Aventura de radialista

A Primeira Volta a Ilha
Participei pela primeira vez da Regata a Vela Volta a Ilha de Santa Catarina. Foram mais de 14 horas no mar. Saímos às nove horas da manhã rumo ao sul com vento de popa. Um nordeste e chegamos à uma da manhã com vento de proa, um vento sul que soprou ontem a noite.
Por Paulo Brito, em 7 de dezembro de 2001

Navegar com vento a favor é moleza, basta desfrutar e aproveitar a paisagem. Navegar com vento contra é preciso bordejar, fazer força, caminhar engatinhando pelo barco, sentar na borda e sofrer. Da barra sul até a Praia do Santinho bordejamos. Perdi a conta de quantas vezes o comandante Marcelo Raitz gritou: cambar! E eu engatinhando e sofrendo no convés do veleiro “Moleques da Maria”. No Santinho calmaria. O barco parou. As velas batiam. O barulho irritava. La na praia as pessoas se divertiam. No barco os tripulantes esperavam.

No início da noite caiu o vento sul. Navegamos tranqüilos, com vento de popa, até a entrada da baía norte, na praia da Lagoinha.

De lá até à Ponte Hercílio Luz mais força, gritos, sofrimento, cambar, ir de uma borda para a outra todo molhado, com dores nas pernas, nas mãos, no corpo, sentindo frio e angústia. Chegamos. Foi uma experiência única para mim e uma rotina para Marcelo Gusmão, Leitão, Guiga e Alemão Zé.

Uma regata “Volta a Ilha” não é para amadores. Correr uma regata é uma coisa, passear de veleiro pelas baias sul e norte é outra coisa completamente diferente sem angústia, vontade de vencer, sem sofrimento, sem dores, sem os gritos e desencontros. Numa regata você não pode errar. Você só quer ganhar. Tem que ganhar.

Transfira isto para um jogo de futebol: sofrimento, angústia e ambição. Certa vez um corredor americano disse que ganhava porque conseguia suportar a dor mais do que os outros. Faça como Marcelo Gusmão no comando do “Moleques da Maria”: Grite, Lute. Tenha ambição e não afrouxe. Ganhamos. Vencemos a 33ª Regata a Vela Volta a Ilha de Santa Catarina. Valeu o sofrimento e a experiência. Sabe quando é que eu participo outra vez de uma regata igual a esta? Nunca!

Categorias: Tags: ,

Por Paulo Brito

Jornalista, professor e cronista esportivo. Integrou o grupo de trabalho que decidiu pela criação do Curso de Jornalismo da UFSC. É autor do livro “Dás um banho Roberto Alves – o rádio, o futebol e a cidade. Trabalha em rádio participando de programas de debates. Atua como consultor voluntário do Instituto Caros Ouvintes.
Veja todas as publicações de .

Comente no Facebook

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *