BOMBARDEADA ESTAÇÃO DE RÁDIO DO ESTREITO

Caros ouvinternautas, como diz Mário Motta ao microfone da CBN Diário nas manhãs de segunda a sexta-feira: o fato é verdadeiro e está documentado. A artilharia dos navios de guerra fiéis ao governo massacrou o que hoje conhecemos como bairro do Estreito, na parte continental da cidade de Florianópolis.
Por Antunes Severo

O episódio narrado pelo jornal O Estado (de Florianópolis), na edição de 25 de outubro de 1930 informa ainda que “A coluna litoral (vinda do Rio Grande do Sul) tomou Araranguá, Criciúma, Urussanga, Tubarão, Laguna, Imbituba, Garopaba, Palhoça e São José, ocupando, deste município até o Estreito, em cujas praias foram levantadas trincheiras mascaradas”.
A matéria segue a certa altura destacando o detalhe: “Ainda ontem, à tarde, a Estação de Rádio do Estreito foi rudemente bombardeada. Sob a explosão dos projéteis, as paredes esboroavam-se, fumegantes. O êxodo das famílias foi enorme, para o interior da ilha”.
A notícia é curiosa e a maneira como cheguei a ela também. Nesta faina de garimpagem à comunicação estendi minhas visitas aos sebos da cidade – desta cidade de Florianópolis e de tantas quantas tenho andado por este estado nos últimos 10 anos. Meu mais recente achado é o livro Estreito – vida e memória – organizado por Iaponan Soares, publicado pela Lunardelli, segunda edição, 1991.
Além dos aspectos históricos selecionados, na Parte V Iaponan arrasa mostrando “O Estreito visto por alguns escritores”. E lá aparecem Barreiros Filho, Ildefonso Juvenal, Abelardo de Souza, Vítor Antônio Peluso Júnior, Ilmar Carvalho e Amilton Alves.
Muito bem. A conversa está muito boa, mas e o rádio?
Pois o rádio é assim, onde a gente menos espera, ele aparece. A transmissão por ondas hertzianas é uma realidade do final do século XIX. O primeiro passo foi o telégrafo sem fio. Einstein se referindo a ele, gozador como era, descreveu: “O telégrafo sem fio não é difícil de entender. O telégrafo comum é como um gato muito comprido. Você puxa o rabo dele em Nova York e ele mia em Los Angeles. O telégrafo sem fio é a mesma coisa, só que sem o gato”.
Nessa fase, o telégrafo serviu para transmitir mensagens por sinais – código Morse -, depois passou a ter usos militares e já transmitia voz, em seguida chegou à condição de telefone até explodir como um veículo capaz de levar a lugares nunca dantes pensados todos os tipos de sons também nunca antes imaginados. Era o broadcasting – que transmitia o conteúdo de uma programação – nos primeiros anos do século XX. Hoje seria, ou é o podcasting.
Estes foram tempos de grandes controvérsias que se estendem até hoje. A primeira delas se refere ao descobridor, o pai do rádio. Oficialmente, porque registrou em cartório primeiro, é Marconi. O verdadeiro, pelas provas que hoje existem é o padre Landel de Moura, brasileiro, nascido no Rio Grande do Sul. Mas, como no caso do avião Santos Dumont é o pai de fato e os irmãos Wright são os de direito.
Como hoje é dia de roupa velha no varal, anote mais estas:
Trata-se do surgimento da primeira emissora de rádio no Brasil. Oficialmente se credita à Rádio Sociedade do Rio de Janeiro (hoje Rádio MEC), do então Distrito Federal (Rio de Janeiro), o pioneirismo, em 1923. Mas a Rádio Clube de Pernambuco (até hoje no ar e que chegou a ser propriedade de Assis Chateaubriand, a exemplo da Super Rádio Tupi), de Recife, quatro anos antes já realizou suas primeiras transmissões radiofônicas.
Para não ficar sem o toque local: das emissoras AM locais que iniciaram suas transmissões a partir de 1943 apenas duas mantêm a mesma denominação: Rádio Guarujá e Rádio Santa Catarina. Destas somente a rádio Guarujá permanece sob o comando da mesma família: Hoepcke da Silva.
Antes do tchau: digite a palavra rádio no mecanismo de busca – Localizar – do www.carosouvintes.org.br e você vai ter na sua tela 1.052 citações. Alias, depois desta frase já são 1.054. Boa semana. Volte sempre.
Site relacionado:
::http://www.radialistasp.org.br/hist_radio.htm


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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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