Beatriz Fagundes

Como se concilia o pobre com o rico? Não se concilia. São água e vinho. Água de córrego poluído e vinho de marca, de cave até; francês decerto. Beatriz Fagundes faz isto de certa forma. É a voz dissonante. Fala de política, de economia, de um país-nação. E até de auto-ajuda. Traduz coisas. E surpreende no Ibope.

Está na tradição do rádio popular, fazendo um Sergio Zambiasi, sem cadeiras de roda ou nebulizadores, mais à esquerda, classe média com serviço, sem assistencialismo. E é um pouco de jornalismo, informando, explicando, contando a notícia e opinando sempre. Escolhe o caminho do meio, o seu caminho. E incomoda. Que o digam, no passado, os partidários dos governos FHC e Britto! E que o digam os incoerentes e corruptos de plantão, de hoje e de sempre!

De produtora à comunicadora, passando por outras emissoras, mas retornando sempre à Pampa AM, de Otávio Gadret, Beatriz Fagundes explicita uma regra básica do rádio: para conquistar e manter ouvintes, é necessária uma boa dose de coerência. Não se trata da coerência dos outros, mas da própria. Segue uma mesma linha e faz com que o ouvinte não se sinta traído.

A estada atual na Pampa começou no dia 18 de dezembro de 2002. Ela voltou ao microfone da emissora para fazer uma espécie de contraponto nacionalista – e, de certo, um tantinho esquerdista – a Rogério Mendeslky, então a grande atração contratada semanas antes pela emissora e um tradicional algoz radiofônico de socialistas moderados e exagerados. Desde então, aos poucos e de modo contínuo, Beatriz foi, mais uma vez, se destacando em termos de público.
Rogério migraria para a Guaíba pós-Record.

Das nove ao meio-dia, de segunda a sábado, a comunicadora que ora pende para o popular, ora para o jornalismo, também assim iria se posicionar em termos de audiência. Se perde para a Farroupilha, líder no segmento popular, e para a Gaúcha, no de jornalismo, consolida-se no terceiro lugar com expressivo número de ouvintes. É prova viva do enorme espaço que existe no rádio para a informação para todas as classes com doses de opinião diferenciada e otras cositas más. Ah, e é basicamente um microfone com uma pessoa à frente. Com a empatia criada por ela, não precisa mesmo muito mais do que isto.

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