Até mais, São Paulo

Eu não sei por onde começar. São Paulo é magnifica, bombardeia cultura e informação o tempo todo. É um organismo vivíssimo, estimulante. Os muros e paredes berram e reclamam; as pessoas circulam apressadas no aeroporto, na estação do metrô e nas ruas, principalmente nas ruas. São Paulo é um choque, uma marretada na alma.

SP

Descemos, eu e dois amigos, do metrô na Avenida Paulista e fomos recebidos por uma manifestação. Reivindicações grotescas, que não merecem repetição, mas vá lá, uma manifestação. Ainda no metrô, uma moça perguntou se estávamos indo para outra passeata, esta contra Alckmin. Meus amigos estavam com adesivos da presidenta no peito e eu conversando, conhecendo e perguntando sobre São Paulo.

Respondemos que não íamos à manifestação alguma, nem contra, nem a favor de ninguém. A moça disse para termos cuidado, pois muitos antigovernistas estavam nas ruas para a manifestação contra Dilma na Avenida Paulista. No fim da conversa, ela nos “tranquilizou”: “Estou avisando por precaução, eu não vou estourar vocês!”

Seria feio para nós se uma mulher estourasse três homens na porrada. Era possível, claro, afinal nunca fechamos o pau com uma paulistana (o sotaque era inconfundível), mas felizmente ela teve piedade e resolveu não implantar a ditadura ali dentro do metrô mesmo. Já na Avenida Paulista ela se sentiu em casa e uniu-se ao coro de gritos bárbaros e descabidos.

Sampa me recebeu assim. Depois, andei na Rua Augusta e entendi melhor a letra do rapper Emicida. A fama da Augusta é a prostituição e as drogas. Uau, uma pena eu ter passado lá somente durante o dia e, durante o dia, ela é apenas mais uma rua.

Passei também na Oscar Freire. Aquele lugar cheira muito mal. Perfumes de todos os lados tentam diminuir um pouco aquela fedentina que pessoas com seus narizes empinados exalam. Não adiantou! Odiei aquele lugar. Não me senti em casa. Não me senti bem.

Pedir informação em São Paulo é um sacrilégio e só com muito custo consegui achar a linha de ônibus que me levaria até aquela casa humilde e acolhedora onde minha amiga disse que eu poderia ficar, no Bairro Casa Verde. A acolhida não foi diferente da promessa e uma família amorosa e atenciosa recebeu-me muito bem. Até os animais domésticos souberam agradar e alguns amigos da família já estão na minha rede no Facebook. Foi demais!

Eu não queria mergulhar tanto nessas sensações minhas, mas São Paulo foi tão marcante que preciso expressar a mínima gratidão a tantas pessoas que me proporcionaram esses momentos. Muita gente tornou isso possível e além de agradecê-los pessoalmente, sinto vontade de reverenciá-los aqui nesses registros.

Sampa me emocionou. Viajar de avião deu-me a sensação de potência. O humano é capaz de atingir suas metas desde que se empenhe para tal e que não desista delas. Isso não é conversa mole, é papo sério. O mundo é um enorme quintal pedindo para ser visitado.

Sampa tem problemas. A falta de água é mesmo uma questão seríssima, o crescimento desordenado bagunçou a vida dos nativos e de quem chega para ficar. São Paulo também não é para iniciantes. Ao mesmo tempo em que encanta e revela suas engrenagens capazes de mover e conduzir seus habitantes, a cidade estressa e pode enlouquecer.

Vi, vivi e senti Sampa apenas em um final de semana. Fui ao Ibirapuera e desejei que Floripa tivesse um lugar parecido para reunir tanta gente jovem com liberdade. Eu disse liberdade e, para bom entendedor, o termo basta. Eu comi cultura em SP e tive uma indigestão de história ao ver fotografias antigas de uma cidade que está somente em registros iconográficos.

Eu voltarei para São Paulo e por isso desejo e peço desesperadamente a forças ocultas e misteriosas que melhorem apenas um pouco a qualidade de vida daquela gente. Eu vi o novo e o belo, enriqueci a alma, mas sei que a realidade é outra. Essa viagem foi minha mais comovente loucura, por isso inflo o peito e oxigeno a cabeça para dizer: até mais, São Paulo.

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *