Bossa Nova 50 Anos. Parte II

Ou como Liza Minelli aprendeu a cantar Bossa Nova
Como bem diz a sabedoria popular “não há bem que sempre dure, nem mal que não tenha fim”. Passado o impacto inicial, a Bossa Nova, pega as malas e se manda para paisagens mais amenas e receptivas: invade os Estados Unidos da América do Norte.
Por Carlos Braga Mueller

Um pouquinho de história não faz mal a ninguém. A primeira gravação da Bossa Nova teria sido o LP (long-play, vinil) intitulado “Canção do Amor Demais”, de Elizeth Cardoso, prensado em 1958. As faixas “Outra Vez” e “Chega de Saudade” eram exemplos do novo ritmo que surgia. No mesmo ano foi lançado em compacto “Chega de Saudade”. O compacto era um vinil pequeno, com duas faixas de cada lado. João Gilberto também gravou a música (letra de Vinicius e melodia de Tom Jobim), e “Chega de Saudade” acabou se identificando como a marca registrada da nova proposta musical.
Ao lado de Elizeth foram surgindo os futuros expoentes da bossa nova: João Gilberto, Antônio Carlos Jobim, Vinicius de Moraes (nem tão jovem assim), Nara Leão, Baden Powell, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli, um “exército” de poucas pessoas. Iam sendo lançadas músicas que, a princípio desprezadas pela maioria, acabaram tornando-se verdadeiros ícones da historiografia musical do país, como Chega de Saudade, Desafinado, Samba de Uma Nota Só e Garota de Ipanema, para só citar alguns.
Os Estados Unidos se rendem à evidência do novo som.
A Bossa Nova então irradiou seus tentáculos para fora do Brasil, especialmente na direção dos Estados Unidos, onde João Gilberto e Astrud Gilberto, Tom Jobim e muitos outros, inclusive o nosso catarinense Luiz Henrique (com Liza Minelli ao seu lado, deliciada com o ritmo) fizeram sucesso cantando baixinho, empunhando muitas vezes somente um violão. A “purinha” dos boêmios estava sendo substituída pelo uísque cowboy.
Em 1963 Frank Sinatra gravou “Garota de Ipanema”. Outros famosos e famosas gravaram também o novo ritmo nos States, entre eles Miles Davis, Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald e Gerry Mulligan.
Quatro anos depois seria a vez de Sinatra, “The Voice”, gravar um LP inteirinho em dupla com Tom Jobim, interpretando quase que exclusivamente canções do brasileiro. E aí ninguém mais conseguiu segurar a Bossa Nova. Um transeunte assobiando “Garota de Ipanema” pelas ruas de Nova York era coisa normal.
Agora, 50 anos depois, é tempo de lembrar e comemorar os anos iniciais, que foram difíceis, mas gratificantes.
Hoje em dia o que se vê é que até bandas espalhafatosas gravam os seus “acústicos”, que nada mais são do que uma reverência ao som criado pelos bossanovistas , cujo neologismo está sendo criado neste, momento como parte de nossa homenagem a essa gente de tanto talento, amor e fé nos destinos de nossa cultura.
Benditos sejam eles, aqui na terra como no céu!
Para saber mais sobre Bossa Nova, recomendo o livro de Santuza Cambraia Naves, “Da bossa nova à tropicália”, editado em 2004 pela Jorge Zahar Editora. Outra opção é conseguir com a Volkswagen a edição especial da Revista V Nº 27 totalmente voltada para os 50 Anos da Bossa Nova.


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