Autodidatas

Quantas pessoas conhecemos ao longo da nossa vida que sabem fazer algo, talvez tocar um instrumento musical e nunca fizeram um curso. Eles sabem que sabem, mas não sabem exatamente como o sabem, apenas sabem. Profissionais de algumas áreas são grandes talentos e não estudaram aquela matéria específica.

Na comunicação ocorreu e acontece isso. Na escrita, no rádio, no jornalismo em si. Nada disso tira o valor de um curso acadêmico a todos os que pretendem seguir e crescer na profissão. Mas há aqueles que simplesmente já o fazem e por algum motivo talvez não venham a frequentar um curso universitário. Nesse caso o importante é a constante busca pelo conhecimento e aperfeiçoamento, dedicação, bom senso, e claro, viver a altura do que diz.

O mais interessante é que esse tema em si me veio à mente enquanto tentava relaxar no último final de semana e não consegui. Tenho uma calopsita chamada Juraci. Demos esse nome porque havia dúvidas quanto ao sexo. Para não correr o risco de ofendê-lo ou ainda sofrer um processo por damos morais um amigo sugeriu esse nome, disse que é o nome de um de seus irmãos e serve para homens e mulheres. Logo que comprei a Juraci dei uma calopsita de presente para meus pais.

Digo – um – porque quem vendeu deu certeza absoluta de que era macho. Nome: Tico. Juraci grita e grita muito alto. Já recebi reclamações de vizinhos, mas como explicar para Juraci que precisa falar mais baixo, ou sei lá, gritar mais baixo. Se for mulher pode ficar brava, aí a coisa vai ficar feia. Colocamos inúmeras músicas para Jura, todos os tipos. Ecléticos.

Meses e meses e nada. Já o Tico era autodidata. Meus pais nunca colocaram músicas para ele e o Tico cantava de tudo. Creio que compunha a maior parte de suas músicas, eu não as conhecia, mas eram muito boas. Até quando ligava para casa dos meus pais podia ouvir seu belo canto. Mas ele não é o único. O Miguel Livramento que o diga. Imagino que os passarinhos são todos autodidatas. Ou seria dom? Dom é talento, aptidão natural de um indivíduo. A Juraci continua por aqui.

O Tico não guardou o seu talento só para meus pais. Meu pai gostava de mantê-lo solto e numa dessas ele partiu. Foi presentear outros ouvidos com seu belo canto. Carreira solo? Não há como saber, não deu notícias. Parece que os autodidatas apreciam suas asas. Dão grande valor a sua liberdade, inclusive a de expressão.

Não sabem como aprenderam o que sabem. Mas sabem que esse saber não pode ficar numa “gaiola”. Quem sabe os gritos da Juraci sejam apenas um pedido de liberdade para mostrar o que sabe. Com seus próprios métodos de estudos, pesquisas e dedicação os autodidatas são alvos de críticas e elogios. Talvez como pássaros vivam em “gaiolas” ou soltos, atiçando a curiosidade de muitos. O melhor é saber que para todos a busca do conhecimento é interminável.

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