Assim se passaram dez anos*

Ampulheta. Fênix

Passaram de pressa os primeiros dez anos do século, com muitos atropelos, barbárie em dose excessiva; desnecessária. Uma coisa é preciso reconhecer: houve motivos para toda a classe de emoções – do grito transido de dor ao mais sublime dos momentos de paixão. Algo, porém, se manteve estável, impassível: a perenidade do universo. De outra parte, o que fizemos desse espaço de tempo e das possibilidades que o criador colocou à disposição de cada ser é que continua deixando a desejar. Os dez primeiros anos do terceiro milênio, como os anteriores,  terminam como os demais: em grande parte soterrados pela insensatez dos que acreditam poder transferir para o calendário a responsabilidade pelo que não fizeram e juram fazer no ano que vem. Muitos, porém, fizeram seus deveres de casa e devem estar se despedindo dos primeiros dez anos do terceiro milênio conscientes de que terão de enfrentar os novos desafios se quiserem alcançar qualquer conquista de maior grandeza. O próximo ano poderá ser tão igual ou tão diferente do que passou na medida em que cada um de nós assim o fizer.  Serão mais 365 dias distribuídos igualmente para todos e cada um de nós. O sol vai nascer todos os dias, com ou sem nuvens; ele não falha. O dia vai continuar sucedendo a noite e a noite sucedendo o dia. E a lua – Ah! A lua dos enamorados, das paixões e dos sonhos. A lua da quimera, aquele monstro que só existe nas fábulas, mas que nós nos encarregamos de tornar real quando perdemos a esperança e nos deixamos abater pelos desafios. Desafios que a vida nos oferece e que muitas vezes sem pensar, colocamos no lugar dos desencantos; quando, no desafio, se escondia a oportunidade que estávamos procurando, mesmo sem saber.

*Assim se passaram 10 anos é o título da versão brasileira feita por Lourival Faissal para o bolero de Rafael Hernandez imortalizado por Emilinha Borba ainda nos anos de 1950. No áudio o registro de um especial apresentado pelo Fantástico da TV Globo em 1979 com a participação Gal Costa.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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