Caminhada de caranguejo

selo-sintonia-finaA oportunidade de emprego para os jovens é uma das grandes preocupações em nosso país. Com um número cada vez maior de adolescentes que saem dos bancos escolares em busca do primeiro emprego, cresce a preocupação com o futuro desses novos cidadãos. Algumas empresas de comunicação vem há algum tempo abrindo maiores espaços para jovens jornalistas, que são muitos. Só no Paraná, passa de 400 o número de jornalistas que se formam todos os anos nas várias faculdades espalhadas pelo estado. É jornalista demais para veículos de menos,  que não conseguem crescer  com velocidade capaz de chegar junto com a necessidade de novas vagas para novos profissionais.

 

O que se tem visto, via de regra, é jornais, rádios e televisões abrindo vagas de trabalho com a substituição de veteranos profissionais  por jovens sem nenhuma experiência. Essa troca dos velhos pelos novos, longe de representar uma demonstração de interesse em dar espaço aos mais novos, é na verdade uma forma de baixar custos reduzindo a folha de pagamento. Sai um veterano experiente com salário mais alto e entra um jovem sem experiência com salário bem mais baixo.

O resultado disso é visto nas páginas de jornais e programas de rádio e televisão. A qualidade vem caindo de forma assustadora, com pautas mal feitas, matérias ruins, reportagens capengas e muita gente na frente dos microfones e das câmeras querendo parecer ator de novelas quando sua função é transmitir a notícia sem emoções, caras e bocas.

Nos últimos anos , os maiores jornais do Paraná substituíram quase totalidade de seus profissionais experientes por jornalistas recém saídos da faculdade.

Houve um caso que me chamou a atenção num dos mais antigos jornais de Curitiba. Um veterano profissional que administrava o grande jornal com sabedoria, experiência e dedicação exemplar, foi convidado a se aposentar sob a alegação de que estava muito velho. Contava ele com 65 anos (+-) quando foi chamado pelo dono do jornal para ouvir a maior besteira de sua vida.

Deixou o jornal, que algum tempo mais tarde, depois de uma queda de qualidade e de vendas nas bancas, acabou fechando as portas.

O “velho” jornalista foi morar  numa chácara nos arredores de Curitiba, privando o jornalismo paranaense de um de seus maiores talentos em toda  sua história.

Foi o mais completo profissional de jornal atuando em Curitiba; conhecia em detalhes desde ás maquinas de impressão, seu funcionamento, esquemas de manutenção, até os menores detalhes da diagramação, redação de texto etc.

Um profissional completo que deixou a atividade prematuramente dando lugar a um jovem sem sua experiência, mas, que representou uma pequena economia na folha de pagamento do ex-proprietário do jornal.

Abrir espaço para os jovens é até obrigação das empresas mas, substituir talentos e experiência dos veteranos é fazer a caminhada do caranguejo; andar para trás.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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