As pioneiras: Rádio Canoinhas

Criada com o destino de ser uma rede estadual de emissoras, a Rádio Clube de Canoinhas gerou a Rádio Santa Catarina de Florianópolis, a Rádio Santa Catarina de Tubarão e chegou a pleitear um canal para a cidade de Blumenau.
Por Antunes Severo

Com emissoras próprias no Planalto, na Capital, no Sul do estado e no Vale do Itajai mais a participação em alguns jornais locais e adesão de outras emissoras, o então deputado Aroldo Carneiro de Carvalho pretendia construir as bases para o lançamento do seu nome como candidato da União Democrática Nacional (UDN) ao governo do estado de Santa Catarina nas eleições de 1965.

Com as transformações provocadas pela tomada do poder pelos militares, o PSD elegeu Ivo Silveira para o governo estadual e Aroldo se desinteressou do projeto da rede de comunicação. Manteve em nome de familiares e amigos as emissoras de Canoinhas e Florianópolis, vendeu a concessão do canal de Tubarão e não chegou a instalar a emissora de Blumenau.

A Rádio Santa Catarina de Tubarão foi vendida para João Kuerten “popular desportista nascido em Braço do Norte e radicado em Tubarão, membro da tradicional família Kuerten (origem alemã), irmão do ex-deputado Frederico Kuerten e do industrial Germano Kuerten, de cujas raízes descende o atual campeão ‘Guga” Kuerten”, conforme registro feito por Agilmar Machado.

De acordo com a pesquisa realizada para o livro História do Rádio em Santa Catarina, a Rádio Clube de Canoinhas foi fundada em 24 de agosto de 1948 pelos irmãos Álvaro e Manoel Machuca. Foram precursores no microfone da ZYP-6, freqüência 560 quilociclos, Altamiro Ricardo da Silva, Pierina Possamai, Alfredo Teixeira, Geci Varela Dittrich, Bonifácio José Galotti, Mário Ferraresi e Nair Seleme. Na mesa de áudio estavam Emílio Schwinski e Jurandir Ferreira.

Sob o comando de Alfredo Franco, às 6 da manhã ia ao ar um programa sertanejo. A atração da tarde ficava por conta do quadro Gentilezas, onde amigos, parentes ou namorados ofereciam  músicas. Para que tudo funcionasse bem, a Rádio tinha agenciadores em todo o interior do município. O oferecimento era pago. De segunda a sábado o programa era das 14h às 15 horas e no domingo das 13 horas às 19 horas.

Os patrocínios eram feitos por Casa Erlita, Casa Mayer, Casa Schreiber, Casa Lourenço Buba, Basílio Humenhuk Veículos, Casa Trevisani, Banco Inco, Comércio Francisco Fuck, Relojoaria Scheidt, Irmãos Bartinick, Comércio João Abraão Seleme, João Seleme & Filhos, Jordan & Cia., Foto Uhlig.

Fontes de referência

Agilmar Machado e Osvaldo Torres: História da comunicação no sul de Santa Catarina. Criciúma: BTC Comunicação, 2000.
Ricardo Medeiros e Lúcia Helena Vieira: História do Rádio em Santa Catarina. Florianópolis: Insular, 1999.
Alfredo Franco: depoimento em maio de 1999.
Jali Meirinho: depoimento em junho de 2005.

Site relacionado

http://www.portaldecanoinhas.com.br/index.php?opt=canoinhas_historia.html

Na próxima semana: Rádio Caçanjurê de Caçador


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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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