Aspectos da formação de Florianópolis: estatais, migração e turismo

A cidade escolhida pela RBS para sediar seu primeiro jornal em Santa Catarina, em 1986, começou duas décadas antes uma fase fundamental na sua formação sócio-espacial.

Pode-se considerar como marco inicial deste novo período de Florianópolis a instalação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a implantação da BR 101 e posteriormente a instalação de estatais como a Eletrosul. Este processo gerou novos postos de trabalho, acelerou o processo de urbanização, iniciou um ritmo crescente de especulação imobiliária e desenvolvimento da construção civil, reforçando o turismo e lançando as bases (mão-de-obra especializada) das indústrias de base tecnológica. As transformações com gênese nesse período afetaram significativamente a divisão territorial do trabalho na região e as formas de ocupação e uso do solo.

A busca pela modernidade na Ilha começou nos anos 50, com a destruição de diversas casas coloniais para a construção de prédios de até oito andares. Um texto do colunista ilhéu Beto Stodieck — atuante de 1971 a 1990, duas décadas-chave na transformação da cidade — contribui para ilustrar este fato e a relação da mídia com este processo:

Desde que a coluna se dá por gente, em priscas noutro jornal, que vem batalhando insistente pela preservação do casario histórico da Ilha (inclusive muito puxão de orelha levou por “discordar” das imobiliárias que anunciavam de montão)’. (JSC, 3/08/1984). (PORTO, LAGO, 1999)

Conforme Stodieck, havia conivência da mídia com o processo de urbanização em Florianópolis, gerador de implicações negativas sobre o patrimônio histórico e mais recentemente natural. Ainda hoje as imobiliárias e construtoras estão entre os maiores anunciantes locais, o que sugere uma explicação para o destaque dado aos empreendimentos imobiliários nas páginas dos jornais. A análise de Machado (2000) inclui os meios de comunicação entre os “agentes fomentadores dos novos tempos” — destacando também as autoridades públicas, empresários e universidade —, atores “que se credenciam para reforçar a ação de outros agentes sociais que conduzem o processo de urbanização” em Florianópolis e seu entorno regional.

Entre estes atores, o poder público foi o grande impulsionador para Florianópolis sair da estagnação que se encontrava até a década de 60. As ações do Estado conduziram uma nova fase de expansão de sua importância econômica e de pólo regional. A instalação de estatais como Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A. (Celesc) e Telecomunicações de Santa Catarina S.A. (Telesc) começou a expressar a alteração de praça comercial para centro de serviços públicos do chamado “terciário superior”. O crescimento urbano aconteceu em função das atividades deste setor, ao contrário da cidade mais populosa de Santa Catarina, Joinville, e de outras como Blumenau, Chapecó e Jaraguá do Sul, que tiveram crescimento urbano-metropolitano em virtude das indústrias.

“Nota-se que o papel desses aparelhos estatais instalados no núcleo intraurbano principal da cidade corroborou o crescimento desordenado que se espalhou, além de novas práticas de consumo na vida da cidade”, destaca Machado (2000, p. 82). O colunista Stodieck, que marcou época na imprensa catarinense, não deixou de perceber e descrever as transformações no comércio a fim de atender ao numeroso público vindo de outras cidades para trabalhar nas estatais. Estas pessoas tinham um novo perfil de consumo, que gradativamente foi produzindo a chegada de inovações, conforme nota no jornal O Estado de 21/09/1971:

Novidades por toda a cidade, o comércio se descentralizando e, o que é importante, se modernizando. São boutiques, bares, brinquedinhos eletrônicos, coisas de comer um tanto americanizadas. E outros baratos próprios da civilização. (PORTO, LAGO, 1999, p 81)

A instalação da UFSC em 1960 e das Centrais Elétricas do Sul do Brasil – Eletrosul entre 1975 e 1978 contribuíram significativamente para a modernização da cidade e o aumento do mercado imobiliário. Para se ter uma idéia do volume de pessoal “de fora” que chegou e continuou chegando à cidade para trabalhar nas estatais, em 2001 a UFSC tinha 1.828 professores, dos quais 1.590 não-ilhéus.

Em grande parte o processo de crescimento demográfico e de expansão urbana pôde acontecer por encontrar suporte nas obras de infra-estrutura criadas pelo poder público a partir da década de 70. Enquanto a Ilha foi sendo ocupada em boa parte por loteamentos e empreendimentos imobiliários para público de alta renda, especialmente a partir da década de 1990, as classes mais pobres — onde se incluem boa parte dos ilhéus-pescadores que moravam nas praias — foram sendo afastadas da cidade. Inicialmente passaram a ocupar o Estreito e os morros do centro, e paulatinamente cada vez mais foram empurrados para a periferia conforme avançava o processo de conurbação, que teve sua gênese na década de 40, mas ficou mais expressivo a partir dos anos 70.

Enquanto a população de Florianópolis cresceu 35,8% entre 1970 e 1980, o número de habitantes de São José aumentou 106%, de Palhoça 84% e de Biguaçu 39%. Entre 1970 e 2000, a população de Florianópolis aumentou quase no mesmo ritmo (entre 34 e 35% em cada década), enquanto em São José a população cresceu 106% (1970-1980), depois 58,6% (1980-1991). Dados do IBGE mostram aumento de 50,4% da população de Palhoça entre 1991 e 2000, enquanto em Biguaçu a taxa foi de 41,2%, em Florianópolis de 34,2% e em São José de 23,8%. As “periferias interioranas” (dos pobres) surgiram na maioria em municípios vizinhos, enquanto as “periferias de amenidades” (das elites) encontram-se geralmente na Ilha.

Com a chegada dos contingentes demográficos após a instalação das estatais e a “modernização” forjada pelas obras de infra-estrutura, Florianópolis passou a encontrar no turismo o discurso para sair do atraso econômico e se inserir na globalização. A aceleração da urbanização na faixa litorânea — não só da capital, mas de outras cidades da costa catarinense — acontece a fim de atender principalmente os interesses do setor turístico em desenvolvimento.

Segundo Machado (2000), este tipo de desenvolvimento econômico-urbano através do turismo “determina padrões de atividades que estão em nível regional conduzindo, em suas escalas, processos contemporâneos de ordem mundial”, revelando semelhanças com muitas cidades brasileiras — especialmente litorâneas — no modo como se dá essa integração com a rede nacional e internacional. Ainda conforme o autor, entre as “possibilidades de diferentes fatores na produção do espaço de cada lugar, o turismo corresponde, nas ações humanas, àquela parcela que abrange dimensões do global e do local”.

Talvez por isso, a internet — que também abrange dimensões do global e do local — seja o meio mais citado no ítem “veículo de propaganda que influenciou na viagem” da pesquisa de demanda turística 2005 e 2006 da Santur para Florianópolis, atrás apenas de “amigos e parentes”. Enquanto a internet cresceu de 0,55% da preferência dos turistas em 2004 para 17,05% em 2006, “amigos e parentes” teve queda na influência de 59,23% para 49,10%. Não é a toa que o Guia Floripa, site que é referência em informações sobre Florianópolis na internet tem como seu principal mercado o segmento turístico. Em pesquisa da Embratur (2003) sobre o que influenciou a decisão da visita do turista estrangeiro, a internet também aparece atrás apenas do ítem “informação de amigos”. A mesma pesquisa indica que Florianópolis é a nona cidade brasileira mais visitada por turistas de outros países.

Nas últimas três pesquisas de demanda turística da Santur (2004 – 2006), o Rio Grande do Sul é o principal mercado nacional emissor de turistas para Santa Catarina, com alternância de São Paulo e Santa Catarina na segunda posição e Paraná em terceiro. Entre os estrangeiros, os argentinos são os mais numerosos, com mais de 60% do total de não-brasileiros. Na temporada de verão 2006, 588.759 turistas visitaram a cidade, dos quais 100.799 não-brasileiros, gerando uma receita total estimada em US$ 167,8 milhões, sendo US$ 28,6 milhões gastos de estrangeiros.

Depois de uma década (de 80) marcada pelo início do desenvolvimento turístico, os anos 90 registraram crescimento demográfico acima da média brasileira, boa parte devido à migração de classes sociais altas em fuga do inchaço das grandes metrópoles e em busca da propagandeada “qualidade de vida” . Enquanto as cidades brasileiras apresentaram em média um crescimento demográfico de 1,6% ao ano entre 1991 e 2000, Florianópolis foi a única capital do Sul/Sudeste incluída no grupo de 11,9% do total de municípios com crescimento superior a 3% ao ano, taxa considerada “significativa e expressiva” pelo IBGE. Do número total de habitantes no ano 2000, 13,6% (46.561) não nasceram em Santa Catarina e moravam em Florianópolis há menos de 10 anos.

Os estados vizinhos do Rio Grande do Sul e Paraná são os que mais fornecem migrantes para a capital catarinense, seguidos por São Paulo e Rio de Janeiro, mas não são raros estrangeiros oriundos do Cone Sul e em menor número da Europa. Esta pesquisa não inclui os moradores “de fora” que chegaram há mais de 10 anos, portanto, o número de migrantes deve ser bem maior, caracterizando uma cidade cosmopolita, com bom número de pessoas em constante relacionamento e recebendo influências culturais de gente localizada em outras cidades e países.

Este fluxo de gente e capital, bem como o crescimento das atividades econômicas de base tecnológica, com rendimentos por pessoa acima da média nacional, reflete-se na renda familiar dos moradores da cidade. Pesquisa realizada pela Gismarket Estudos de Mercado, a pedido do Florianópolis Shopping Center, mostra que a Ilha de Santa Catarina possui 51,3% da população nas classes A e B, com renda média mensal familiar entre R$ 1,3 mil e acima de R$ 3,9 mil. Por outro lado, 2,3% da população encontra-se na classe E; 8,3% na classe D e 38,2% na classe C. A renda média mensal das famílias do município é de R$ 1,9 mil, acima da média nacional, de R$ 1,78 mil. Em Palhoça, município na “periferia interiorana” da Grande Florianópolis, a renda média por família é de R$ 949 mensais.

Um indicador do alto poder aquisitivo de boa parte da população de Florianópolis é o grande número de veículos: um carro para cada 1,8 moradores, enquanto a média nacional é de sete por um. Na Grande Florianópolis, a frota per capita é de um veículo para cada 2,4 habitantes. O número de veículos na capital catarinense pulou de 8,6 mil em 1979 para 199,4 mil em 2006 (DC, 01/02/2007)

A elevação na renda da população provocou o aumento do poder de consumo em Florianópolis. O ano de 2001 marcou a superação de Joinville no ranking dos municípios com maior potencial de consumo na Região Sul, atingindo 0,47% do consumo nacional, ou seja, para cada US$ 100 gastos no Brasil, 47 centavos foram dispendidos em Florianópolis. Em 2005, as cidades do Sul com maior poder de compra foram Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, Londrina, Caxias do Sul e Joinville. Segundo a pesquisa da Target Marketing, 61 municípios representam 50,1% do consumo nacional. Outra pesquisa, da Simonsen Associados, dá conta que o consumo anual per capita em Florianópolis é de US$ 5 mil, ante US$ 4,3 mil de São Paulo e US$ 2,4 mil da média brasileira.

Apesar de menos presente na mídia, especialmente em veículos de outros estados onde se encontra o público-alvo do mercado imobiliário, Florianópolis também recebe migrantes pobres em busca de oportunidades. O Núcleo de Apoio à Família (NAF), órgão da Prefeitura instalado na rodoviária da cidade e responsável pelo acolhimento, orientação e encaminhamento de migrantes aos seus estados de origem, atende cerca de 1.500 pessoas por mês.

O rápido crescimento demográfico e territorial vivido nos últimos 15 anos causou uma série de problemas ambientais na Ilha e adjacências. As formas desordenadas de uso do solo e o modelo de exploração dos recursos naturais — desde as inúmeras alterações do plano diretor a fim de viabilizar empreendimentos “classe A” até invasões de APPs por famílias pobres financeiramente — induziram à poluição de recursos hídricos ou ao uso clandestino de águas subterrâneas, trouxeram poluição visual, desmataram vegetação nativa, aterraram mangues, ignoraram dunas, acabaram com a possibilidade de banhos de mar saudáveis em belas praias.

 

Notas de rodapé:

25 Foi o começo da verticalização da paisagem urbana, que encontrou seu expoente máximo e ícone na Beira-mar Norte. A área que havia sido o primeiro balneário da capital (Praia de Fora) tornou-se área nobre e foi sendo completamente edificada nos anos seguintes. Processo semelhante aconteceu progressivamente em diversos balneários da região como Coqueiros (anos 50/60), Praia do Balneário (Estreito, 50/60), Canasvieiras (60/80), Ingleses (60/80) e mais recentemente Praia Brava (82-2000), cada qual com suas peculiaridades, nem tão verticais quanto a Beira-mar, mas sempre com urbanização acelerada no período “da moda”, seguida de degradação ambiental e poluição do mar.
26 Em 1/05/2005, o Diário Catarinense publicou matéria intitulada “Florianópolis coleciona grandes obras”. O texto começa assim: “Florianópolis se transformou num celeiro de grandes investimentos nos últimos anos. Nunca se viu obras de tão grande porte sendo construídas ao mesmo tempo na cidade. Juntos, os 15 maiores empreendimentos somam R$ 600 milhões e vão gerar cerca de 4,5 mil empregos. As obras são de importância fundamental para o município, tanto que algumas prometem revolucionar a economia da região. É o caso da construção dos dois novos shoppings, do primeiro campo de golfe e do maior hotel da Ilha. Em muitos casos, os investidores são de fora e vêm atraídos pelo potencial econômico da região.”
27 Revista VEJA, 07 de março de 2001: “Floripa, a campeã”. A matéria enaltece a “capital da qualidade de vida” divulgada pela gestão da prefeita Ângela Amim e foi capturada na internet no site de uma imobiliária paulistana com filial em Florianópolis – http://www.angloamericana.com.br/news3.asp.
28 Estas intervenções no espaço urbano foram ações planejadas, baseadas na expansão da malha viária urbana e regional. Neste contexto foi construído o aterro da Baia Sul (início da década de 70), a ponte Colombo Salles (1975) e uma série de rodovias foram pavimentadas e outras planejadas, como a Via Expressa Sul — implantada a partir de 1995 e concluída em 2000 — e a Beira-mar continental, iniciada em 2004 (Machado, 2000).
29 Segundo Corrêa (1986), apud Machado (2000, p. 112,113), os efeitos do crescimento intra e interurbano têm, grosso modo, possibilitado o surgimento de agrupamentos em “periferias interioranas” – ditas do pobre, do povão, suburbana, predominando aquelas populações que se caracterizam por rendas baixas, altamente dependentes dos poderes públicos e/ou ações das classes dominantes; e “periferias de amenidades” – aqueles locais ditos do viver e/ou atuar que são privilégios predominantemente de elites (da economia, do saber, etc.) e das burguesias, onde condições urbanísticas e ambientais refletem certas “qualidades agradáveis”.
30 Conforme inúmeras matérias em revistas e jornais no início dos anos 2000 alardearam, na esteira da divulgação do IDH 2000 que colocou Florianópolis como a “melhor capital brasileira em qualidade de vida” e quarta cidade do Brasil, esse movimento migratório seria de empresários e profissionais liberais em busca de uma vida mais ligada à natureza, com menos problemas de trânsito e menores riscos de assaltos e violência. Paradoxalmente, o crescimento demográfico está degradando o meio ambiente, congestionando o tráfego e aumentando consideravelmente a criminalidade.
31 As outras capitais foram Manaus, Macapá, Rio Branco, Boa Vista e Palmas. Fonte: “Tendências Demográficas: uma análise da amostra do Censo Demográfico 2000″, IBGE – publicação lançada em 28/12/2004
32 Dados do IBGE contidos na matéria “Florianópolis atrai e desafia migrantes”, publicada pelo Diário Catarinense no Dia do Migrante – 19/06 – de 2005.
33 Dados publicados em matéria no Diário Catarinense de 05/07/2004 sob o título “A Ilha da Prosperidade”.
34 Segundo declarou ao Diário Catarinense o diretor-presidente do Baía Sul Hospital Dia, Irineu May Brodbeck, na matéria “Florianópolis coleciona grandes obras”, de 1/05/2005.
35 Ranking publicado pela Revista Amanhã, Edição 172 – Novembro de 2001 (com dados da Target Marketing). Disponível em http://amanha.terra.com.br/edicoes/172/capa06.asp
36 Este estudo tem o nome de “Brasil em Foco – Índice Target de Potencial de Consumo”. Está disponível em www.targetmark.com.br/downloads/imprensa_2005.pdf
37 Segundo publicou a Revista Amanhã na matéria “Migração com vista para o mar” – Edição 171 – Outubro de 2001. Disponível em http://amanha.terra.com.br/edicoes/171/wired01.asp.
38 O crescimento da população e a elevação do potencial de consumo geraram aumento da demanda por imóveis e estimularam o mercado imobiliário, especialmente a partir de 1997. Estatísticas do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon) de Florianópolis indicam que naquele ano consolidaram-se 736 construções na Ilha. Cinco anos depois, o número foi de 1,15 mil, um aumento de 56%.
39 DC 19/06/2005
40 As áreas ambientalmente críticas na Ilha têm duas causas principais, segundo a procuradora do Ministério Público Federal (MPF-SC) em Florianópolis, Analúcia Hartmann. A primeira seriam os empreendimentos turísticos, imobiliários e comerciais voltados para as elites, como no caso dos bairros João Paulo, Cacupé e parte da Lagoa da Conceição. A outra causa seria mais grave, pois envolve problemas sociais: a ocupação irregular de áreas de preservação por famílias pobres, como acontece na Foz do Rio Tavares, na Tapera, no Saco Grande e no caso mais emblemático: a Favela do Siri, na Praia dos Ingleses. No local, segundo cálculos da prefeitura, vivem cerca de 7 mil pessoas sobre dunas.

Este texto faz parte da dissertação de mestrado Implicações da internet nos jornais e a presença da RBS na web. Veja neste link outros trechos publicados no Caros Ouvintes e aqui a íntegra deste trabalho, que busca analisar as implicações do desenvolvimento da internet na mídia, com ênfase nos jornais, partindo de Florianópolis para a abordagem do tema, buscando a manifestação local deste processo mundial. O autor optou pelo estudo de caso da RBS devido à atuação em jornais e internet, além de outras mídias, à posição de referência e líder de mercado na região Sul e ao papel pioneiro da empresa na convergência entre mídia e telecomunicações no Brasil.

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