Ave, César. Eu te saúdo!

Eu ouvia, extasiado e sonhador, as vozes de Clésio Búrigo, Kátia Broleis, Sérgio Luciano, Antônio Luiz, na Rádio Eldorado e, 15/16 anos de sonhos, imaginava quando, um dia na minha vida, seria um ídolo assim, como um deles.
Por Aderbal Machado

Morava no Araranguá, havia passado por uns ensaios frustrantes nos microfones da Rádio Araranguá (relato de outra crônica). Um dia, resolvi sair porque, num desses momentos danados, saiu o Asti Pereira e entrou um outro gerente, cujo nome nem me lembro, que resolveu “profissionalizar” a emissora e viu que, na real mesmo, eu não tinha nem jeito, nem voz, nem pose e nem condições mínimas de ser locutor. E me transferiu para a mesa de som. Não gostei e, como em todos os momentos de decisão da minha vida, quando tive de escolher em aturar coisas que eu não gostava e sair – saí.
Ele pouca importância deu à minha saída – e não tinha importância nenhuma mesmo.
Lá na frente, em outros instantes cruciais, fiz igual. Saí de e entrei em tantos lugares por não aturar chefes chatos e arrogantes que perdi a conta. Tive sempre a impressão de que queriam aparecer em cima de mim. Inclusive depois que fiquei conhecido e consagrado como (modéstia à parte) um bom profissional de rádio e televisão.
Em boa parte das vezes errei e perdi muito. Poderia estar firme e forte em Criciúma, por exemplo; ou Florianópolis, quem sabe. Mas – imagino hoje – Deus é poderoso: fez-me passar por tudo aquilo para eu poder estar onde estou, em Balneário Camboriú, realizado pessoal e profissionalmente. Prefiro assim. Isto se chama felicidade.
No meio dessas passagens, no curso do aprendizado da vida e da atividade profissional, recordo o respeito com que vivi instantes do César e do Agilmar na Rádio Tubá, em Tubarão. Ia lá de vez em quando visitá-los.
O César e o Agilmar eram deuses na cidade. Um agnóstico como o César e um quase-ateu como o Agilmar tinham (meus Deus do Céu!!!), todas as graças do Bispo Dom Anselmo Pietrulla, concessionário da emissora (a diocese mandava). Junto com eles, um carola de quatro costados, o Ézio Lima. Olha a mistura: dois hereges e um carola, subordinados ao bispo diocesano, comandados pelo Padre Osni Rosembrock, outro profissional de rádio dos melhores (seu comentário “Lança em Riste” era temido). Tinha o Celso, irmão do Padre Osni, locutor sertanejo e animador, depois chegou o “raspa do tacho” José Reinoldo, hoje em Taió – e que chegou a ser o primeiro editor-chefe do “Jornal de Santa Catarina”, em 1971.
Lembro do Agilmar, produzindo um programa chamado “Palco da Cidade”, espécie de rádio-teatro falando de política e encenando situações críticas sobre os políticos locais e estaduais.
Desculpa, Agilmar, meu irmão dileto, mas o César, nosso Poióca venerado, dava de mil a zero em todos. Lembro que prefeito, juízes, gente de altíssimo gabarito ou respeitavam ou tinham um medo arrepiante do César. Até a “Maria Sempre-Boa”, dona do “Bico Verde”, a zona de meretrício, ouvia o César, que um dia, incomodado com um benefício que alguém quis oferecer ao meretrício (não lembro se era uma questão de terras, sei lá), desceu o sarrafo na decisão (judicial), num artigo intitulado “Parabéns, Sempre-Boa”, exaltando o ganho de causa e tecendo ácidas críticas ao Juiz. César matou a pau e seu artigo derrubou a decisão, danando a vida do meretrício e deixando o Juiz de então em maus lençóis.
O César tem até hoje esse estigma do profissional castiço, reto, correto, perfeito. Longe do estilo de todos nós, Agilmar, Aryovaldo e eu. Perdão, meus irmãos, mas eu confesso: o César velho de guerra sempre foi o melhor de nós.
Ave, César – eu te saúdo!!!
 


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Por Aderbal Machado

Radialista e jornalista. Nasceu em Araranguá (SC) e iniciou como locutor ao microfone da Rádio Eldorado de Criciúma onde exerceu funções de repórter, redator e de diretor da emissora. Atua atualmente em jornal, rádio, televisão e internet onde mantém o site aderbalmachado.com.br | Reside em Balneário Camboriú/SC.
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