Batatinha quando nasce…

De repente surge na telinha um cidadão falando meio mole e recitando um texto como quem esta tentando se livrar de alguma coisa.  Um insert revela que o “garoto propaganda” é na verdade o gerente de uma farmácia no bairro Xaxim em Curitiba. No mesmo intervalo e recitando como fazem crianças com o  tradicional “batatinha quando nasce, se esparrama pelo chão”, uma adolescente faz ofertas de um supermercado. Dá a impressão de que é a filha do proprietário, provavelmente mais interessado em atender o desejo de fama passageira da menina, do que verdadeiramente “vender  o seu peixe”.

O dono de uma ótica fez o mesmo, ganhou fama e até montou uma dupla sertaneja (com baixos teores de talento) e continua na telinha vendendo (ou pretendendo vender) óculos a preços baixos. É cada vez maior o número de “artistas de ocasião” a procura de um espaço para se tornar conhecido.

Diz o  filósofo inglês, Bertrand Russel em seu livro “Elogio ao Ócio,”  que duas coisas são permanentemente perseguidas pelo homem; poder e admiração. Creio que, a admiração ganha de goleada. A popularidade conquistada  através dos meios de comunicação, faz bem ao ego e em muitos casos alavanca carreiras políticas.

Os anônimos de hoje, que amanhã serão conhecidos por suas aparições na tv,ou programas de rádio, só têm a ganhar. Quem perde com isso é o anunciante, que entrega a imagem de sua empresa a pessoas sem qualificação profissional e os próprios profissionais que perdem espaço para os “loucos por fama”.

Basta ligar o aparelho receptor para constatar o desfile de gente falando com entonação de criança recitando versinhos na festa da escola. Foi-se o tempo em que para ser locutor  era preciso saber falar com boa entonação, inflexão, ritmo e uma voz, pelo menos agradável. Que o digam profissionais como Antunes Severo, Souza Miranda e tantos outros craques da comunicação oral que marcaram sua época no microfone com  excelente desempenho. Esses veteranos do microfone, já aposentados do dito cujo, deveriam ser os mestres a orientar os novos comunicadores mostrando a arte de falar fácil, claro e de forma agradável. São talentos com larga experiência que estão fora do mercado de trabalho quando deveriam estar ensinando os novatos.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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