Cadê a identidade do rádio? – 2

Não estou escrevendo uma novela, estou tentando colocar na internet o que todos sabem ou pelo menos a maioria dos que ouvem ou fazem parte do rádio, sabem. Essa preocupação não é só minha; essa preocupação com a falta de identidade do rádio é de todo cidadão brasileiro que tenha bom senso. O rádio está sendo jogado no ralo e se não houver providências enérgicas a tendência é que ele perca cada vez mais seus ouvintes.

Não só as pesquisas mostram a queda real de audiência do mais importante veículo de comunicação da terra como os anunciantes já estão mudando suas mídias. Nos dias de hoje a internet já passou o rádio e logo estará ameaçando a televisão na aplicação de verbas publicitárias. Primeiro pelo custo – é menor, ainda – segundo porque dá mais retorno que as outras mídias. E não venham com essa que “é sinal dos tempos”. Não existe acaso, existe negligência, existe falta de profissionais qualificados no comando de operações das emissoras de rádio; há falta de comunicadores.

O rádio que um dia foi rádio, para contratar um locutor comercial exigia testes de voz, dicção, leitura e cultura. Hoje qualquer um coloca sua voz no ar. A terceirização de espaços levou o rádio ao caos atual. Recebi telefonemas e emails de companheiros de profissão que vêem a situação como eu vejo. Também esperam mudanças em nosso meio. Mas, mudanças dependem de quem comanda.

Em Curitiba há um caso muito triste relacionado com a mais importante emissora do estado, no ar há 86 anos, hoje uma repetidora da sua FM. Emissora que pertence a uma Fundação, que deveria pautar pelos bons princípios que o rádio requer. Consta que estaria à venda, mas, ninguém se habilitou a comprar. Caiu em descrédito porque permitiu terceirizações e a colocou na mão de pessoas que não são do ramo.

Aliás, cabe também uma pergunta ao Ministério das Comunicações: “Rádio que pertence a uma Fundação pode visar fins lucrativos?”. É isso aí.

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