Poeta Zininho, gentleman do samba, cidadão ternura

Ziza, aqui fala o Antunico, das madrugadas sem fim, das noites de boemia, do trabalho incansável, das dúvidas existenciais, das grandes alegrias, das fossas monumentais.

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E agora, Ziza você me vem com essa, de pegar o trem da meia noite! Logo você que nunca desligava o gravador da tomada, nem se dava por vencido, mesmo quando as dívidas se derramavam aos borbotões. Aliás, até hoje desconfio, as dívidas é que nos mantinham acessos, de orelha em pé, respiração ofegante, sempre apostando na esperança.

– Ziza: to falando de esperança do verbo esperançar, que eu pensei que não existia, mas que está la no dicionário de mestre Houaiss e que eu aprendi com o Mário Motta. Nada de babaquice como aquele ditado ingênuo de que a esperança é a última que morre. Esperança é pré-condição para agir, ação efetiva, agir pela vida, pelo amor. Ih, rapaz, me empolguei.  Mas, cara, chega um dia e você resolve entregar os pontos. Por causa de uma doencianha sem vergonha, que chateia mas não mata. Sinceramente, acho que foi mesmo falta de comunicação.

– Falta de comunicação?
– É. Logo entre nós!
– Que loucura!
– Calma. Nada é irreversível.

A parábola de que a vida é uma viagem de trem é mesmo um convite à reflexão. Desde quando “pegamos” o trem, até quando convivemos com quem encontramos, com quem nos descobre, quem nós descobrimos, quem vem e que passa, quem vem e que fica e quem vem e nos leva. E como nós vamos. E como nos sentimos. E aí vem a pergunta: o que se passa, afinal?

– Se passa… Ai, ai, ai!!!
– Se passa que nós não passamos.
– Ops! Como não passamos?
– Nós só passamos quando ninguém mais lembra de nós.

Aqui está prova provada: Ziza, o garoto quase estrábico, “sem berço”, nascido de família pobre, criado “por aí”, deu no que deu: Zininho, o conselheiro. “Clóvis” das tertúlias das primeiras horas da madrugada. O “detalhista” recortando com gilette uma fita magnética de gravação de áudio, para tirar ou colocar um “s” que o locutor deixou escapar?

Pois este é o Ziza amado, poeta Zininho, gentleman do samba, cidadão ternura, Cláudio Alvim Barbosa. Oi, Ziza, conta pra gente, como é que você foi pegar aquele trem da meia noite? Logo você tão experiente, com tantas idas e vindas por tantos recantos destas terras do sul? Fala aqui pros nossos Caros Ouvintes, onde anda você?

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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