Batatinha quando nasce…

De repente surge na telinha um cidadão falando meio mole e recitando um texto como quem esta tentando se livrar de alguma coisa.  Um insert revela que o “garoto propaganda” é na verdade o gerente de uma farmácia no bairro Xaxim em Curitiba.

No mesmo intervalo e recitando como fazem crianças com o tradicional “batatinha quando nasce se esparrama pelo chão”, uma adolescente faz ofertas de um supermercado. Dá a impressão de que é a filha do proprietário, provavelmente mais interessado em atender o desejo de fama passageira da menina, do que verdadeiramente “vender o seu peixe”.

O dono de uma ótica fez o mesmo, ganhou fama e até montou uma dupla sertaneja (com baixos teores de talento) e continua na telinha vendendo (ou pretendendo vender) óculos a preços baixos. É cada vez maior o número de “artistas de ocasião” a procura de um espaço para se tornar conhecido. Diz o filósofo inglês, Bertrand Russel em seu livro “Elogio ao Ócio,” que duas coisas são permanentemente perseguidas pelo homem; poder e admiração.

Creio que, a admiração ganha de goleada. A popularidade conquistada através dos meios de comunicação faz bem ao ego e em muitos casos alavanca carreiras políticas. Os anônimos de hoje, que amanhã serão conhecidos por suas aparições na tv, ou programas de rádio, só tem a ganhar. Quem perde com isso é o anunciante, que entrega a imagem de sua empresa a pessoas sem qualificação profissional e os próprios profissionais que perdem espaço para os “loucos por fama”. Basta ligar o aparelho receptor para constatar o desfile de gente falando com entonação de criança recitando versinhos na festa da escola.

Foi-se o tempo em que para ser locutor era preciso saber falar com boa entonação, inflexão, ritmo e uma voz, pelo menos agradável.

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