Babadas, barrigas, equívocos leves e outras besteiras (7)

Uma velha máxima jornalística diz que notícia é o inusitado, o menos óbvio possível. O problema ocorre quando o inusitado está na forma de dar a notícia. E a seriedade dá lugar ao riso, de modo intencional ou não. Qualquer emissora que se dedique um pouco ao jornalismo depende – e muito – das informações dos plantões policiais. Em Rio Grande , no litoral sul gaúcho, não é, nem era diferente. Por Luiz Artur Ferraretto

 Contam que, nos anos 70, um cadáver apareceu boiando próximo do cais do porto da cidade. Um repórter da Rádio Cultura Rio-grandina teria, então, saído com esta em seu boletim:
– A Polícia Civil localizou, no início desta manhã, um corpo não identificado ainda, com dezenas de facadas no tórax e no abdômen. Já foi descartada, no entanto, a hipótese de suicídio…
Na mesma cidade, em plena ditadura militar, com sua censura política e exacerbado controle do que os donos do poder consideravam “moral e bons costumes”, um jornal teria noticiado durante o carnaval rio-grandino, na época conhecido por se estender por uma semana:
– Durante o desfile carnavalesco, a Brigada Militar flagrou um casal praticando cunnilingus atrás do prédio da Alfândega.
Após esta descrição quase científica de sexo oral, a tradicional folha papareia atalhava para que não houvesse dúvida do que se tratava:
– O chupador foi preso em pleno ato…


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Por Luiz Artur Ferraretto

Nasceu e cresceu ouvindo rádio e as histórias do rádio. Aos poucos foi descobrindo que não queria ser só ouvinte. Formou-se em jornalismo pela UFRGS e começou a trabalhar no rádio. Doutor em Comunicação e Informação é professor do curso de Jornalismo da Universidade de Caxias do Sul/RS. É autor de vários livros.
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