controle de Evaldo Bússolo Stopassoli e Zenóbia Pelegrin Stopassoli, de acordo com os termos da 23ª alteração contratual, registrada em cartório na cidade de Araranguá.


Vista geral com Rio Araranguá

Hoje a Rádio Araranguá AM 1290 faz parte das emissoras que utilizam a programação do Sistema Bandsat.

Mais um pouco de história

Embora na seja reconhecido formalmente o surgimento da Rádio Araranguá tem muita possibilidade de estar vinculado – ou quem sabe tenha sido influenciado -, pela pré-existência de um serviço de alto-falantes na praça principal da cidade. Agilmar Machado, por exemplo lembra que o sistema de som “A Voz de Araranguá”, estava instalado no Jardim Alcebíades Seara, na Praça Hercílio Luz, atrás da Biblioteca Pública Luiz Delfino e que por lá circulava a jovem guarda do final da década de 1940.

Aliás, tanto Agilmar como seus irmãos mais velhos Attahualpa César e Aryovaldo Huáscar, se iniciaram nas lides da mídia sonora tendo A Voz de Araranguá como inspiração ou mesmo como uma fonte de exercício prático. Um pouco mais tarde, Aderbal, o irmão mais novo seguiu a carreira que apaixonou a família: todos são profissionais de comunicação exercendo o seu ofício no radiojornalismo, na imprensa e no telejornalismo.

Talvez, por estar voltado para o radiojornalismo Aderbal fale com mais desenvoltura da emissora de sua terra lembrando que “a fase áurea do radiojornalismo na Rádio Araranguá foi implantada” logo no início da década de 1950 “após a emissora ter sido adquirida por Nelson Almeida”. Nelson, um exigente “tocador de rádio”, logo contratou o jornalista Osmar Cook de Laguna que “deu nova dinâmica aos programas do gênero na emissora, especialmente pelo caráter agressivo das críticas, estilo, aliás, muito próprio daquele período na maior parte das emissoras e jornais catarinenses”.

O radiojornalismo da ZYT-3, Rádio Araranguá que começa tendo como base de sua equipe o próprio Nelson e o recém contratado Osmar, logo passa a contar com a participação do araranguaense Attahualpa Cesar Machado. Cesar, com o término do contrato de Osmar Cook, assume a chefia de redação.

Ainda nesse período de início dos anos de 1950, como lembra Agilmar, marcaram passagem pela programação musical e esportiva Waldemar Pacheco, Arnaldo Bittencourt, Humberto Fernandes Mendonça, Cyro Bacha e Asty Pereira.

Além do bem cuidado conteúdo da programação, a Rádio Araranguá destacou-se desde o início pela qualidade do sinal transmitido. Equipada com um transmissor da STP (Sociedade Técnica Paulista) totalmente novo e mesas de som e microfones de última geração, tinha presença destacada nos receptores de seus ouvintes.

Fontes

Ricardo Medeiros e Lúcia Helena Vieira. História do Rádio em Santa Catarina. Florianópolis: Insular, 1999.
Moacir Pereira. Imprensa e Poder – a comunicação em Santa Catarina. Florianópolis: FCC Edições e Editora Lunardelli, 1992.
Agilmar Machado e Osvaldo Torres. História da Comunicação no Sul de Santa Catarina. Criciúma: BTC Comunicação Ltda, 2000.

Site relacionado

http://www.sul-sc.com.br/afolha/cidades/ararangua.html

Na próxima semana: Rádio Videira de Videira, um dos fortes elos da família Brandalise com os produtores integrados da Perdigão, no Vale do Rio do Peixe.


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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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