Assim se passaram dez anos do Instituto Caros Ouvintes

São 10 anos com certidão de nascimento, registro em cartório, ficha corrida, balancetes trimestrais, balanços anuais, textos, fotos e vídeos, aos borbotões.

Capa Livro Caros Ouvintes

Olhado num primeiro relance, este poderia ser o perfil dos 10 anos de criação do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia, a contar do dia 25 de janeiro de 2005. Se você, porém, chegar mais perto e firmar o olho no calendário vai encontrar outra data: 22 de setembro de 2003. Isto quer dizer que hoje, 25/01, quando escrevo, escrevo sob a emoção de olhar para o caminho percorrido nessa primeira década, ao mesmo tempo em que relembro um pouco do inesperado de como tudo isso começou no dia primeiro de agosto de 2003.

A mensagem enviada por Ricardo Medeiros, de Le Mans, na França na sexta-feira, 01/08/2003 terminava com uma pergunta: “Que tal escrevermos um livrinho sobre a história do Rádio em Florianópolis?” Embora eu tenha adoração pelo rádio desde meus oito anos de idade, nunca me havia ocorrido o atrevimento de escrever um livro sobre essa paixão que cultivo ainda hoje.

Pelo sim, pelo não, imprimi a mensagem e mostrei para a Preta, aguardando, à priori, um comentário ponderando sobre as minhas muitas atividades de professor e consultor. Ledo engano. A Pretinha leu, levantou aqueles olhos castanhos esverdeados brilhando olhando pra mim e lascou: “E o que é que você está esperando?” Disfarçando a surpresa, brinquei: “Então vamos comemorar. Afinal, amanhã é meu aniversário. Quem sabe é um bom começo para os meus 71 anos”.

Assim lançamos a semente que deu origem ao Instituto Caros Ouvintes e o suporte para um dos maiores e mais completos acervos sobre a memória e a histórias dos meios de comunicação e dos personagens que construíram e continuam desenvolvendo a mídia impressa, as revistas, a televisão, o rádio e a web que açambarca um pouco de tudo que se lê, se vê, se ouve e se navega.

Ouça a versão do especialista Lourival Faissal para o bolero mexicano “Diez Años” de Raphael Hernández lançado pela gravadora Continental em maio de 1950, com Emilinha Borba.

Primeiro projeto

O texto a seguir eu o escrevi lá pelo ano de 2006 quando o Instituto chegava ao seu primeiro ano de atividades já com o slogan de “A primeira comunidade on line de apaixonados por rádio do Brasil”. Com o texto – escrito na terceira pessoa – eu visava mostrar a contribuição do site www.carosouvintes.com para a criação do Instituto como plataforma única sobre a memória e a história da Comunicação Social em Santa Catarina.


Ricardo Medeiros e Antunes Severo. Foto: Ana Caroline Corrêa

Ricardo Medeiros e Antunes Severo. Foto: Ana C. Corrêa

Em meados de 2003, o jornalista Ricardo Medeiros se encontra em Le Mans, na França, conclui doutorado sobre radionovela na Rádio Diário da Manhã e Antunes Severo desenvolve projeto de doutorado, em Florianópolis, a cata de uma tese que mostre a credibilidade da notícia no rádio tendo como tema de discussão o programa Vanguarda, também da Rádio Diário da Manhã. Até que um dia Ricardo provoca: “Severo, eu estou com uma coceira danada pra te convidar – vamos escrever um livrinho sobre a história do rádio em Florianópolis”?

Em menos de uma semana o pré-projeto estava definido e figurava na correspondência entre Ricardo e Severo como CAROS OUVINTES – os 60 anos do rádio em Florianópolis.

A idéia do livrinho vira livrão com projeto editorial e gráfico de Tarcísio Mattos, capa de George Peixoto e plano de captação de recursos feito pela Maria Augusta Orofino, então diretora executiva da Propague-Promo. A parte promocional e de comercialização das cotas ficaria com a Propague, agência de Roberto Costa. Em novembro o projeto é encaminhado ao MinC para aprovação e liberação dos valores a serem captados de acordo com a Lei Rouanet. Dois anos depois, o livro é apresentado ao mundo em sua primeira versão. CAROS OUVINTES – os 60 anos do Rádio em Florianópolis, em edição da Insular e com o apoio da Associação Catarinense de Imprensa – Casa do Jornalista. O lançamento ocorre no dia quatro de agosto de 2005, na Assembléia Legislativa de Santa Catarina como parte da programação da Semana da Imprensa, em homenagem a Jerônimo Coelho.

Antecedentes

Os pesquisadores, Antunes e Ricardo, se conhecem desde 1998 quando Ricardo lança seu primeiro trabalho acadêmico tendo a novela como tema e Severo como uma das fontes. Das entrevistas resulta a amizade e dos resultados do estudo nasce o primeiro livro de Ricardo: Dramas no Rádio – a radionovela em Florianópolis nas décadas de 50 e 60. Severo escreve a orelha do livro. Editora Insular, com apoio da Fundação Franklin Cascaes, 1998.

Depois vem a História do Rádio em Santa Catarina (Editora Insular, 1999), escrito por Ricardo Medeiros e a jornalista Lúcia Helena Vieira. Severo é uma das principais fontes citadas. Em 2000 vai para as livrarias Zininho – uma canção para Florianópolis de Ricardo Medeiros, Dieve Oehme e Cláudia Barbosa. Edição da Insular e da Fundação Franklin Cascaes. Lá comparece Antunes Severo com a crônica Cidadão Ternura.

Os autores, então, já se conhecem razoavelmente. Ricardo, objetivo e prático. Pé fincado chão. Severo, sonhador e impulsivo migra da terra às nuvens com incrível facilidade. Mas, o jogo é aberto e franco entre os dois e com isso a confiança faz a ponte que os mantém unidos e produtivos.

Navegando pelos caminhos sem fim

O texto do livro CAROS OUVINTES – os 60 anos do rádio em Florianópolis -, até chegar às mãos do leitor anda alguns milhões de quilômetros. Desde o convite inicial até a versão final do texto tudo circula pela internet em forma de bits e bytes. A comunicação é praticamente diária entre os computadores de Antunes Severo, em Jurerê Internacional e os das várias casas em que moram Ricardo Medeiros, sua mulher Vera e a filha Gabriela durante os quatro anos em que estudaram e viveram na cidade de Le Mans, na França. Não raro ocorre que os autores se atrapalham com datas. Por conta da diferença de fuso horário – quatro horas – muitas vezes o que está emitido aqui no norte da ilha de Santa Catarina, antes da meia noite, nas pistas do circuito de Fórmula 1, de Le Mans já é quatro horas da madrugada.

Com este contato e uso permanente do correio eletrônico surge a idéia de se criar um site “para facilitar a comunicação entre autores e parceiros e para servir de canal promocional para o projeto Caros Ouvintes”, lembra Antunes Severo. Aprovada a idéia por Ricardo, Severo vai em busca de apoio de Emílio Cerri, colega e amigo de largo tempo. Da reunião também participa Alexandre Cerri, filho e parceiro de Emílio. Aprovada a parceria e acertado o trabalho técnico-profissional de Alexandre, a reunião termina com a clássica questão entre publicitários: o projeto já tem nome?

O nome surge da necessidade de se ter uma referência, pois esta parte também é toda costurada via internet e desta feita com canal exclusivo: o Sonork. Até que saia um nome definitivo podemos chamar de Caros Ouvintes? Pergunta Antunes e Emílio responde: “É. É até simpático”.

Em menos de três semanas o projeto está pronto, aprovado (inclusive custos) e com a primeira imagem no ar: um enorme rádio daqueles valvulados “das antigas, não tem”? É 22 de setembro de 2003.

É uma coisa muito simples, só pra dizer que o Caros Ouvintes está no ar. Mas, isso precisa ser divulgado. Antunes recorre a Roberto Costa que assume: “Caros Ouvintes é nosso cliente”. Aí é, como diria Roberto Alves: “ta com tudo e não ta prosa”. Programação visual (cartão de visita, papel timbrado, bonés, camisetas e outras peças promocionais), reprodução dos materiais, criação de campanhas, produção de peças para jornal, rádio e televisão, uma festa.

Assim é criado o sitio www.carosouvintes.com, com duplo endereço, porque também poderia ser acessado com o endereço de www.carosouvintes.com.br

Até fevereiro/março de 2004 o sitio está voltado para as necessidades de comunicação dos integrantes do projeto. Mas, isto é muito pouco para as possibilidades da mídia. “Temos que ter maior interatividade com o nosso público-alvo”. Vem a decisão dos parceiros em abril de 2004: entra no ar a newsletter Caros Ouvintes. Um boletim semanal contando o que acontece na “primeira comunidade on line de apaixonados por rádio do Brasil”.

Começam as campanhas de captação de assinantes. Mil, dois mil, quatro mil, seis mil. Nesse ponto, a negociação com um dos parceiros permite o grande salto: a newsletter que já vinha circulando com o nome de Boletim, pula para 10.500 assinaturas. Antes de completar dois anos o Boletim é um canal de mídia reconhecido entre anunciantes e a comunidade a que se dirige.

Panorâmica

O Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia é uma associação sem fins econômicos, criado e mantido por voluntários que trabalham ou trabalharam em rádio e que têm por objetivo a recuperação, o registro e a divulgação da memória do rádio e demais meios de comunicação no âmbito do estado de Santa Catarina. Em dois anos de atuação o Instituto Caros Ouvintes tem uma história de realizações, além do desenvolvimento e manutenção do site. Em agosto de 2005 lançou o livro “Caros Ouvintes – Os 60 anos do Rádio” em Florianópolis e previa lançar no primeiro semestre de 2006 a primeira edição de “TV Catarina – a menina dos seus olhos”, contando a memória da implantação da televisão no estado de Santa Catarina. O livro de autoria de Antunes Severo e da jornalista, pesquisadora e professora Estela Kurth acabou não sendo lançado em função da mudança de Estela que foi para Porto Alegre.

O Instituto Caros Ouvintes é reconhecido nacionalmente como canal de mídia para a divulgação de lançamentos de livros e de eventos de interesse da área da comunicação. Nesse sentido, participou do lançamento do livro PRA-7 – a primeira rádio do Interior do Brasil dos radialistas, jornalistas e professores André Luiz e Gil Santiago, de Ribeirão Preto (SP). Por solicitação do autor participou da divulgação de lançamento do livro de Heródoto Barbeiro “Buda – o mito e a realidade” lançado em janeiro de 2006, em São Paulo. Participa da promoção de lançamento do livro “O Manezinho que Nasceu ao Contrário”, de Luiz Aurélio Baptista. Participa da campanha de lançamento e de divulgação do livro Guatá do parceiro Flávio José Cardozo, em novembro e que foi reconhecido como um dos dois mais importantes lançamentos da literatura catarinense em 2005. Apoia com ampla matéria, o lançamento em dezembro de 2005, do Manual do Jornalismo e da Comunicação de Moacir Pereira, presidente da Associação Catarinense de Imprensa.

Entre os 97 colunistas permanente do sítio www.carosouvintes.com estão o historiador gaúcho Luiz Artur Ferraretto, autor de Rádio no Rio Grande do Sul, uma das mais importantes obras de pesquisa sobre a história do rádio no Brasil; Flávio José Cardozo, jornalista e escritor reconhecido nacionalmente; o jornalista e profissional de rádio Léo Saballa, de Joinville; o publicitário paulista Francisco Socorro e, mais recentemente, a jornalista e professora da Universidade de Brasília Nair Prata que se encontrava em Portugal fazendo estágio na Universidade do Minho, em Braga como parte da tese de doutorado que vai defender este ano. Com o início da discussão das mudanças tecnológicas previstas para o rádio e a televisão o engenheiro Luiz Rosa dos Reis, então Assessor Técnico da ACAERT e Pós-graduado em Engenharia de Sistemas de Televisão Digital passa a fazer parte do Instituto Caros Ouvintes como Consultor voluntário do site.

Cabeça nas estrelas e pés no chão

A parceria Antunes Severo / Ricardo Medeiros e os demais parceiros é marcada pelo entusiasmo e amor que dedicam ao que fazem. Todos trabalham com absoluta e total franqueza. Conhecendo-se e se respeitando mutuamente fazem de suas diversidades a alavanca que suporta o crescimento do que está sendo reconhecido como “A primeira comunidade on-line de apaixonados por rádio do Brasil”.

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