Brasil encolhe espiritualmente?

selo-apontamentosO grande desconforto que permeia nosso cotidiano causado pela crise moral (ética) que avassala nossas mais caras instituições nos impõe, no cotidiano, a sensação de que o Brasil vem se apequenando lenta e gradualmente. Os mais céticos sustentam que espiritualmente o Brasil está encolhendo? Quem arrisca contestar? Quem não ouviu que nós estamos nos tornando uma Nação de pigmeus morais?

O que ajudou a amolecer os alicerces da ditadura militar 1964 foi uma sensação semelhante a essa que engolfou a Nação nos anos de 1980 e nos empurrou para novo período democrático. Não são poucos os homens de estudo que escreveram dizendo que a Nação estava exausta da ditadura e tudo o que ela representava: corrupção, falta de liberdade, impunidade, injustiças e outras coisas desse gênero. Para uma Nação 50 anos é nada e talvez por isso estejamos repetindo as mesmas bobagens?

Diz o ditado que as palavras convencem e os exemplos arrastam; temos, sim, sido arrastados por discursos maravilhosos, mas quem nos tem dado bom exemplo a seguir hoje em dia? Repito o pastor: “Seus filhos, seus dependentes, as pessoas com as quais de uma ou outra forma tem relações, ou sobre as quais você exerce alguma influência, estão esperando por suas palavras. Mas essas palavras serão ineficazes, se não forem precedidas pelo exemplo de sua vida”.

O sonho de um Brasil republicando com o fim da ditadura está morrendo muito Mais rápido do que imaginávamos. O otimismo que nos engolfou com as campanhas fantásticas que embalaram nossa esperança (da anistia, da constituinte, das diretas) evaporaram como num passe de mágica. O discurso feito em 20 anos de luta contra o arbítrio se mostrou mais vazio do que poço seco.

Dissemos uma coisa e fazemos outra. Começa que criamos um sistema de castas de fazer inveja aos indianos. Com algumas inovações, pois aqui os intocáveis são aqueles que detém algum poder, algum dinheiro, algum prestigio; esses estão acima do bem e do mal, gozam de privilégios que apenas humilham ainda mais a massa que fica com migalhas. Depois criamos uma casta de funcionários públicos cuja opulência zomba do que ganham, por exemplos, professores e policiais, duas categorias de ações essenciais.

A Câmara Federal virou gosma informe e chegou ao cúmulo de assumir sem pudor que em seus gabinetes, em seus corredores em suas comissões, em seu plenário há lugar sim para bandido já condenado. Qual é o problema? Sim, sim, o parlamento tem safado, mas aonde não tem dessa categoria?

O Poder Executivo sangra por todos os poros – os escândalos se sucedem – e o que acontece? Nada, absolutamente nada. Cegos, surdos e mudos tem sido nossos presidentes, nossos ministros.

O Poder Judiciário, que era o último baluarte, já mandou seu recado: não espere de nós a dignidade que os outros poderes não possuem. Agora com o mensalão (já pouco importa o final) o Supremo Tribunal Federal se transforma no que mesmo quando o ministro – invertebrado? – beija a mão de quem o levou ao posto?

O mais duro de tudo é que se o Brasil encolhe espiritualmente ninguém escapa das consequências: seremos todos verticalmente prejudicados… Viramos piada! Somos, definitivamente, a República da impunidade e chorar não adianta.

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