Barreto Neto e a equipe de esportes mais jovem de Santa Catarina

O Xandoca tem tantos dotes que tive de recorrer ao que o Tullo Cavallazzi escreveu sobre ele quando do lançamento do livro Esquinas da Minha Ilha em junho de 2001: jogador de basquete, dirigente e um dos fundadores do (Clube) Paineiras, jogador de futebol, vendedor de gibis no Roxi, carnavalesco de salão e de praça, exímio músico e fundador da Orchestra Philarmônica, Senador do Ponto Chic, membro da Irmandade Senhor dos Passos, cozinheiro, artista plástico, radialista, jornalista, alto funcionário aposentado dos Correios (concursado) e agora escritor de livros. Depois disso, ele já escreveu o livro Avaí Futebol Clube sobre os 80 anos do Leão da Ilha e agora finaliza mais uma saborosa coletânea de crônicas. O como o espaço estourou, a entrevista da semana vai acompanhada de texto complementar e fotografias históricas da carreira desse simpático e muito operativo Mané, não tem?
De cara, na capa do livro você encontra a foto de alguns dos mais chegados ao bando que se reunia na Esquina do Pecado, ali na Anita Garibaldi com a Saldanha Marinho – local estratégico por onde passava grande parte da brotolândia que estudava no Colégio das Irmãs e no Instituto de Educação: Alfredo Gentil Costa, João Batista Barreto, Abílio Noronha, Alceu ‘Tico’ Mendes, João Batista Ribas, Rui Gonçalves, Cláudio ‘Cocha Branca’, o José Roberto ‘Zé Bia’ Peixoto e o João Moura Neto. Mas, a programação não ficava só nisso, como lembra o Alfredo: “Durante a semana, além das aulas freqüentavam-se as esquinas, ‘inticava-se’ com o Corvina e com a ‘Barca a Quatro’, jogava-se botão, soltava-se pandorga, ou se programava uma ‘excursão’ ao alto do Morro da Cruz”. O livro é uma delícia de ponta-a-ponta.  Começa com uma crônica-plataforma em que o Xandoca conta a história da vida, morte e consumo do pombo Galante que pertencia a um dos esquineiros.  O autor dá um banho de ‘manezes’ que vale a pena destacar o trecho inicial.

Machão no Espeto

Na subida do morro, pausa para a pose dos esquineiros

A ‘curriola’ da esquina naquele dia não botava nada na balança. Só estavam nas escolhas fazendo presença, cozinhando siri em água morna para esperar as meninas do Colégio Coração de Jesus voltarem das aulas. Tirando a modéstia de lado e sem desmerecer nenhuma outra, a “nossa” esquina era privilegiada. Entre os colégios Coração de Jesus e o Instituto de Educação, com o vai e vem das garotas mais lindas que a Ilha teve e graças a Deus continua tendo.
Saldanha Martinho com Anita Garibaldi era do arromba. Mas, como ia dizendo, depois do “footing” o jeito era sair da encolha e partir para outra e, esquineiro que é esquineiro se garante e faz acontecer.

Outra epopeia é narrada em Fora do Ar onde o palco é oferecido pela Rádio Anita Garibaldi, emissora em que Xandoca iniciou sua carreira de comunicador. O começo foi difícil, mas muito divertido. O autor conta assim:

Xandoca pronto para adentrar ao gramado, mas cuidado porque esse é o microfone do 'pum' e ainda por cima dá choque

Eu, Salomão Ribas Júnior, Ciro Visali, Arthur Sullivan, Fernando Areas, Ariel Botaro Filho, Newton César Viegas, João Ari Dutra, Moacir Pereira e Luiz Eugênio. A equipe de esportes da Rádio Anita Garibaldi. “A equipe de esportes mais jovem de Santa Catarina”.

Sem muita ou quase nenhuma cancha iam se ajeitando com a parafernália de fios desencapados e remendados, maletas de som pela bola sete, microfones de pós-guerra.

Domingo, dia de jogo, não esperavam nem pela macarronada. Era dia de levar aquelas engronhas até o Campo da Liga e tentar desembaraçar todo aquele cipoal de fios. E era preciso chegar com muitas horas de antecedência, senão iam transmitir só o resultado do jogo no “momento esportivo” das sete da noite.
E nessas idas e vindas, remendando aqui e ali, iam colocando alguns pontinhos no Ibope. Naturalmente aos olhos dos outros, que, quase sempre não têm os olhos de ver o que está atrás, o “Time da Anita” estava jogando redondinho.
Esquineiros, astutos, comiam o mingau pela beirada. Não ligavam nem para os “geraldinos” que inticavam na hora de desfiar aquela maçaroca de fios: “Como é que é, ô! Vais soltar pandorga, é?”

Nem te ligo ferro antigo.

Sem viatura. De ônibus ou a pé encaravam as jornadas esportivas na esportiva.

Bom. Vou ficando por aqui por hoje. Só no trailer. Lamento informar que o livro está esgotado. Andei xeretando na Web e há alguns exemplares em sebos virtuais. Até semana que vem.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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