Barcelos, Vigo e rádio

Mais um final de semana de passeio nesta minha estada aqui em Portugal. Desta vez, conheci Barcelos, lugar que deu origem ao famoso símbolo do país – o lendário galo – e depois fomos jantar na Espanha, na cidade de Vigo. Meus carinhosos e generosos anfitriões foram, mais uma vez, o casal Alessandra e Paulo. Como eu já contei aqui na coluna, a Alessandra é brasileira e o Paulo, português da gema. Os dois formam uma dupla imbatível quando o assunto é receber bem.
Por Nair Prata

Começamos nosso passeio por Barcelos, uma cidade do norte português que fica a uns 20 minutos de carro de Braga. O comércio local é rico em exemplares do famoso símbolo de Portugal: aquele galo todo colorido, com uma crista vermelha. A origem deste símbolo é uma lenda… Conta-se que um peregrino espanhol iria de Barcelos a caminho de Santiago de Compostela, quando foi acusado de ter roubado objetos de prata de um proprietário. Foi, então, condenado à forca. O peregrino pediu um encontro com o juiz, que se preparava para comer um galo assado. O homem jurou que, como prova da sua inocência, o galo se levantaria do prato e cantaria. O juiz ignorou o apelo. No entanto, quando o preso estava prestes a ser enforcado, o galo levantou-se e cantou. O juiz, compreendendo o seu erro, correu para a forca e descobriu que o espanhol somente se salvara por causa de um nó mal feito na corda. Ainda de acordo com a lenda, o homem voltou anos mais tarde para esculpir o Cruzeiro do Senhor do Galo, que fica agora no Museu Arqueológico de Barcelos.


O ministro da Saúde, Correia de Campos, vai receber nos próximos dias 35 mil postais da população de Barcelos. Numa campanha promovida pela Câmara Municipal, os barcelenses vão dizer ao ministro da Saúde que a Maternidade de Barcelos tem todas as condições para se manter aberta e, como tal, “Nós queremos nascer em Barcelos”.

Lá conheci três igrejas que são verdadeiros monumentos rquitetônicos, artísticos e religiosos: a igreja matriz, a igreja do Senhor da Cruz e a igreja do Terço. Em cada uma delas é possível observar o talento português para os altares, os azulejos, a expressão das imagens: são de uma beleza à toda prova. Fiquei sabendo que todas as quintas-feiras é realizada uma grande feira na cidade, no Campo da República (popularmente chamado de Campo da Feira) onde se pode comprar de tudo, desde roupas a  móveis e utensílios domésticos. Antigamente, até gado era vendido…
Depois fomos a uma exposição intitulada “A gastronomia no artesanato de Barcelos”, que ficará aberta até o próximo dia 16, na Câmara Municipal da cidade. A gastronomia é Patrimônio Nacional português e a exposição mostra várias peças artesanais que retratam o cotidiano da produção de alimentos. No livro de assinaturas, eu conferi: vários brasileiros já passaram por lá nos últimos dias…
Quero destacar três coisas interessantes de Barcelos:
1) Há uma “linguagem” dos sinos na cidade: Explicando melhor: os sinos tocam de forma diferente nos batizados, nos casamentos, nos funerais e até para chamar as pessoas para a missa. Importante é que a população sabe ouvir e decodificar cada uma das melodias. Não é bacana isso?
2) Por todo o comércio de Barcelos, pude observar avisos fúnebres pregados nas portas de lojas, bares e confeitarias. É a forma que a população tem de comunicar a morte das pessoas queridas, um costume secular de informação.
3) Também muito interessantes são as “alminhas”, pequenos santuários criados e mantidos por particulares, que se espalham pela cidade e pelas estradas. Estas “alminhas” têm a imagem de um santo e um lugar para as velas e são fechadas com uma pequena grade. Há delas por todo o país e logo que eu cheguei aqui em Braga chamou a minha atenção este tipo de altar assim numa parede qualquer, sempre cheio de velas e flores…
Para encerrar a visita a Barcelos, nada como uma boa confeitaria. Nesta minha estada aqui em Portugal, já aprendi uma coisa: tudo acaba em comida, e comida boa, diga-se de passagem. Assim, saboreamos um delicioso bolo de coco português, com uma calda que me fez calcular quantas horas de caminhada serão necessárias para expulsar tantas calorias…
Saindo de Barcelos, fomos a uma vila chamada Ponte de Lima, lugar onde o Paulo e a Alessandra têm uma bela quinta. Duas coisas eu quero comentar deste sítio. Primeiro a construção da casa a partir de grandes pedras, coisa que eu tenho observado muito aqui em Portugal. Depois, a beleza das flores. Estamos na primavera aqui na Europa e as flores enchem os olhos e o coração de qualquer pessoa. Lá na quinta dos meus amigos, não há quem não se encante principalmente com as tulipas, as camélias e as magnólias.


Ermida da Guia.

Para encerrar o passeio com chave de ouro, fomos jantar em Vigo, cidade da Espanha de 300 mil habitantes, que fica a cerca de 100 km de Braga. Vigo é uma cidade portuária da região da Galícia e três praias, principalmente, atraem a atenção dos turistas: Baiona, Samil e América. A cidade possui uma intensa vida noturna e vale a pena conferir os incontáveis bares, restaurantes, cafés e os “tapas” (local onde se serve tira-gostos) do lugar. Fomos a um destes “tapas”, o Areal, freqüentado por gente jovem, bonita e fashion.
Pedimos pratos diferentes para o jantar. Eu comi uma deliciosa “brocheta de rape y langostinos”, que é uma espécie de espeto com peixe e camarão. Se eu estivesse em Minas Gerais, diria: Bom demais da conta…
Depois do jantar, ainda fomos a um bar que é um show na decoração, nas pessoas, na música: o Twenty Century fox. É um lugar imperdível!
Sobre o rádio, o assunto que eu quero comentar hoje é a audiência, a mola mestra que fundamenta o funcionamento da grande maioria das emissoras de radiodifusão.  Em busca da audiência, as estações tentam encontrar uma fórmula de programação que tenha qualidade e seja eficaz. Segundo Howard (1994) são três as grandes metas que devem ser seguidas pela programação básica do rádio:
1. Desenvolver o formato competitivo que irá conquistar a maior audiência possível e/ou a substancial quantidade de audiência fiel desejável ou especial interesse em um subconjunto da população geral. Assim, as emissoras de rádio devem trabalhar pelo desenvolvimento da quantidade de ouvintes fiéis e subgrupos específicos de audiência;
2. Cumprir a obrigação de satisfazer o interesse público. As emissoras de rádio devem voltar sua programação para os serviços de substancial interesse público através de notícias, avisos comunitários, negócios públicos que, quando bem implementados, podem atrair ouvintes e produzir lucros;
3. Desenvolver uma imagem favorável da estação para a quantidade de ouvintes que se pretende atingir com a audiência. A imagem da estação – a percepção do público sobre a personalidade da emissora – é de vital importância no rádio por causa do grande número de serviços de áudio disponíveis para os ouvintes. A imagem da emissora é entrelaçada com o formato da programação e abrange itens como talento dos profissionais que estão no ar, qualidade da produção, serviços oferecidos ao público e a postura perante o ouvinte. As estações conquistam uma imagem positiva e uma substancial clientela quando sua programação torna-se valiosa para a audiência que se pretende ter. O alto nível de harmonia com esta audiência é talvez o maior valor que uma estação de rádio possa possuir. 
 
Howard (1994) destaca ainda seis fatores que influenciam a audiência no rádio: O número de estações competindo para a audiência do mercado; a força e confiabilidade dos sinais de transmissão; a força da atração providenciada por programas específicos em comparação com aquelas estações que competem entre si; a popularidade geral da estação que veicula o programa; a popularidade dos programas que precedem e a extensão da audiência remanescente e qual membro da família que provavelmente vai selecionar o programa nas residências durante o tempo e a transmissão.
Sites relacionados:
http://www.cm-barcelos.pt/
http://hoxe.vigo.org/
http://www.uvigo.es/indice/index.gl.htm


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Por Nair Prata

Jornalista formada pela UFMG, Mestre em Comunicação pela Universidade de São Marcos e Doutora em Língua Aplicada pela UFMG. Trabalhos 18 anos em rádio. É professora do Centro Universitário de Belo Horizonte onde leciona no Curso de Jornalismo. Escritora, tem vários livros publicados.
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