Bons tempos do rádio em Santa Catarina

Já vivemos tempos bem mais emocionantes e até curiosos para ouvir rádio em Santa Catarina. Claro que existe gosto para tudo.

[Por Ramiro Gregório da Silva]

Os jovens de hoje tem suas preferências para músicas ruidosas e os mais idosos gostariam de ouvir músicas mais românticas. O importante é que prevaleça a compreensão e o respeito entre os ouvintes.

O que se constata é que a juventude não está “nem aí” para as notícias. Diferente dos ouvintes mais maduros que, além de composições de bom conteúdo, boas letras, bons arranjos e melhor interpretadas, apreciam ouvir programas com bons comentários, notícias e entrevistas atualizadas, preferencialmente quando estes programas são bem produzidos, baseados em fontes de reconhecida credibilidade e narrados por sóbrios locutores, sem os inconseqüentes “achismos”.

É muito agradável lembrar os bons tempos da pioneira Difusora Joinville do “pioneiro seu Brosig”, com seus programas jornalísticos, esquetes humorísticos, rádio-teatro ao vivo, transmissões de futebol e shows de calouros no seu confortável auditório, onde os prêmios eram refrigerantes, pacotes de bolachas e cortes de tecidos das lojas patrocinadoras. Até aqui falamos de Joinville, que em seguida foi contemplada com a moderna Rádio Colon AM e mais tarde com a revolucionária Rádio Cultura AM.

Em Florianópolis a disputa ficava por conta das “poderosas” Rádios Guarujá e Diário da Manhã, que competiam pela audiência com “incandescentes” jornais falados e fervorosas entrevistas com os capitães políticos da época. A Diário destacava-se também pelo seu “cast” de músicos e cantores, coordenados pelo mestre Zininho.

Blumenau se orgulhava do pioneirismo da Rádio Clube, muito dinâmica nas coberturas de eventos esportivos e programas dominicais em seu auditório. Dispunha de uma respeitável equipe de comunicadores. Também havia salutar tempero político que provocou o surgimento da Rádio Nereu Ramos, também muito ágil em radiojornalismo e coberturas esportivas. Hoje as duas ex-concorrentes pertencem a um mesmo grupo empresarial, preocupado somente com a qualidade e saúde econômica das emissoras.

Gostoso é lembrar-se da romântica Rádio Araguaia de Brusque, onde trabalhei um bom tempo e lá fui descoberto pelo saudoso radialista e político J.Gonçalves, que me “empacotou” e trouxe para Joinville para instalar e dirigir a Rádio Cultura, que sucedeu a politizada e super- equipada Rádio Colon.

Hoje é imprescindível que se fale da Rádio Diplomata, a primeira FM da cidade de Brusque. Exemplo de profissionalismo (sem demérito a ninguém). Salve presidenta Marise!  

No Alto Vale do Itajaí, Rio do Sul e Taió predominam as rádios Mirador (que saudade do generoso Osni Gonçalves!) e Verde Vale FM, preocupadas primordialmente com eficiente prestação de serviços à comunidade, apoio às entidades sócio-culturais e aos seus anunciantes, com oferta de programação de alto nível profissional.

Que bom se fosse possível falar de todas as emissoras que tanto contribuíram e continuam estimulando o desenvolvimento de seus respectivos redutos. Peço permissão aos colegas empresários do rádio para fazer algumas referencias aos valentes radiodifusores de todas as regiões deste acolhedor solo catarinense:

Tropical FM (Treze Tílias), Coroados (Curitibanos), Eldorado (Criciúma), Peperi (São Miguel do Oeste), Clube de Lages (dá para esquecer Joffre Amaral?), Integração (São José do Cedro), a cinqüentenária Rádio Chapecó AM do inesquecível José Francisco Bohner, Catarinense de Joaçaba, Líder de Herval do Oeste, e nada permite esquecer o nosso simpático “Comendador do Oeste” Hamilton Lisboa e o humaníssimo Pirata, de São Joaquim.

Essa amálgama de emissoras evidencia o denodado esforço do empresariado de Rádio Difusão do Estado de Santa Catarina e é de absoluta justiça que se enalteça essa dedicação, muitas vezes enfrentando dificuldades e incompreensões de alguns setores do Poder Concedente e dos “Ecades” da vida.

Ufa! O espaço acabou, o tempo “foi pro espaço” e vou ter que finalizar. Faço isso com pesar, pois amo tanto essa pujante atividade e seus corajosos empreendedores que, se pudesse, e se capacidade tivesse, para falar de todos, ficaria escrevendo por mais 73 anos.

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