Balança mas não cai

O famoso  bom humor do carioca tinha generosos espaços na programação da mais popular emissora de rádio do país. “Balança Mas Não Cai”, o humorístico que acabou na televisão, marcou sua época com nomes famosos como Paulo Gracindo, Brandão Filho, Zé Trindade, Consuelo Leandro e muitos outros. A sátira de tipos populares, políticos, artistas e figuras da sociedade, era ingrediente básico para programas de humor que tinham posição de destaque na grade de programação. Foi o Rádio, sem dúvida, com sua programação variada e artistas de notável talento, o grande celeiro que abasteceu a televisão com seus experientes e consagrados profissionais.

Do jornalismo ao humor, passando pelas novelas e programas de auditório, os radialistas garantiram a programação da televisão nos seus primeiros anos de atividade. Os grandes cantores que mais tarde foram mostrados nas telas da TV, tinham horários especiais na Radio Nacional. Francisco Alves era um deles. Seu programa entrava na hora do almoço e anunciado com grande ênfase por uma locutora de voz quente e pausada; “Quando os ponteiros se encontram ao meio-dia, a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, apresenta, Francisco Alves, O Rei da Voz”.

A emissora que se identificava com a alegria dos brasileiros, transmitindo programas animados e bem humorados, sabia, também, provocar emoções fortes e tirar lágrimas dos olhos de seus milhares de ouvintes. As famosas novelas  da Radio Nacional, especialmente “O Direito de Nascer” do novelista cubano Felix Cagnet, faziam muitas donas de casas servirem o jantar antes das 20 horas.

Na maioria das residência este era o horário do silêncio quase absoluto. O país parava na sintonia fina da Rádio Nacional para ouvir os “emocionantes capítulos”, como diziam sempre os locutores que anunciavam a atração. Muitas foram as novelas  transmitidas pela Radio Nacional que acabaram, anos mais tarde, na tela da televisão.A grade de programação, o estilo de apresentação e até o padrão de locução dos profissionais da Radio Nacional,tiveram significativa influência na maioria das rádios do pais.

(do  livro Sintonia Fina – JamurJr)

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