Bom dia Dakir Polidoro

Conheci Dakir Polidoro em 1957.  Eu era um garoto e ele me foi apresentado pelo meu falecido pai, Ralf Pasold, no então famoso “Bar do Felinto” que ficava no térreo do prédio ao lado no qual estava instalada a Rádio Diário da Manhã, na Praça XV de Novembro.
Por Cesar Luiz Pasold, de Florianópolis

Ele tinha vindo de Laguna para Florianópolis, por convite do então governador Jorge Lacerda. O Dakir ocupava um espaço comunicativo muito estratégico na Rádio Diário da Manhã, ondas médias e curtas: apresentava o programa “A Hora do Despertador”, inicialmente das 06h00 às 07h30, depois das 06h00 às 07h00. Foi um campeão de audiência por muitos anos.

No primeiro ano a empresa da qual o meu pai era sócio foi uma das patrocinadoras do programa, e isto aproximou Dakir e sua esposa Ayêsha, de meus pais Ralf e Erna. Esta amizade foi sendo fortalecida no tempo e de tal forma que meus pais se tornaram padrinhos de batismo de uma das filhas, a Jeanette e eu, embora, muito jovem me tornei padrinho de batismo de outra das filhas de Dakir, a Jádina.

O Programa “A Hora do Despertador” literalmente acordava a população de Florianópolis e dos municípios alcançados pelas ondas da Rádio Diário da Manhã. O tilintar do despertador do Dakir Polidoro era uma de suas marcas registradas, abrindo e fechando o programa e sendo inserido antes de uma chamada comercial, por exemplo.

A audiência era muito grande e leal ao programa e isto foi confirmado de maneira peremptória quando, mais adiante e  em determinado período, o programa foi apresentado na Rádio Guarujá, a então grande concorrente da Rádio Diário da Manhã.

A estrutura básica do programa era:
1) Informações úteis ao início do dia dos ouvintes, como por exemplo, condições do tráfego (à época o congestionamento era fenômeno raríssimo) especialmente na Ponte Hercílio Luz, a única a unir Ilha e Continente. Condições de temperatura e previsão do tempo, isto sempre sob a inspiração do grande amigo do Dakir e nosso, o professor e “bruxo” Amaro de Seixas Neto, o qual durante um bom período comparecia pessoalmente ao programa para dar a informação, sempre com a pronúncia e a dicção prejudicadas pelo inefável cigarro que mantinha pendurado permanentemente ao canto da boca; além disto a movimentação no Mercado Público era noticiada, com detalhes sobre safra de tainha, preço do camarão, carnes e demais alimentos disponíveis. Também problemas surgidos durante a noite na Ilha ou no Continente, eram noticiados e quando fosse o caso, a orientação das autoridades a respeito era repassada para os ouvintes.

2) Veiculação das notícias municipais, estaduais,  nacionais e internacionais mais importantes.

3) Comentários do Dakir sobre assuntos de interesse para a comunidade.

4) Um segmento de cinco a 10 minutos, denominado “A hora estudantil”, apresentado por muito tempo por Dante Braz Limongi, então presidente da União Florianopolitana dos Estudantes, UFE; quando Dante se transferiu para o Rio de Janeiro , eu apresentei durante um certo tempo este segmento.

5) Em alguns programas, entrevistas com políticos ou outros convidados considerados importantes para a comunidade.

6) Alguns momentos musicais. Dakir contava com o apoio operacional do “Quintanilha”, apelido carinhoso do homem que fornecia a infra-estrutura básica necessária a um programa que era popular (não “popularesco!”) e que necessitava ser rápido na recepção das informações e na sua imediata veiculação.

Estive presente inúmeras vezes no programa, assistindo-o “do outro lado do vidro”, ou seja, próximo à mesa de controle  do som, admirando sinceramente à dedicação à comunidade, o amor à sua profissão e ao rádio, o permanente bom humor, a capacidade de improvisação, a criatividade, a verve, a disposição física e, principalmente, a dicção, a empostação e a qualidade da voz do Dakir. O prestígio de Dakir Polidoro e sua aceitação pela população eram tais que foi eleito vereador em Florianópolis, presidiu a Câmara Municipal e, por esta condição, foi Prefeito da Capital Catarinense.

Sinto-me orgulhoso e me considero um privilegiado por ter testemunhado ao vivo um período especialmente áureo do rádio catarinense, no qual pontificaram, além do Dakir Polidoro, o Adolfo e o Walter Zigelli, Antunes Severo, Acy Cabral Teive, Rozendo Vasconcelos Lima, Gustavo Neves Filho, Neide Maria Rosa, Cyro Barreto, Francisco Mascarenhas, Edwin Scott Balster, Iran Nunes, Ciro Marques Nunes, Manoel de Menezes, Aldo Silva, Alfredo Silva, Emílio Cerri Neto, Walter Souza, J.J. Barreto, Aldo Gonzaga, Felix Kleis, Waldir Brazil, Nabor José Prazeres,  entre tantas estrelas que a minha memória agora  me trai e me faz esquecer nomes, possibilitando-me cometer injustiças pelas quais desde logo peço vênia. Através destes nomes faço minha homenagem a todos os que, durante tanto tempo, com muita garra, profissionalismo, amor e qualidade, fizeram uma comunicação radiofônica extremamente eficiente e eficaz e, sobretudo, realizaram a verdadeira função social do Rádio, que, como todos sabem era e continua sendo uma concessão do Estado e, por isto, deve ser permanentemente um prestador de serviços de efetiva utilidade pública, tanto como veículo informativo e formativo, quanto como instrumento de lazer e entretenimento.

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Por Cesar Luiz Pasold

Escritor, advogado e professor catarinense, é autor de 15 livros técnicos e co-autor de mais nove. Especificamente na área da comunicação, Cesar Pasold escreveu: Personalidade e Comunicação (2005), Técnicas de Comunicação para o Operador Jurídico (2006) e O Jornalismo de Moacir Pereira (2012).
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