Caixa Eletrônico

Último dia útil do mês. Atrapalhada, a mulher tentava conciliar a profusão de contas a pagar e sua visível inexperiência com caixas eletrônicos. Atrás dela, um casal de surdos-mudos conversava na linguagem dos sinais.

Enquanto a mulher se batia, o casal iniciou um caloroso debate sobre sei lá eu o quê. De repente ambos discordaram e passaram a brigar. Um interrompia o outro no meio da frase, cada qual tentando ganhar a discussão. Pareciam gritar tamanha a rapidez e amplitude dos gestos.

O silêncio, quebrado pelo som hesitante das teclas do caixa eletrônico, foi-se tornando constrangedor já que não combinava com a cena. Eu, a terceira da fila, cada vez mais irritada com a demora da mulher e com aquele debate tão acalorado quão silencioso, pensei:

– Papo mais chato!

Crônica do livro Cenas Urbanas e Outras Nem Tanto. Bernúncia Editora. Florianópolis, 2012.

Categorias: Tags: , ,

Por Norma Bruno

Natural de Florianópolis/SC. É graduada em História, pesquisadora, cronista e escritora, autora dos livros A Minha Aldeia e Cenas Urbanas e outras nem tanto. Colecionadora de rendas de bilro e revistas antigas. Filha do radialista e técnico em eletrônica Lourival Bruno, gosta de ouvir rádio desde pequeninha.
Veja todas as publicações de .

Comente no Facebook

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *