Capuchon 1980 na terra de Germano Vieira

Em 1985, João Carlos apareceu em meu apartamento, na Rua Major Costa, onde alguns amigos músicos frequentavam para mostrar suas composições, fazer arranjos, etc.

CAPUCHON 1980Veio convidar Aldo e eu para fazer os vocais na canção de um amigo seu, Carlos Cidade, o Carlão, que participaria de mais uma edição do Festival de Música de São José. Carlão já vencera outra edição, fora melhor interprete noutra e melhor letrista em quase todas.

Eu adorava os festivais, não pela concorrência, mas pelo encontro de colegas músicos e ser apresentado àqueles que ainda não conhecia.

Perguntei quais seriam os outros músicos, e João relatou que, além de Carlão na viola de 12 cordas, tinha um garoto de 18 anos chamado Ney Platt para tocar sax e outro colega (Carlinhos) no violão. João tocaria contrabaixo.

Estendi o convite para o Miro (vocais) e Ringo (bateria). Também achei que a proposta não diferia muito das idéias do Capuchon, onde todos participavam dos arranjos, numa reunião de idéias e ideais, sugerindo que ressuscitássemos o nome Capuchon, já quase esquecido.

Além de ensaiarmos “Cavaleiro das Eras” para o festival, completamos o repertório com as composições do Aldo, do antigo Capuchon, do Flor do Sereno e as minhas. Durante os ensaios, Neno apareceu e nos tirou Ringo para sua banda, o que só seria revelado depois da apresentação, deflagrado no final da Phoenix e começo do “Grande Pássaro”, conforme relatei no capítulo XIII.

O Festival foi uma beleza; Carlão ficou com a melhor letra e campeão do evento, cujo troféu foi entregue na noite da grande final e a grana seria entregue depois, em cerimônia com o folclórico prefeito de São José Germano Vieira.

Pois foi aí que confirmamos mais uma de suas gafes: iniciou seu discurso ressaltando a importância do Festival, de abrir espaços para os artistas locais, de movimentar o setor cultural, etc. E completou dizendo que não esteve presente na Final por um justo motivo: seu genro promoveu um churrasco e ele não podia faltar, mas que no próximo ano estaria lá prestigiando “aquelas musiquinhas” (sic).

Há um “causo” que merece ser contado.  O baterista Ringo (Carlos Andretti) era delegado de polícia e, por ordens superiores, não deveria atuar como músico. Apesar do calor, para se disfarçar, se apresentou de cachecol e um boné que lhe cobria parte do rosto.

Mas foi exatamente isto que o “entregou”. Enquanto armava sua bateria, eu estava na frente do palco, no meio da plateia, para dimensionar o palco e a troupe que apresentaria a nossa música; foi quando ouvi dois policiais civis comentar a estranheza da roupa do baterista e o outro logo replicou dizendo que “só pode ser o Andretti disfarçado!”. Só sei que, dias depois, foi chamado para se explicar perante seus superiores.

Depois da vitória, nos dirigimos ao bar onde João tocava, no bairro Kobrasol, acompanhados por uma legião de novos fãs, onde passamos uma noite maravilhosa.

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