Bicho de 7 cabeças!

Uma semana depois o fenomenal totó de bola que a Alemanha aplicou no Brasil se transformou num bicho de 7 cabeças: algo inexplicável. E algo feio, mas feio uma barbaridade, muito mais feio do que a mula sem cabeça correndo na escuridão do pampa com velas do Negrinho do Pastoreio acesas nas ventas.

Uma semana depois já passava do milhar os motivos contabilizados para os acontecimentos que fizeram do Mineirão o palco do maior fiasco do futebol brasileiro; e os discursos acacianos ainda sucedem para descobrir onde está nosso calcanhar de Aquiles.

Nessa arenga caquética – onde essa epidemia de lavar das mãos tomou conta dos altos escalões nacionais ainda terá efeito colateral benéfico, pois vai nos livrar de muitos outros males – há quem diga, que, também levados pela pressa em usar a torneira, que estamos tomando a nuvem por Juno. Nada a estranhar, então, nesse contexto construído por profecias de Cassandra, que o leito de Procusto seja nosso destino.

Uma semana depois fica claro que o torcedor fanático precisa de bode expiatório para se acalmar, mesmo que não tenha consciência de que isso é trabalho para Sísifo.

Quem pariu Mateus que o embale, chegou a gritar um dos mais exaltados. Está certo, está certo, mas final quem foi que pariu Mateus deseja saber a turba malta. Até ai morreu Neves, berrou outro exaltado, isso tá certo, parece uma solução boa, mas alguém sabe onde se encontra agora quem pariu Mateus.

Para aqueles tidos como os mais serenos e sábios, porém, entramos em terreno pantanoso e passamos a discutir o sexo dos anjos, pois querer entender pelo racional o que aconteceu no Mineirão e se repetiu dias depois no Mané Garrincha, é ousar ir além das sandálias. É duro, pode ser antidemocrático, mas assim é na vida real por debaixo dos paus.

Nesse novo Mineirão houve interferência de energia excessivamente poderosa para os humanos, algo que vem do além, coisa advinda não se sabe claramente de onde, seria uma espécie de obra de Santa Engrácia. Rivalidades à parte, como estamos cheios de engenheiros de obra pronta, há pessoas – será que fazem parte da elite branca? – afirmando que se os baianos tivessem sido consultados o desastre dos SETE não teria acontecido, até porque SETE é conta de mentiroso.

Outros, pragmáticos e afeitos às questões das quatro linhas, apontam como única culpada a Confederação Brasileira de Futebol. Os mais modernos nessa critica dizem que a CBF tem métodos de gestão do tempo de Don João Charuto, os mais irados que ela se tornou uma cova dos leões e, os mais ácidos, a definem como casa da Mãe Joana.

O real mesmo, ali, na batata, é que precisaremos muito mais do que paciência de Jó para entender porque ocorreu aquela profunda demonstração de amor platônico dos nossos jovens e vigorosos jogadores com a bola num dia quase santificado. Os meninos brasileiros ficaram olhando embevecidos os brutamontes bebedores de cerveja afagar a bola como se tivessem no pátio da nossa casa e quando se deram conta…

Sim, pelo jeito, teremos que ir até onde Judas perdeu as boras para saber dos reais motivos de tudo! PS.: Como nada existe de tão ruim que não possa piorar acabou vindo uma pequena avalanche holandesa para cutucar nossas feridas.

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