As três entre nós

Não é novidade que não vivemos sozinhos. Família, vizinhos, amigos, colegas de trabalho e escola, além dos desconhecidos que encontramos todos os dias, nos mais variados lugares; esses últimos, por vezes, encontramos uma única vez na vida. No entanto, há três que sempre estão presentes e podem estar em qualquer um dos grupos mencionados acima, inclusive em nós mesmos.

Elas apresentam-se não dizendo seus nomes, antes por suas claras características. Uma delas encanta facilmente. Está presente em homens e mulheres, crianças e idosos. Não há interferência de grau de estudos ou condições financeiras; ela simplesmente nos faz sentir apaixonados. Nos faz sorrir e esquecer problemas. Falando ou apenas sorrindo ajuda-nos a enfrentar o dia a dia. O nome dela? Simpatia. É famosa, qualquer bom dicionário tenta defini-la. Alguns dizem que ela é: “Afinidade ou correspondência entre dois ou mais corpos; atração entre duas pessoas por suas semelhanças e sentimentos”. A simpatia está estampada mais do que no rosto de quem é simpático. A pessoa toda é – simpatia, nos conquista, nos dá o seu melhor e pode extrair de nós o nosso melhor.

Há uma outra amiga da simpatia. Tem suas diferenças, mas é também encantadora e sobretudo, acolhedora. De tão bondosa e altruísta aceita até dividir nossa dor. Seu nome? Empatia. Tem o poder de se colocar no nosso lugar e sentir tanto a dor e também a alegria que sentimos. Não acha que perde por sentir no seu coração a dor que o outro está sentindo. Não tem ciúme de celebrar as conquistas dos outros, antes, a comemora como se fosse sua também. Famosa. O dicionário também procura defini-la, afinal de contas, ela merece. Ele diz que ela é: “A tendência de sentir o mesmo que a outra pessoa”. Gratidão, dicionário. Mas ela identifica-se sem dizer o nome, só com as qualidades ali de cima.

Existe outra entre nós, entre as três. Ela é diferente. Melhor deixar o amigo dicionário dizer: “Indiferente; há nela também indolência. Ausência de afeto ou de paixões”. Não te culpamos, amigo dicionário, estás apenas dizendo a verdade. Ela é sentida também em todos os grupos no início mencionados. Ela, por suas qualidades indesejáveis, ao contrário das outras duas, não nos deixa apaixonados, não nos ajuda a levar a vida com otimismo. Tampouco compartilha das nossas dores e nem das alegrias. É fria. Pode chegar a nos fazer sentir gelados. Como é – indiferente e não tem afetos nem paixões deve ser triste e solitária. Fingi estar bem, mas não convence.

Simpatia e empatia recarregam suas próprias baterias da vida e dos que a encontram. Apatia tenta descarregar as baterias e energias dos outros. As encontramos, por incrível que pareça, em pessoas religiosas que não têm um pingo de paciência e gestos de bondade com quem pensa diferente delas. Em colegas que não chegam a ser amigos porque não têm a alegria de compartilhar, de se doar sem esperar nada em troca. É vista em alunos sem paixões verdadeiras; em rostos e olhares distantes.

As três entre nós. Será que temos uma ou mais delas? Que as três não podem estar num só indivíduo não parece haver dúvida. Qualquer hora dessas vou ver se tenho coragem, outra linda qualidade, e perguntar a alguns amigos corajosos se das três há alguma em mim. Vou precisar de coragem para ouvir a resposta. Em todo caso vou preferir perguntar para alguém simpático e que tenha empatia. Assim, seja lá qual for a resposta, vou aprender o que há de melhor neles.

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